Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > JORNAL DA IMPRENÇA

Carol Knoploch

Por lgarcia em 09/12/2003 na edição 254

HDTV

“Alta definição ao alcance da massa: essa é a idéia”, copyright Estado de S. Paulo, 7/12/03

“Em um país em que tanta gente abre mão de ter geladeira em casa, mas não de ter um televisor, é fundamental que a chegada da TV digital não exclua a maioria da população. E se 64% dos consumidores têm aparelhos de até 22 polegadas (27% são de apenas 14 polegadas), possuir um aparelho de tela plana e horizontal ainda é sonho para a imensa maioria dos brasileiros.

É esse mapa que norteia o início do processo de pesquisas que deverá fazer o País criar seu próprio modelo de TV digital, a High Definition Television (HDTV), que permitirá imagens mais precisas e oferta de serviços interativos.

No conceito do ministro das Comunicações, Miro Teixeira, a TV digital tem de ser compatível às especificidades do mercado brasileiro, em que 93% dos domicílios não t&ececirc;m TV paga, diferentemente dos Estados Unidos, Europa e Japão, que ainda disputam o direito de implantar suas tecnologias em território brasileiro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu prazo de um ano para que as pesquisas resultem na definição de um modelo de TV digital adequado ao País – nos EUA, a fase de pesquisa, incluindo testes em protótipos, durou cerca de três anos. Aliás, a TV digital norte-americana ainda não emplacou entre seus consumidores.

No último dia 27, Lula fez publicar no Diário Oficial da União o Decreto 4.901, que delega a comitês a tarefa de adotar as políticas para o setor e prevê R$ 80 milhões para esse processo todo. Assinado por Teixeira e pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o decreto informa que um dos objetivos é justamente ?promover a inclusão social… por meio do acesso à tecnologia digital, visando à democratização da informação?, além de ?planejar o processo de transição da televisão analógica para a digital, de modo a garantir gradual adesão de usuários a custos compatíveis com sua renda?.

Perfil – O ministro já afirmou diversas vezes que a nova tecnologia poderá reduzir o distanciamento entre as diversas classes da população, ?se não, não servirá de nada?. O ministério traçou o perfil do consumidor para endossar a tese. De acordo com dados do ministério, baseados no IBGE de 2002, 90% dos domicílios no Brasil têm TV – e 85% possuem geladeira (veja quadro acima). Cerca de 47% dependem da antena interna (aquela que fica em cima do aparelho e que, eventualmente, ganha uma palha de aço para ajustar a imagem).

Ou seja, pelo menos em um primeiro momento, esse consumidor não poderá adquirir um aparelho de HDTV, aquele com tela horizontal maior. ?O maior consumidor de TV é o cara da classe C, que assiste ao Big Brother, que gosta do Show do Milhão. Aqui, a grande maioria só tem TV aberta e troca o aparelho após 14 anos de uso, em média. Em países de Primeiro Mundo, a vida útil de um aparelho é de 8 anos?, comenta Marcelo Zuffo, professor do Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, uma das instituições que vão participar das pesquisas.

Zuffo deverá desenvolver, com sua equipe, um decodificador (poderá custar cerca de R$ 300) para que os televisores analógicos possam receber os sinais de imagem e som digitais, assim como foi feito nos EUA. Esse será o primeiro passo para a nova tecnologia, justamente para evitar a necessidade imediata de trocar o aparelho. Zuffo e os pesquisadores brasileiros querem desenvolver também a TV móvel, que poderá ser vista por meio de um monitor de telefone celular, por exemplo. ?Acho que há no Brasil muitos profissionais competentes na área e que estão dando sopa por aí.?

Critérios – Os recursos disponibilizados pelo governo para o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) são provenientes do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), formado por contribuições de concessionários de telecomunicações.

O SBTVD será composto por três comitês: o de Desenvolvimento, vinculado à Presidência da República, que terá como missão fixar critérios e condições para a escolha das pesquisas e dos projetos; o Consultivo, que terá como objetivo propor as ações e as diretrizes; e o Gestor, que será responsável pela execução das ações relacionadas à gestão operacional e administrativa.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Fundação Centro de Pesquisa em Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) darão apoio técnico ao Grupo Gestor.

