Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > REDE NACIONAL DE OBSERVATÓRIOS

Chamamento às escolas de jornalismo: criemos juntos a Rede Nacional de Observatórios da Imprensa

Por lgarcia em 05/07/1998 na edição 48


Victor Gentilli

 

O

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA convida as escolas e cursos de jornalismo no Brasil para, em parceria, estruturarmos a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa, RENOI.

A Rede Nacional de Observatórios de Imprensa será constituída pelo conjunto de escolas nas diversas regiões do Brasil que se dispuserem a praticar a crítica local da mídia, como atividade didático-pedagógica regular e permanente, sob a coordenação do Observatório da Imprensa.

O objetivo fundamental da Rede é tentar montar um painel do jornalismo brasileiro, com ênfase para o jornalismo local de cada região. Estimulados e pautados pelo Observatório da Imprensa, e acompanhados por um professor, estudantes de jornalismo farão avaliações, estudos, trabalhos, diagnósticos e pesquisas dos jornais, revistas, telejornais e radiojornais. Estarão, deste modo, consolidando e ampliando as experiências brasileiras de crítica de mídia e abrindo, nas escolas de jornalismo, um espaço privilegiado para a sua prática.

Os jovens brasileiros que desejam ser jornalistas na sua vida profissional passam a contar, a partir do início das atividades da RENOI, com a oportunidade de não apenas conhecer mas pensar, refletir, sugerir alternativas concretas ao jornalismo efetivamente praticado na sua região.

Necessário ressaltar duas premissas que orientam o trabalho do Observatório da Imprensa e que serão a matriz dos estudos, das reflexões e da prática dos Observatórios regionais:

  1. O jornalista é um mediador entre os segmentos sociais com a função de produzir a informação pública necessária ao exercício da cidadania.
  2. Os jornais são instituições da sociedade civil. A despeito de sua propriedade, constituem-se numa empresa prestadora de um serviço público essencial: a informação pública necessária ao exercício da cidadania.

Nos Objetivos do Observatório da Imprensa, destacamos:

"Será este serviço público (e não as empresas ou os profissionais que executam as suas diretrizes) a matéria-prima das avaliações e diagnósticos. O Observatório da Imprensa não pretende competir, substituir ou alinhar-se às tradicionais entidades associativas,como a ABI, a FENAJ, a ABERT, a ANJ e a ANER."

A criação da RENOI, as parcerias entre o Observatório da Imprensa e as Escolas de Jornalismo significa, explicitamente, mais um passo na realização destes Objetivos.

A iniciativa agora proposta tem o inegável mérito de romper com os impasses que até hoje vinham se cristalizando na relação entre a Universidade e o mercado de trabalho. Todas as iniciativas anteriores ou ignoravam o mercado (quando muito tratando-o pejorativamente), ou reproduziam-no acriticamente e de forma caudatária.

A experiência de levar o olhar crítico de alunos e professores para o jornalismo efetivamente praticado em cada região traz uma dupla vantagem:

  1. não desvia o olhar do mercado;
  2. não abandona a indispensável função crítica da universidade – sem a qual os cursos se transformam em meros escolões de terceiro grau.

A criação da RENOI, no mesmo ano de 1998 em que os cursos de jornalismo passaram a ser avaliados pelo Exame Nacional de Cursos do MEC, inicia uma verdadeira nova etapa no ensino de jornalismo no Brasil.

Ao estimular a produção de crítica de mídia nas escolas, o Observatório da Imprensa avança em seus objetivos de permitir à sociedade civil um "controle do Quarto Poder". Escolas., professores e estudantes de jornalismo cumprirão, assim, uma ativa função cívica perante a sociedade civil.

Há riscos na iniciativa. O Observatório da Imprensa consagra um modelo de crítica de mídia a partir da sociedade. Tal fato decorre da circunstância bem brasileira onde a instituição do ombudsman até hoje é incipiente, demonstrando o descaso da instituição jornalística com a crítica de sua própria atividade. Jornais e jornalistas são conscientes de que não podem e não devem entrincheirar-se na arrogância e na prepotência de quem tem a última palavra. É preciso por sistematicamente em prática esta consciência.

É nesta perspectiva que deve ser compreendida o chamamento às escolas de comunicação.

Os jornais e os jornalistas estarão agora submetidos ao olhar crítico dos estudantes de jornalismo. Poderão aprender muito. Poderão ignorar e tratar como "coisa de estudante".

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem