Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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PRIMEIRAS EDIçõES > COMUNICAÇÃO-CIDADÃ

Carta ao presidente do Conselho

Por lgarcia em 16/10/2002 na edição 194

COMUNICAÇÃO-CIDADÃ

Brasília, 10 de outubro de 2002

Ilmo. Sr. Paulo Cavalcanti Filho

M.D. Presidente do Conselho de Comunicação Social

Senhor Presidente


Nesta oportunidade queremos parabenizar o Conselho de Comunicação Social por ter colocado em sua pauta o tema da radiodifusão comunitária. Para nós, que representamos milhares de pessoas físicas e dezenas de entidades que atuam na área, tal fato é significativo de mudanças que desejamos para o bem do país e não apenas para o setor.

Como a RBC, existem outras instituições que defendem a radiodifusão comunitária, e saúdam a discussão neste Conselho como necessária e urgente.

A rádios e TVs comunitárias sofrem uma série de empecilhos no exercício de suas atividades. Temos como problemas: a legislação, feita para inviabilizar a atividade das rádios comunitárias; a repressão violenta e abusiva da Polícia Federal (com o apoio da Anatel) a cidadão e cidadãs; falta de matéria que garanta o acesso a recursos; falta de transparência no Ministério das Comunicações; burocracia exagerada, campanhas contra as emissoras por parte da mídia convencional, etc.

Enfim, há uma série de dificuldades que só conhece quem milita na área. Radiodifusão comunitária é algo novo, mas extremamente importante para a sociedade brasileira. Ela está entregue, a princípio, a associações de poucos recursos que, com alma, sangue (as vezes literalmente, quando recebem a "visita" da PF) e muita disposição, fazem a comunicação sem interesses financeiros.

Exatamente por este motivo, nos colocamos a disposição deste Conselho para que aí, através de um nosso representante, possamos expressar nossas angústias e nossas certezas, nossas lutas e nossas vitórias, e, desse modo, os senhores e as senhores possam balizar suas decisões.

Pela nossa história, e pela história do movimento, construído por esta e outras entidades, e por pessoas que investiram sua vida nessa causa que visa a mudança da sociedade brasileira para uma vida melhor, expressamos nossa absoluta convicção de que sem este debate frente a frente, nenhum relatório mostrará a verdade que está nas ruas.

A verdade é a voz das rádios comunitárias, são as imagens da TV comunitária. E só ouvindo e vendo a gente que faz radiodifusão comunitária, vis-a-vis, é possível conhecer o que é o movimento de fato. Papéis não bastam. Papéis expressam a realidade mas não se constituem na realidade. Se não podemos levar uma rádio comunitária ao Congresso Nacional, então que escutem a voz de quem faz rádio, e sabe, na pele e no coração, o que ela é. Gostaríamos de contar isso para aqueles que, naturalmente, não têm o contato diário com o veículo que está fazendo uma revolução no país.

Portanto, por todos esses motivos, nos colocamos à disposição deste Conselho para realização de um encontro aonde debateríamos a realidade das rádios e TVs comunitárias.

Atenciosamente, Sebastião Santos, Coordenador da RBC

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