Terça-feira, 25 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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PRIMEIRAS EDIçõES > MÍDIA EM CRISE

Carlos Franco

Por lgarcia em 31/10/2001 na edição 145

MÍDIA EM CRISE

"GloboCabo tentará alongar dívida em dólar", copyright O Estado de S. Paulo, 25/10/01

"O novo diretor-geral da GloboCabo, Luiz Antônio Viana, começou a agir esta semana em três frentes. Todas com o objetivo de ampliar a receita da empresa, hoje de US$ 500 milhões por ano, e adequar sua estrutura ao atual cenário da economia brasileira, de retração e dólar alto. A primeira delas é o alongamento da dívida de US$ 1 bilhão, com vários pagamentos no curto e médio prazos, que ele não especifica. ?Ter parceiros de peso como Microsoft (7,5%), BNDESpar (6,4%) e Bradesco (6%) facilita o aval do investidor para alongar os papéis?, diz.

A segunda frente, disse Viana em entrevista ao Estado, é o esforço de vendas, que na sua opinião está disperso e com uma estrutura muito grande e ineficaz, o significará cortes. O primeiro deles, já decidido, é a terceirização do serviço de ?call center?, o atendimento ao cliente por telefone, hoje alvo de reclamações quando se trata da Net. Serão cortados mais de mil funcionários que atuam no serviço. Viana garante, porém, que fará o possível para que sejam reaproveitados na empresa com a qual a GloboCabo assinar o contrato. O corte é de 20% da força de trabalho. Viana também pretende instituir a figura do ombudsman, para identificar e resolver problemas.

A terceira e última frente é, senão a ampliação da base atual de 1,5 milhão de assinantes, o estímulo para que os atuais clientes comprem novos serviços. O que será conseguido com uma estratégia de marketing mais agressiva, focada nos serviços existentes, que o cliente desconhece.

A meta do executivo, ex-diretor-superintendente do Grupo Pão de Açúcar e ex-presidente da BR Distribuidora, é tratar a GloboCabo como uma central de atendimento ao consumidor, o mesmo modelo que adotou nos dois últimos empregos. ?Se você não investe em marca – e esta tem de ser sinônimo de uma prestação de serviço de qualidade, com produto de qualidade – você não amplia terreno?, receita Viana. Só assim, com a casa arrumada, acredita ele, será possível atrair um sócio estratégico."

"Sopão", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 29/10/01

"A situação está tão confusa, tão cheia de notícias que resolvi fazer esta semana, em vez de um Picadinho, uma Sopa Leão Veloso. Espero apenas que você não tenha uma indigestão, pois – vou logo avisando – a maior parte dos ingredientes é pesada.

Preparado/a? Então estende o prato aí:

Calvário na Gazeta – A Comissão de Assessoria de Imprensa (yeah! O Sind de São Paulo tem uma) pediu que não sejam passadas pautas para a Gazeta Mercantil enquanto persistir a greve. A resposta ao pedido por parte dos assessores tem sido muito positiva. É legal a idéia não só para demonstrar apoio político e como forma de reforçar a pressão, mas também como maneira de preservar as assessorias de possíveis problemas com clientes: já houve casos em que um release foi aproveitado, mas com adendos da redação completamente falsos, feitos para ?esquentar? a matéria. Afinal, pode ser que o release seja penteado por uma secretária e isso não é muito seguro.

Um outro aspecto é a posição da Justiça do Trabalho. Como sempre ocorre, a instituição faz um jogo ambíguo ao não julgar a greve, preferindo protelar em audiências de conciliação que não levam a nada (como a que está marcada para esta segunda, dia 29). Essa ambigüidade deixa claro algo que os jornalistas, até por inexperiência, têm um pouco de dificuldade em entender: a Justiça do Trabalho, em casos coletivos, devia se chamar Justiça do Patrão.

Nos casos individuais, até que ela dá guarida aos trabalhadores, apesar de também permitir quase infinitas protelações por parte dos advogados patronais. Nos casos coletivos como o da Gazeta, no entanto, essa tática protelatória faz um mal terrível, pois tende a enfraquecer os movimentos. No caso Gazeta, porém, essa jogada é perigosa, pois os seguidos erros estão destruindo a confiança que o público do jornal, qualificado e exigente, tinha nele. Quando a greve acabar pode ser que a Gazeta descubra que sua base de assinantes foi corroída de maneira irrevers&iaiacute;vel.

Caracu no JB – Como se sabe, o JB está tentando obrigar a quem ganha mais de R$ 4 mil a se tornar pessoa jurídica, a fim de se livrar dos encargos. Para adoçar a boca, promete-se um aumento escalonado para quem assinar. Só que o cálculo do aumento é feito sobre o salário líquido, ou seja, já descontados todos os encargos. Assim, o/a pobre sujeito/a acabará ganhando menos do que hoje (no caso das mulheres é ainda pior porque não existe o direito à licença-maternidade).

A direção de redação diz que a adesão a este contrato é espontânea, mas se o gasto da redação não ficar dentro do limites estabelecidos por Nélson Tanure, haverá demissões que irão recair exatamente sobre os profissionais que dêem maior ônus à empresa. Se isso não é pressão, então não sei mais o que é.

Por enquanto, só o pessoal mais antigo assinou o tal contrato caracu (no qual o JB entra com a cara e o coleguinha entra com o resto), na esperança de pelo menos receber aquele FGTS que não é depositado desde a época de Ramsés II. O pessoal mais novo está à espera do que vai rolar, mas muita gente já avisou que não assina e esta galera está à espera de uma nova rodada de pressão nesta semana, última de outubro.

Agora, esta estratégia toda do JB pode dar com os burros n?água. É que há uma sentença do TST em favor de Afanásio Jazadi (é assim mesmo?), aquele radialista barra-pesada de Sampa, que teve reconhecido seu vínculo empregatício com o Sistema Globo de Rádio mesmo tendo sido contratado como empresa jurídica por 14 anos. Pelo que me lembro, a sentença foi prolatada em fins de 96 ou em 97. Seria uma boa os advogados do sindicato darem uma procurada pelo acórdão.

Veja x Tanure – Depois de cinco anos lidando com empresas de comunicação, jornalismo e jornalistas, acabei por inventar um método de investigação da realidade que batizei de ?Paranóia Transcendente?. Usei uma ferramenta deste método – que acredito, modestamente, ser o ideal para os dias que correm – na análise do texto da Veja sobre o lobista Alexandre Santos. Refaça você mesmo a experiência, se estiver interessado em ver como funciona a idéia.

Pegue a matéria e marque com aqueles marca-textos (ou sublinhe) a parte que fala de Nélson Tanure. Fez? Agora, comece lendo o texto anterior à marcação, pule-a e continue a leitura depois. Notou algo? Eu notei. A parte marcada não faz a menor diferença para a estrutura do texto, nem o enriquece como exemplo do que vem antes. É como se tivesse sido enxertada ali, colada sem muito cuidado.

Agora, ainda tendo como base de análise a Paranóia Transcendente, leia o texto marcado. Qual a única informação interessante no trecho? Na minha opinião, a de que Tanure seria (assim mesmo, no condicional) o sócio oculto do Banco Fator. Ora, o Fator foi o banco indicado por Tanure para fazer a avaliação geral (que os antenados da economia chamam de ?due dilligence?) da Gazeta Mercantil. Ou seja, o banco iria avaliar o quanto seu sócio oculto teria que pagar para comprar uma parte (ou o todo) da Gazeta. A tendência de superavaliar os problemas e sub-avaliar as coisas boas da GM seria quase irresistível, pois não? Poucos dias antes da publicação da matéria, Luiz Fernando Levy, presidente da Gazeta, rompeu o acordo já sacramentado com Tanure. Como o conceito de ?coincidência? não existe na Paranóia Transcendente, tenho quase certeza de que ele foi informado do que seria publicado na edição de Veja e por isso tomou aquela decisão.

Conversas – O Grupo Estado anda conversando com Daniel Dantas, do Opportunity.

Anunciando – Depois dos outdoors, a TV Globo pretende anunciar suas novela em revistas. O mote é quase um apelo: ?veja novela?."

    
    
                     
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