Segunda-feira, 21 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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PRIMEIRAS EDIçõES >   ENTREVISTA / NAIR BELO

Carol Knoploch e Etienne Jacintho

Por lgarcia em 01/07/2003 na edição 231

TVs TERCEIRIZADAS

“A ordem é descentralizar”, copyright O Estado de S. Paulo, 29/06/03

“O fôlego tomado pelo mercado de produtoras independentes no Brasil – iniciado com a chegada da TV por assinatura e hoje em expansão na TV aberta – vem emprestando novo papel aos profissionais do ramo. Para aqueles que estão dispostos a emplacar suas idéias na TV, as produtoras independentes têm se mostrado um caminho mais eficiente do que tomar chá-de-cadeira nas ante-salas dos executivos das emissoras. É um fenômeno do tipo Tostines: quanto maior o espaço dos independentes na programação, mais esses profissionais circulam pelo meio e melhor é o lobby que eles exercem entre os canais e anunciantes.

Prova do amadurecimento do setor é a criação de uma seção paulista da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de TV (ABPITV). Na última quarta-feira, representantes das maiores produtoras independentes de São Paulo se reuniram no Museu da Imagem e do Som (MIS) e, por meio de votação, elegeram Fernando Dias, da Grifa Cinematográfica, como o representante da entidade no Estado. A ABPITV tem sede no Rio e, até o momento, cerca de 60 produtoras filiadas – a maioria carioca.

?Boas cabeças não querem mais ficar presas às emissoras, elas querem criar.? Essa é a explicação de Suzana Villas-Bôas, diretora da Gorila (que produz o Saia Justa no canal pago GNT), para o fortalecimento das produtoras independentes, que quase sempre emplacam programas nas áreas de moda, beleza e turismo nas emissoras. ?Acho que os canais pensam que programas nessas áreas são coisas menores em que não precisam investir?, diz. Ela conta que a Gorilas está com dois novos projetos em andamento. ?Um programa de informações para jovens e um outro para o público GLS?, revela.

Na contramão dos produtos que são entregues inteiramente prontos para os canais, algumas atrações são pensadas em conjunto. O próprio Saia Justa é um exemplo disso. ?O GNT deu muitos palpites, mas saiu como eu queria?, fala Suzana. Para ela, as emissoras ainda não estão preparadas para o boom das produtoras independentes. ?Não existem regras para essa relação, mas essas regras terão de ser estipuladas mais rápido do que se pensava?, diz.

Diretor de Programação da TV Cultura, Walter Silveira se defende. Para ele, as emissoras estão abertas às novas idéias, desde que se encaixem no perfil esperado. ?Às vezes somos procurados, analisamos o material e vemos se interessa. Então, é feita uma parceria, com supervisão da emissora.?

Há ainda as co-produções, quando o produtor necessita de apoio – equipamentos, estúdio, cenografia, arquivo, etc. Para Silveira, a grande vantagem das parcerias é a pluralidade de visão sobre os temas. ?Antes, as produtoras tentavam vender o que elas queriam. Hoje, estão mais ligadas no que as emissoras querem?, conclui.

Resistência – Foi essa necessidade de pluralidade de visão que fez a Globo abrir um (ainda tímido) espaço a produtos brasileiros feitos fora de seu quintal. Ainda valorizando o discurso de quem produz mais de 90% de conteúdo, a emissora lançou no último dia 13 o quadro Brasil Total, no Fantástico. É de produção independente, mas foi concebido pelo diretor Guel Arraes e por Regina Casé, ambos da casa, e pelo antropólogo Hermano Vianna.

?O mercado mudou. Hoje temos produtoras independentes capazes de realizar trabalhos de qualidade e com um tempo de produção semelhante ao da televisão?, admite Luís Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação.

Responsável por um dos poucos programas independentes na Globo, o Auto Esporte, a GW Comunicação confessa que a negociação com a emissora foi complicada. ?Mas os profissionais conhecem o padrão de qualidade da emissora?, conta o diretor-executivo da GW, Danilo Palasio. E olhe que a GW não é exatamente uma desconhecida no mercado: faz o Marília Gabriela Entrevista, do GNT – a parte editorial cabe agora ao próprio canal – e venceu o 1.? Concurso Biodiversidade Brasil de Documentário, promovido pela TV Cultura e pela Natura, com o projeto Bioconexão – A vida em fragmentos.