?Na nossa opinião, em se tratando de recursos públicos, achamos que um edital de convocação de propostas ao projeto brasileiro será a melhor forma de qualificar instituições de pesquisa públicas e privadas a receber recursos federais para o projeto de forma legítima e transparente?, opina Zuffo. Segundo ele, há apenas um mapeamento de 60 instituições que encaminharam propostas ao governo.

Zuffo, que se mostra preocupado com a ?escalação? das instituições, afirma que a tendência é que o governo adote o modelo nacional, após ?pesquisas com responsabilidade social e muitos testes, inclusive em várias partes do Brasil?, mas que há a possibilidade de compra de um sistema estrangeiro e pagamento de royalties. ?Defendo uma parceria entre as universidades para não reinventarmos a roda ou fazer coisas muito redundantes. Claro que algum grau de redundância será saudável. Este será um grande teste para saber até que ponto conseguimos trabalhar como nos países desenvolvidos?, comenta Zuffo.”

“?Ninguém joga fora a TV velha?”, copyright Estado de S. Paulo, 7/12/03

“Francisco José da Silva, de 47 anos, não é autor de novela, estudioso sobre a televisão nem executivo de emissora. Ainda assim, entende melhor que ninguém como o aparelho funciona: é dono de uma birosca na Favela de Paraisópolis, na zona sul da capital, e conserta TV há mais de 25 anos.

Conta que era muito curioso e desmontava e montava eletroeletrônicos próprios e de amigos. ?No início, tive de dar muita TV nova de presente para os clientes. Mexia tanto nas peças que o bichinho não funcionava mais?, diverte-se Francisco, que lembra também dos vários choques que levou ao cutucar o miolo deles. ?Hoje, as TVs são mais simples. A quantidade e o tamanho das peças são bem menores.?

Francisco, um pernambucano que chegou sozinho a São Paulo com 17 anos, largou o emprego numa tecelagem, no Campo Belo, para seguir a profissão que gostava. Fez quatro anos de escola técnica e há 16 anos construiu uma lojinha. ?Tudo o que tenho é fruto do meu trabalho, minha loja, minha casa… Nunca fiquei um dia parado, sem serviço?, disse. Garante que ganha o suficiente para viver, sem luxo, na favela, com a mulher, as duas filhas, genros e dois netos. ?É difícil jogar fora a TV. Mesmo que comprem outra, ficam com a antiga ou dão de presente.?

Pesquisas elaboradas por membros da Escola Politécnica da USP (ver matéria ao lado) comprovam a tese de Francisco. Um televisor tem 14 anos de vida, em média, no Brasil. E passa ao menos por um conserto.

Francisco, que cobra no mínimo R$ 15 por serviço (?quando é pouco, faço de graça?), tem uma pequena sucata ao lado da loja. São aparelhos de clientes que sumiram, nunca voltaram para pegar seus televisores. Todo mês, o técnico paga R$ 70 para um dono de caçamba aliviar o ?cemitério?, como ele chama o local onde despeja as peças e os televisores velhos. ?Tenho de guardar muita coisa. Vai que o dono aparece um dia…? A carcaça que ilustra a foto ao lado foi tirada do cemitério. ?Se quiser levar mais coisa pode levar. Assim você me ajuda na faxina?, brincou.

A relíquia é um modelo Philco, de 1969, preto-e-branco, de 23 polegadas, com acabamento curvilíneo de madeira, e está no meio de outras dezenas de TVs, de vários tamanhos e modelos, coberta de pó. Gatinhos se escondem por lá. A Philco Baby, de 1976, com base de apoio (foto acima), foi o modelo que mais consertou na vida. ?Era a preferida na zona rural, pois funcionava com bateria de carro. Mas a minha predileta é a de madeira. Recebi várias propostas e nunca vendi. Queria usar a carcaça em outro aparelho.?

Francisco tem três TVs em casa, uma delas, importada da Argentina. Mas não assiste aos programas. A explicação é paradoxal: não gosta de ficar parado diante de uma TV.”

 

ESPORTE

“E nós, não elegemos ninguém?”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 3/12/03

“Sempre que chega o fim do ano aparecem as eleições dos melhores em tudo. No esporte, a que mais chama a atenção é a eleição do melhor jogador de futebol do mundo. Este ano disputam a posição Zidane, Ronaldo e Henry. Concordando ou não com esses três nomes, o fato é que esta é uma eleição que tem o maior impacto nos meios de comunicação. Todos tentam descobrir com antecedência o vencedor. E a Fifa, sua idealizadora, tem sua imagem institucional fortalecida.

