Terça-feira, 22 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

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Carta aberta aos alunos e professores da Univer$idade – UniverCidade

Por lgarcia em 27/06/2001 na edição 127

ENSINO MARROM, ANÚNCIO MARROM

Ronald Levinsohn é o proprietário do estabelecimento comercial que tem esta grife ? único centro de ensino superior em todo o mundo com erro de ortografia no nome.

Além deste feito é o protótipo do mandante ? aquele que paga para matar, roubar, corromper ou infamar.

Mandante é aquele que não tem coragem para assumir aquilo que gostaria de fazer. Paga para que outros o façam.

Mandante é aquele tem muito dinheiro ? em geral dinheiro sujo ? e pensa que isto lhe dá plenos poderes para realizar os sinistros sonhos.

Ronald Levinsohn, o dono do antigo conglomerado financeiro Delfin, foi o responsável pelo grande escândalo financeiro que a ditadura não conseguiu encobrir. Quem o ajudou a escapar não foram apenas os poderosos do momento e os grandes escritórios internacionais de advocacia. Foram jornalistas abancados em postos-chave da mídia carioca e paulista ? inclusive em jornais populares ? que receberam generosos financiamentos para a compra de imóveis e, em troca, ofereceram-lhe a mafiosa proteção. Além de enganar os leitores, enganaram os patrões que lhes pagavam polpudos salários para fazer bom jornalismo.

Com o dinheiro do erário, da poupança popular e em cima dos escombros do BNH ? que ajudou a destruir ? o feliz proprietário da Univer$idade comprou uma fabulosa cobertura no Central Park, em Nova York, e durante uma década engordou o corpanzil e as contas nos paraísos fiscais.

Assim treinado no tráfico de influência, quando voltou ao país Ronald Levinsohn ressuscitou a abjeta prática da matéria paga difamatória que tanto deslustrou nossa imprensa no passado. Com o dinheiro que empalmou, agora compra páginas inteiras dos jornais apertados por dificuldades com o intuito de achincalhar aqueles que desmascaram a Indústria do Diploma e da qual tanto necessita para o branqueamento da sua fortuna.

Como não sabe pensar nem sabe escrever, paga aos que pensam e escrevem para ele. Mesmo que o façam canhestramente. Um deles é o Goebbels brasileiro, filósofo da nova direita tupiniquim, ex-marxista radical, cujo sonho é trabalhar para Sílvio Berlusconi mas, por enquanto, resigna-se em escrever para dois veículos do Grupo Globo. Outro é um capitãozinho do Exército, braço direito do general Golbery do Couto e Silva, que com ele servia às multinacionais e usa indevidamente o título de "professor".

Juntos ou em separados executam cegamente tudo o que o Sr. Mandante mandar. Atacaram o ministro Paulo Renato, em sucessivas matérias de página inteira no Jornal do Brasil apenas porque o ministério da Educação finalmente dispõe-se a enfrentar a vergonhosa e poderosa Indústria do Diploma (não confundir com o ensino superior privado onde existem instituições respeitáveis como as PUC).

Em seguida, capo & capangas voltaram suas metralhadoras contra o professor José Artur Giannotti, um dos intelectuais brasileiros mais respeitados, simplesmente porque este ousou denunciar o vergonhoso tráfico de influência que campeia no Conselho Nacional de Educação beneficiando o lobby das arapucas universitárias.

Agora, acovardados e solertes, mandantes e mandados, com medo de citar nomes porque sabem que levarão o troco, investem contra este Observador no mesmo Jornal do Brasil [domingo, 24/6/01, pág. 5, "O ataque do capadócio"; veja texto clicando abaixo em Próximo Texto].

Orgulhoso de estar companhia de vítimas tão ilustres assumo-me como o alvo da nova e raivosa patranha. Não nasci na Capadócia, ilustres beócios, mas está claro que a peça nojenta dirigia-se a um jornalista "israelita". Na concatenação das perfídias posteriores evidencia-se que pretendiam atingir-me.

Sou judeu assumido (secular e agnóstico, graças a Deus!). Ronald Levinsohn é um judeu renegado. Igual àqueles cristãos novos que para limpar o sangue delatavam a própria sombra e suspiravam de prazer diante das fogueiras dos Autos da Fé.

Não fui enxotado por meu patrão. Orgulho-me de ter sido demitido por inúmeros donos de empresas jornalísticas, antes e depois da ditadura, porque não me curvo aos seus ditados e jogadas. Do meu currículo não constam submissões, por isso tantas as demissões.