Bom atalho – Na linha que endossa o poder do lobby hoje exercido pelas produtoras, a KN Vídeo, atuando no ramo de esporte e aventura desde 1990, recebe muitas visitas de candidatas a apresentadoras de TV. Mas Fabiana Misse, da KN, avisa que as eleitas são submetidas à aprovação dos canais. No catálogo da produtora, estão o Rolé e Tração Brasil (do Sportv), Alta Rotação e Body Board Pro Tour (Bandsports), Rota 21 (Canal 21), o Super Surf, da MTV, com a ex-namorada de Guga, Marieva Oliveira.

Também revelada pela KN, Dani Monteiro é dona do quadro Caminhos da Aventura (outro independente da Globo), do Esporte Espetacular. Tricampeã de windsurf, começou na TV fazendo um programa de verão, dividiu a apresentação do Rolé com Dora Vergueiro, no SporTV, e agora chegou à principal TV aberta.

O cuidado com o que vai ao ar também é pertinente no GNT. ?A terceirização ocorre por demanda ou porque o canal achou que o programa é uma boa idéia?, explica a diretora do GNT, Letícia Muhana. Mas a emissora faz a supervisão de todos. ?O GNT nunca vende horários. Ele paga pela produção?, afirma Letícia. Para a diretora, é interessante fazer uma produção ?híbrida?.

O Superbonita deixou de ser terceirizado, mas a equipe ainda é independente. O GNT Fashion e o Diário do Olivier são terceirizados, mas suas pautas são discutidas com o GNT. Os apresentadores também passam pelo crivo do canal. ?A Daniela Escobar (Superbonita) foi indicação nossa; a Patrícia Travassos (Alternativa Saúde)também?, conta Letícia.”

“Valéria ?entrevistará? mortos”, copyright O Estado de S. Paulo, 29/06/03

” Valéria Monteiro, a primeira mulher a apresentar o Jornal Nacional, deve voltar à TV, no comando de uma atração idealizada por ela. Naquele Tempo… Agora, elaborado em co-produção entre a produtora de Valéria (VTV) e a de J. Háwilla (TV7), é um programa de entrevistas inusitado: a jornalista vai conversar com personalidades históricas que já morreram. É aí que entra a parceria com o curso de Artes Cênicas da Unicamp. Alunos/atores farão vasta pesquisa sobre a vida e obra do ?entrevistado? para que possam representá-lo perante às câmeras. No programa piloto, que está sendo apresentado a duas emissoras (uma aberta e outra fechada), ela conversa com o compositor Carlos Gomes, autor de O Guarani.

?É um programa de entretenimento?, comenta Valéria. ?O Nelson Gomes (diretor de conteúdo da TV7) me procurou quando soube do meu projeto. Essa foi a melhor maneira que encontrei para montar um programa piloto, com qualidade, e depois oferecer às TVs.?

?Esse é o nosso negócio e nos interessa atender a todos?, assegura o diretor da TV7, Ivan Magalhães. ?Temos um comitê executivo que analisa o projeto. Se for inviável, o cliente saberá ou então, faremos sondagens.?

Atualmente, a TV7, que começou a funcionar em outubro, tem um programa na TV aberta: o Tudo Avon, com Rosana Herman e direção de Nilton Travesso, aos sábados, na RedeTV!. A partir do próximo sábado, Rosana dividirá a apresentação com Laura Wie. ?A qualidade das atrações feitas por produtoras é, muitas vezes, superior às das emissoras. Isso porque temos os mais sofisticados equipamentos e tempo para nos dedicar ao produto final. Somos uma produtora de conteúdo?, comenta Magalhães.

A mesma TV7 negocia com Lucélia Santos uma minissérie em co-produção com a TV Sichuan, da China. Ao todo, a história sobre três gerações de uma mesma família, do século 20, será contada em cerca de 25 capítulos.

Proteção nacional – Embora disputem palmo a palmo essa abertura de espaço nas TVs , as produtoras independentes reconhecem a importância de se organizar. Ao terem uma associação que as represente, essas empresas pretendem usufruir melhor de um fundo que vem das distribuidoras internacionais. Quando essas enviam seus lucros às matrizes no exterior, deixam 11% nos cofres do governo brasileiro. Sabem, no entanto, que podem investir parte desse dinheiro (3%) na produção audiovisual brasileira. É a Ancine, Agência Nacional do Cinema, órgão de fomento, regulação e fiscalização da indústria cinematográfica e videofonográfica no País, ligado ao Ministério da Cultura, que controla a conta no Banco do Brasil para onde vai esse montante. E são as produtoras independentes brasileiras que podem utilizar a verba na produção de atrações televisivas.

O fundo, por exemplo, ajudará a Grifa Cinematográfica na produção de um documentário sobre os Doutores da Alegria para o canal pago People & Arts e numa série de quatro filmes sobre animais brasileiros em extinção para o National Geographic.”

 

MULHERES APAIXONADAS

“Mulheres apaixonadas por garotos”, copyright O Estado de S. Paulo, 29/06/03

“Aconteceu na Cidade do México, durante a entrevista coletiva das estrelas de As Panteras Detonando, no sábado, dia 21. Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu haviam desembarcado na capital mexicana na véspera, para promover, junto a jornalistas de toda a América Latina, o segundo filme da série baseada nas heroínas da TV, nos anos 70. Estavam lindas, maravilhosas e a entrevista rolava num clima ameno, até que um jornalista da Reuters mexicana fez a pergunta que bagunçou a festa.

Ele perguntou a Cameron o que ela achava do interesse que a imprensa tem pelos casos de estrelas que se relacionam com homens mais jovens. Citou Demi Moore, a vilã de As Panteras Detonando, que está tendo o que a mídia define como um tórrido romance com Ashton Kutcher, o garotão da comédia Recém-Casados e da série That 70?s Show. Na pré-estréia de As Panteras Detonando em Los Angeles, Demi compareceu esplendorosa com os filhos e com Kutcher, que se podia passar por um deles. A própria Cameron está tendo um affair com Jared Leto. Interpelada pelo jornalista, ela saiu do sério, no único momento em que revelou irritação, em toda a sua estada mexicana. Não só disse que não ia falar sobre o assunto e que ele não era de interesse da imprensa, como acusou o repórter, roxo de vergonha, de fazer sensacionalismo barato. E olhem que o cara colocou o assunto como forma de criticar a imprensa, não de moralizar em cima do comportamento dessas mulheres maravilhosas.

Cameron fez isso no México, talvez não fizesse com a mesma veemência se a pergunta tivesse sido feita na TV americana, por um Larry King ou um David Letterman, muito mais influentes e poderosos. No dia seguinte, o assunto repercutiu nos principais jornais da Cidade do México. Todo mundo queria opinar. O assunto poderia ter ficado circunscrito à platéia mexicana, se não pudesse ser transferido para o Brasil. Afinal, na atual novela das 8, Mulheres Apaixonadas, Manoel Carlos resolveu liberar a libido de suas balzaquianas, todas muito fogosas na relação com homens mais jovens. Natália do Valle está indo com muita sede ao po(s)te. O olhar dela para seu motorista é o mesmo de alcoólatra em tratamento, quando ocorre ver alguém empinando um copo. Suzana Vieira chegou a transformar o jardineiro garanhão em modelo. E Helena Ranaldi tem aquela relação ambígua com o rapaz interpretado por Pedro Furtado, filho do diretor Jorge Furtado, de Houve Uma Vez Dois Verões (no qual ele fazia justamente o protagonista) e, agora, O Homem Que Copiava.

É um dos pontos fortes da novela. Está provado que quando a personagem de Helena Ranaldi apanha de Dan Stulbach, a audiência dispara. É uma relação meio louca, essa do público com a personagem. Há espectadores que admitem, sinceramente, não entender Raquel e sua submissão ao marido violento. Como uma mulher daquelas pode apanhar calada? Ele bate talvez por causa da suspeita de adultério, embora não tenha ocorrido nada entre a mulher madura e o garoto. E se ela apanha calada por algum complexo de culpa, em relação à atração pelo jovem que talvez esteja reprimindo? São especulações que podem parecer despropositadas, mas no futebol também é assim. Vamos ouvir pelos próximos meses todas as interpretações possíveis para os gols que Robinho não marcou contra o Boca, no La Bombonera. O interessante é que a atração de mulheres maduras por garotões suscitam mais tititi do que a de homens maduros por garotinhas. Na própria Mulheres Apaixonadas, todo aquele período em que Tony Ramos baba pela garota de programa era aceito numa boa, sem provocar, nem de longe, tanto frissom.

