Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Cidadania castigada

Por Mauro Malin em 05/07/1997 na edição 25

Que o rádio seria espetacularmente melhor se atenuasse o opinionismo desbragado, em prol da reportagem jornalística, já o sabemos de sobejo.

Que a maioria dos âncoras e “comunicadores” do rádio se encarniça contra o rodízio de automóveis de São Paulo (refletindo maquinalmente uma parte de seu público automobilista), em nome seja da “liberdade de ir e vir”, seja do direito-de-usar-o-carro-já-que-paguei-o-IPVA, seja da duvidosa eficácia contra a poluição atmosférica (que o governo estadual, com a estreiteza mental de todos os governos, continua arvorando como bandeira, quando a questão principal é, de longe, a do trânsito, ou melhor, da necessidade de dotar a cidade de meios adequados de transporte de massa e coletivos), ou que atacam o rodízio em nome do puro e simples conservadorismo, também já o sabemos de sobejo. O rádio, aqui, segue impávido na contramão de uma grande oportunidade de se rediscutir o funcionamento cruel da metrópole.

Até aí, questão de opinião, ou de opinionismo. Ter opinião, direito inquestionável. Por sinal, os quatro leitores que nos escreveram dando opinião (e não, como pedimos, comentando a cobertura jornalística do rodízio) manifestaram-se todos contra o rodízio.

Mas no dia 26/06/97, por volta das nove da manhã, Miguel Dias, da CBN, descobre durante uma entrevista que os “marronzinhos” da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego da Prefeitura paulistana) não multam transgressores do rodízio, porque só funcionários do estado podem fazê-lo. “Ah, não multam? Puxa, se eu soubesse disso não teria esperado até as oito da noite para sair com meu carro, ontem.”

Alberto Sales, irmão de Campos Sales, que viria a ser presidente da República, desencantou-se cedo com o regime que substituiu a monarquia. Dizia que os brasileiros eram muito sociáveis mas pouco solidários, capazes de conviver em pequenos grupos mas incapazes de organizar-se em sociedade. Já vamos para 108 anos de República e a coisa continua difícil.

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