O mesmo ocorre com os meios de comunicação europeus. A revista France Football dá a ?Chuteira de Ouro?, considerado o mais importante prêmio não-oficial do futebol do Velho Continente, ao melhor jogador da Europa, assim como outras tantas publicações. No Brasil, país do futebol e único país penta campeão do mundo, os nossos grandes veículos ainda não atentaram para a força desses prêmios.

Evidentemente que a Fifa ou as publicações esportivas não fazem essas premiações por serem entidades filantrópicas. Ganha-se muito dinheiro, das mais diversas formas, ao estimular os leitores ou telespectadores a votarem nos melhores jogadores do ano. Aumenta-se a tiragem dos jornais e revistas com promoções, eleva-se o ibope das TVs, vendem-se cotas de patrocínios e direitos de transmissão de eventos como o da Fifa… enfim, essas eleições são verdadeiras máquinas de fazer dinheiro.

Pensando-se em escala mais modesta, dentro das Américas Latina e do Sul, ou mesmo apenas dentro do Brasil, creio que seria extremamente atraente uma eleição nesses moldes com a chancela de uma grande rede de TV ou uma grande publicação. Uma eleição séria, com participação popular e de especialistas da imprensa e do meio esportivo, que mostrasse claramente quem, na opinião de todos, é o melhor jogador do país, ou mesmo o melhor do mundo. Com critérios justos e corretos, nem mesmo o bairrismo poderia maquiar o resultado final.

Acho que a imprensa precisa atentar para o fato de que uma eleição que premie com isenção e correção os melhores do ano pode trazer benefícios para todos os setores: leitores mais assíduos, dinheiro em caixa para os organizadores e prestígio nacional e internacional para a marca que realizar a premiação.

É, portanto, um belo negócio para todos. Por que ainda não temos algo nos moldes europeus, para premiar os melhores? Aqui no Brasil as entidades como o COB e a CBF realizam as suas premiações, mas elas não têm o mesmo apelo, já que a divulgação é limitada, e nenhuma destas organizações possui meios de comunicação de grande penetração junto ao grande público. Aí está o segredo: divulgação e, claro, premiação aos leitores/telespectadores/internautas que participarem da votação.

Lembro que a Revista Placar, por vários anos, elegeu o craque ?Bola de Ouro?, e também distribuiu a Bola de Prata aos melhores do ano em cada posição. O problema é que a Placar deixou de ser tratada com atenção condizente com a importância que tinha para leitores e esportistas. Ou seja, perdeu a sua força e, por conseqüência, os seus prêmios também deixaram de ter o apelo que tiveram tempos atrás.

Começa aqui, então, a campanha por uma eleição bem feita, justa e democrática que coloque nossos meios de comunicação no nível de prestígio que têm as revistas e jornais europeus. Ao menos no futebol, nós aqui do Brasil falamos alto.

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Aliás, um dos grandes mistérios do jornalismo esportivo, a meu ver, é o porquê de a revista Placar ter deixado de ser prestigiada por quem a publica. Lembro que ainda menino, no fim dos anos 70 e início dos anos 80, eu esperava ansiosamente a chegada da Placar às bancas. Chegava a reservar com o jornaleiro que ficava ao lado da minha escola. E eu não era o único. Dezenas de meninos mais velhos que eu faziam o mesmo. A revista era um sucesso absoluto entre os meus colegas.

As constantes mudanças de formato, de linha editorial e a saída dos maiores nomes do jornalismo esportivo dos créditos das matérias acabaram transformando a revista, antes a bíblia do futebol brasileiro, em uma publicação comum, que por vezes chegou a parecer a versão boleira da ?Capricho?. Perdeu prestígio juntos aos fãs que gostam de ver o futebol tratado com a máxima seriedade, e também não agradou a nova geração, que não se identificou com o formato proposto.

Uma pena. Depois da Placar não houve no país uma revista que formasse opinião nem que fizesse reportagens tão bem feitas e com tanto eco quanto ela fazia há 20 ou 30 anos.

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Excelente a notícia 1 – A Globo e o Cruzeiro chegaram a um acordo para o lançamento de um DVD que conta a conquista da tríplice coroa pelo time mineiro em 2003 (Campeonato Mineiro, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro). A previsão é que o DVD esteja disponível até o dia 20 de dezembro, para aproveitar o Natal.

Excelente a notícia 2 – Também para o Natal, mas sendo lançado esta semana, o livro ?Time dos Sonhos?, de autoria de Odir Cunha. Para santistas e não-santistas, um excelente presente.”

 

JORNAL DA IMPRENÇA

“O exemplo do mestre” copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 8/12/03

“Villas-Bôas Corrêa completou 80 anos na terça-feira passada, com aparência de 60 e cabeça de 30. Janistraquis releu alguns textos desse Mestre da crônica política, textos antigos e recentes que mantemos arquivados, e comentou:

?Considerado, que exemplo o Villas dá a todos nós, né mesmo? A partir de hoje, quando alguém me perguntar qual o conselho que eu daria a um jovem jornalista, vou responder assim: se você tem apenas a juventude para oferecer, não vale a pena insistir na profissão. Villas-Bôas nos tem ensinado que somente a competência e a sabedoria ignoram solenemente o passar dos anos?.

E leiam o que o veterano escreveu ontem (13/12) no site no mínimo, só para que atestemos sua forma impecável: Lula no embalo da ilusão.

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Natal gordo

Nosso considerado José Truda Júnior, que diariamente, às 7 da matina, já leu O Globo de cabo a rabo, enviou este despacho:

?A frase abaixo, em que o delegado Alan Turnowsky explica o tipo de serviço que PMs executam nos morros do Rio de Janeiro, saiu publicada hoje, 3/12/02:

?Um helicóptero da polícia sobrevoou o morro e identificou as viaturas dos PMs. Eles estavam a serviço, achacando o traficante, e também foram identificados porque passaram a falar pelo celular do bandido comemorando a ação e fazendo referência ao inimigo interno, a corregedoria, que já estava no morro – contou o delegado.?

Pois é, os PMs ?estavam a serviço, achacando o traficante?!!! Janistraquis desaprovou minha perplexidade: ?Ora, considerado, deixe de ser bobo; o Natal já está chegando e você acha que o pessoal vai ficar sem o peru e as castanhas??.

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Cabras machos!

O irreverente diretor de nossa sucursal no Ceará, Celso Neto, escreveu:

?A classe política anda com o prestígio mais em baixa do que fiofó de cobra, mas o jornalismo resolveu dar uma mãozinha para que os vereadores de Fortaleza corram um risco a mais. Veja o título de matéria sobre um broche, distribuído a essa turma, publicado pelo Diário do Nordeste: Vereadores recebem broche para identificação na rua.

Ora, se os vereadores já contam com a repulsa da população, imagine andando na rua com esses broches. A negada vai aproveitar para ?dar uma sola? nos excelentíssimos vereadores que identificarem, né verdade??.

É verdade, Celsinho, é verdade, mas Janistraquis aproveita para lembrar que macho mesmo, macho com M maiúsculo de Maria, não anda por aí de broche; no máximo, um brinquinho…

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Vitória da fé

O considerado leitor Luís Siqueira Netto garante que via o Cidade Alerta quando, de repente, entrou um anúncio da Folha Universal e ele foi atingido violentamente por este título numa das páginas:

Ele creu, lutou e venceu

Meu secretário inspirou-se noutro texto sagrado: ?Considerado, como diz o Eclesiastes (1, 18), quem aumenta o seu conhecimento aumenta a sua dor?. É mesmo, a ignorância também é filha de Deus e mantém casamento estável com o mau gosto, este primo-irmão do capiroto.

Embora exista tal forma verbal, esta deve ser evitada por redatores espertos; afinal, o título da Folha Universal lembra uma frase de Beto Carneiro, o ?vampiro brasileiro? de Chico Anísio: ?Num creu neu, finou-se…?

E o diabo é que não encontrei a tal página na Internet e fiquei sem saber quem foi que tanto creu, tanto lutou e tanto venceu…

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Houvindo e haprendendo

O implacável diretor de nossa sucursal no DF, Roldão Simas Filho, lia a Revista D do Correio Braziliense quando deparou com este singular parágrafo, encolhidinho sob o título O pai de Guibhson Frenk:

?É na hora do almoço que Hilton viaja nos mais variados tipos de som e curte um sertanejo para matar as saudades ?do Goiás?. Mas, se as saudades são muitas, aí o cabo não houve sertanejo, não. Desse jeito, a dor aumentaria muito.?

Comentário de Roldão: ?Quando Hilton ?houvir? a reportagem, a dor aumentará mais ainda?, ao que Janistraquis observou: ?Considerado, está na cara que o redator só escreveu houvir porque o nome do personagem é Hilton; se fosse Ilton, não teria ocorrido a falha…?.

É possível.

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Delícia de guerra

Daniel Sottomaior, diretor de nossa sucursal paulistana, adverte para os perigos que o jornalismo corre quando o redator/tradutor é semi-analfabeto nos dois idiomas:

?Já mencionei na coluna como a palavra lover, além do carregado significado de amante, também pode se referir a entusiasta. Ninguém ficaria perdido quanto ao significado de book lover, expressão que pode até ser traduzida como amante de livros, mas em uma capa recente o Estadão foi mais além e relatou que os israelenses favoráveis à paz com palestinos estavam sendo tachados de amantes de árabes.

Assim, o que deveria ser a descrição de um conflito internacional ficou parecendo uma surreal acusação de troca de favores sexuais e parece que ninguém na Redação notou a diferença.?

Timidamente, Janistraquis botou as manguinhas de fora: ?Pois é, considerado; como dizia aquele, digamos, militante do Jornal da Tarde dos anos 70, apelidado ?Cara de Homem?, guerra é guerra…?.

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Preço baixo

Esta coluna cumprimenta o jornalista e poeta Álvaro Alves de Faria, que lançou nesta terça-feira, na Livraria Cultura (Conjunto Nacional, SP), o volume Trajetória Poética ? Obra reunida. São quarenta anos de inspirada dedicação que honram a poesia brasileira. Escrituras Editora, 672 páginas, 40 reais. Como se vê, pelo menos um gênero de primeira necessidade está com preço baixíssimo neste país: a beleza.

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Primeira leitura

Deu na Folha de S. Paulo, abaixo do título Só 5,8 milhões têm curso superior no Brasil:

?O Brasil é um país de poucos diplomas universitários, concentrados numa elite: apenas 6,8% da população com mais de 25 anos concluiu o nível superior. A região Sudeste, a mais rica do país, concentra 59,7% dos diplomas e os brancos têm quatro vezes mais acesso ao ensino superior que os pretos, pardos e indígenas (…).

Ao todo, só 5,8 milhões de brasileiros têm nível superior, sendo 5,5 milhões com graduação (6,4% do grupo acima de 25 anos) e 304 mil com mestrado ou doutorado (0,4%). Houve um aumento em relação a 1991, quando essa proporção era de 5,8%.?

Janistraquis leu, releu e reprovou a matéria: ?Considerado, o texto deixou de informar o principal ? quantos, desses 5,8 milhões com nível superior, sabem realmente ler?!?!?.

É boa pergunta.

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Nota dez

O melhor texto da semana é do nosso considerado Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo:

?É claro que é melhor ver o risco Brasil caindo do que subindo. Mas não se iluda, meu caro, a queda não vai resolver um só dos problemas da pátria. Ao contrário, até serve para pôr em evidência um problema político-institucional muito grave.

Aos fatos: o risco-país é, no fundo, um habeas corpus preventivo que os investidores adotam, em seu próprio benefício, para a hipótese de calote. Ou seja, cobram caro, preventivamente, com o que, se calote houver, já terão garantido todo o retorno necessário. Se não houver, melhor. Continuam faturando à tripa forra.?

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Errei, sim!

?AOS DISTRAÍDOS – Eu estava vendo alguma coisa na Rede Globo quando despertei com a voz do locutor perguntando a uma gentil senhorinha: ?Como você faz para comprar Marie Claire??. Achei a pergunta um despropósito, porém meu secretário ponderou: ?Considerado, a questão procede; afinal, deve ter muito distraído por aí que vai procurar a revista Marie Claire na farmácia…?. (outubro de 1994)”

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