Manoel Carlos, entre todos os autores de TV, é o mais preocupado em refletir nas suas tramas a vida como ela é. Uma Glória Perez faz folhetim rasgado, ele tenta ficar atado à realidade, o que não o impede de ironizar. Elizângela, em Por Amor, não podia olhar os músculos de Ricardo Macchi sem ficar nervosa e o público divertia-se porque Manoel Carlos tratava o assunto com humor (e, no fundo, ficava implícito, não sem certo moralismo, que a personagem era mesmo desavergonhada). O assunto mexe com o público. Christiane Torloni, a Helena de Mulheres Apaixonadas, contou, aqui mesmo no Estado, que tem um caso desses em sua família e que ele causa estranhamento, o que não impede sua tia de viver feliz, há muitos anos, com o garoto dela. O próprio Manoel Carlos, decidido a libertar as mulheres do jugo de sua particular escravidão – como fez a lendária Leila Diniz, com seu comportamento libertário, nos anos 1960 -, disse que a personagem de Suzana Vieira é um exemplo a ser seguido. Suzana também diz que as mulheres, na rua, lhe dão força, achando que, se ela pode, elas também poderão.”

 

ENTREVISTA / NAIR BELO

“?Não mudo meu tipo, faço paulistês?”, copyright O Estado de S. Paulo, 29/06/03

“Ela está sempre sorrindo e fazendo rir. Atualmente, Nair Bello está no ar na novela das 7, Kubanacan, como dona Dolores, e no humorístico Zorra Total, no remake do quadro Epitáfio e Santinha, ambos pela Globo. Aos 72 anos, nem pensa em se aposentar e diz não se importar com as críticas de que ela seja atriz de um papel só. ?Sou mesmo, e daí? Fico orgulhosa de os autores escrevem o personagem especialmente para mim.?

No ano passado, a atriz teve um grave problema de saúde, um edema pulmonar agudo, conseqüência dos mais de 60 anos de fumante. Depois de uma cirurgia, viu-se obrigada a parar de fumar. E conseguiu. Às vezes, no entanto, ainda sonha que está fumando.

Trabalha no Rio, mas, como legítima paulistana, não abre mão de morar em São Paulo. Entre uma ponte aérea e outra, ela recebeu a reportagem do Estado em seu apartamento em Higienópolis, onde mora há mais de 20 anos.

Estado – Você sempre tem papel certo nos elencos de Carlos Lombardi, autor de ?Kubanacan?. Como é a relação profissional entre vocês?

Nair – Acho o Lombardi um gênio. Todo mundo fala que tem panelinha do autor, mas não é assim. É que você se identifica. Trabalho com o Lombardi desde 1992, com Perigosas Peruas, depois fiz Vira-Lata, Uga-Uga e agora Kubanacan. Eu não mudo meu tipo, faço ?paulistês? e nunca autor nenhum me pediu para mudar isso. É uma maravilha quando o autor, como o Lombardi, escreve para você. Ele escreve o personagem pensando em mim.

Estado – Há quem diga mesmo que você é atriz de um papel só, mas que ninguém faz esse ?papel? melhor que você…

Nair – Eu concordo. Acho maravilhoso. Estou há 54 anos com o mesmo tipo e ainda estou trabalhando.

Estado – E de novo com a amiga Lolita Rodrigues. Quantas vezes vocês já atuaram juntas?

Nair – Fizemos também A Viagem e Uga-Uga. Estamos mais unidas. A gente vai e volta toda semana para o Rio. Somos amigas há 53 anos. O negócio para manter a amizade tanto tempo é não ir à casa da amiga. É como casa de nora: não tem de ir sem ser convidada.

Estado – Tem a Hebe também.

Nair – Tem, mas ultimamente é muito difícil eu vê-la. A gente se encontra em festa, se fala de vez em quando. Mas a Hebe tá muito fogueta. Faz o programa, vai pra Miami, vai pra Paris. Ela não pára. Mas, com 74 anos, faz ela muito bem.