Ao comprarem uma página inteira de um jornal fragilizado, os donos da Univer$idade imaginam-se donos da verdade. Os velhos enganadores estão enganados. Se pretendem referir-se à minha saída do Jornal do Brasil, conviria compulsar o que tem afirmado publicamente o presidente do seu Conselho Editorial, M.F. do Nascimento Brito, a respeito dos quase 12 anos em que lá trabalhei. Seu mais recente depoimento a meu respeito foi divulgado pela TV. Conviria compulsar também o que O Globo publicou em seguida à minha demissão [edição de 8/12/73] e reproduzido no livro O Papel do Jornal.

Levinsohn & Cia. acusam-me de "perseguir" aqueles que no JB me substituíram. Idiotice tamanha só pode partir do parvo ilustrado, o Goebbels redivivo. Fui a vítima, eles eram e eles são o poder. No dia em que as vítimas tiverem meios de perseguir seus algozes, homens como Levisohn e seus asseclas não estarão encobrindo suas patranhas com o dinheiro roubado aos cofres públicos.

A aleivosia de me associar à Escola Base é completamente estapafúrdia e mostra o grau de perversões e atentados à ética cometidos pelo mandão do curso de jornalismo da Univer$idade. Vivia no exterior à época e mesmo assim sempre me manifestei contra aquele e tantos outros linchamentos jornalísticos que os parceiros de Levinsohn e beneficiários de generosos financiamentos imobiliários comandam dos bastidores.

É velhaca a tentativa de colocar-me como alvo das justas reclamações do jornalista Luís Nassif contra os excessos da mídia. Seus textos são freqüentemente republicados neste Observatório, ele próprio tem sido entrevistado em nossas edições (TV e online), somos parceiros da mesma cruzada, companheiros das mesmas devoções embora em veículos diferentes.

Viciosa e vil é afirmação de que injuriei alguém da Estácio de Sá. O meu primeiro texto, como se pode comprovar, referia-se à Universidade, nenhuma alusão nominal aos responsáveis pelo curso de jornalismo. Injuriado fui eu ? e o vernáculo ? numa peça primária, mal escrita e mal ajambrada que não honra o deão de um curso de jornalismo com 3.500 inscritos (mais do que o alunato de jornalismo de muitos países do primeiro mundo).

Ao defender de forma tão estúpida uma empresa concorrente, a Univer$idade escancara e comprova aquilo que sempre denunciamos: o lobby no ensino superior privado que reúne as universidades e faculdades do tipo caça-níqueis. Instituições como a mencionada PUC não fazem propaganda enganosa, não participam de parcerias espúrias, não se orgulham da quantidade de inscritos. Quem ostenta 21 turmas só no primeiro ano de jornalismo assina diploma de vendedor de diplomas.

O telejornalista Peter Arnett ? pivô desta história ? é, segundo seus mais dedicados defensores, um "cascateiro". Cascata, para quem não sabe, é a matéria, foto, seqüência ou declaração armada ou manipulada.

Peter Arnett mentiu ao mundo quando disse que estava sozinho em Bagdá. Não estava. Ele é que tentou por todos os meios, inclusive desleais, esconder outro profissional que lá se encontrava cobrindo o mesmo fato.

Peter Arnett mentiu e levou a CNN a mentir numa recente série de reportagens pretensamente investigativas sobre o Vietnã. Foi afastado, a rede teve que pedir desculpas formais. Isto foi noticiado em todo o mundo.

Peter Arnett não pode afirmar, só por ver o equipamento de TV de uma escola de jornalismo no Brasil, que esta é melhor do que as americanas. Em primeiro lugar porque Arnett não é o que se pode chamar de conhecedor do circuito acadêmico dos EUA. Em segundo lugar, porque equipamento não é documento. Não é prova de qualidade de ensino nem aqui nem na Nova Zelândia, onde nasceu. Para atestar a qualidade do equipamento de todas as turmas freqüentadas por todos os 3.500 alunos da Estácio de Sá Arnett teria que passar algumas semanas no Rio. O que não aconteceu, evidentemente.

Peter Arnett não poderia permitir que sua opinião fosse usada num anúncio. Jornalista ? cascateiro ou responsável ? não pode permitir que suas opiniões sejam usadas em matéria comercial. Se permitiu, além de cascateiro é biscateiro. Se não foi consultado, o responsável pela propaganda enganosa é picareta.

Comparar o infeliz Peter Arnett com Toynbee entende-se, faz parte do compromisso reacionário e fascistóide dos herdeiros e beneficiários da Delfin. Mas ao igualá-lo a Heródoto, o Pai da História, protagonizam outro escândalo: insultam a inteligência dos professores, achincalham a boa-fé dos alunos, gozam seus pais que pagam as mensalidades e provam com todas as letras que estão vendendo gato por lebre.

Com a palavra o Procon. Ou Ministério Público.

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