Estado – É a primeira vez que você contracena com Adriana Esteves e Carolina Ferraz. Você esperava essa sintonia entre vocês?

Nair – Estou adorando. Nós temos uma química muito grande, desde o primeiro capítulo. Mas é aquela coisa: encontrar um autor que escreva comédia. Porque fazer rir é mais difícil, mas também é mais gratificante. Fazer chorar é muito fácil. Por exemplo, se eu contar minha vida para você, você chora.

Estado – ?Uga-Uga? foi vendida para outros países. Você chegou a assistir à novela nos Estados Unidos e se ver falando em espanhol?

Nair – Eu não vi. Mas a Vera Hotz viu e disse que a mulher que me dublou era muito engraçada. Tinha a voz grossa e rouca como a minha. Fiquei comovida quando encontrei uma brasileira que mora em Massachusetts que me disse o sucesso que Uga-Uga estava fazendo na colônia hispano-americana.

Estado – No quadro do ?Zorra Total?, você e o Rogério Cardoso parecem se divertir muito. Vocês conseguem seguir todo o script?

Nair – A gente é muito amigo. Ele é muito engraçado, inteligente e improvisa demais. O Rogério não segue o script, mas faço um esforço danado. Ele combina com o diretor para fazer coisas que não estou sabendo. Ele faz, dou risada e o diretor deixa passar. A gente fica à vontade e o público gosta.

Estado – No início da carreira, você foi reprovada em testes para radionovela e locução. Foi um ?empurrão? para o humor?

Nair – Na verdade, não fui reprovada. Fiz um teste, passei e me indicaram para fazer radionovela na Record. Mas, no primeiro episódio que fui gravar, eu ri. O contra-regra era muito engraçado, ele batia no peito com dois cocos para fazer o galope do cavalo. Era ao vivo, comecei a rir e me expulsaram do radioteatro. Fui fazer locução e também não me dei bem, daí fui para programas de humor.

Estado – Você algum dia pensou em ter outra profissão?

Nair – Desde os 8 anos de idade eu queria ser atriz. Botava um lençol, ia na frente do espelho e dançava o bolero de Ravel. Nunca pensei em fazer outra coisa.

Estado – Há alguma coisa que você ainda não tenha realizado por falta de oportunidade?

Nair – Não, estou muito contente. Faço novela, faço humor, é o que eu gosto. Uma vez o Flávio Rangel me convidou para fazer uma peça de teatro, em que interpretaria uma inglesa. Mas não aceitei porque achei que não tinha estrutura para fazer o papel, estou sempre fazendo sotaque italiano. O Babenco também me convidou para fazer O Beijo da Mulher Aranha, mas também não aceitei porque não sabia falar inglês e não saberia interpretar. Sou muito covarde nessas coisas. Quando não sei fazer eu recuso. Tenho medo de errar.

Estado – Você já fez teatro?

Nair – Uma vez só. Fiz Alegro Desbum, do Oduvaldo Vianna Filho. Ele escreveu a peça pra mim. Não esqueço a cena: meu marido tava na janela e eu falei pra ele que o Vianinha tinha feito uma peça pra mim. Daí ele perguntou: ?Tem palavrão?? E o Vianinha: ?Tem?. Daí, não fiz, quem fez foi a Berta Loran. Em 1975, quando perdi meu filho e o Vianinha já tinha morrido, o diretor Zé Renato me convidou pra fazer a mesma peça, e toda minha turma, inclusive meu marido, insistiu para eu fazer a peça. Na perda de um filho, o que ajuda bastante é o trabalho. Ficamos um ano e meio em cartaz.

Estado – Você mantém a proposta de não fazer cena de beijo na boca?

Nair – Meu marido nunca gostou que me agarrassem e me beijassem, e sempre respeitei isso. Ele morreu faz quatro anos, mas até hoje respeito. Uma vez fui mandada embora de um programa da TV Rio porque eu tinha que sentar no colo do Castrinho e o diretor falou que se eu não sentasse teria que sair do programa. Daí saí. Depois pedi desculpas ao Castrinho. O Rogério Cardoso brinca, quer me agarrar, fala que o diretor mandou, porque ele sabe que detesto.”

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