Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES >   MAINARDI SEM BRILHO

Cidade Biz

Por lgarcia em 14/10/2003 na edição 246

SPORTV 2

“TV Globo e Globosat lançam Sportv2 até o fim do ano”, copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 10/10/03

“A Globosat, programadora de TV por assinatura das Organizações Globo, e a divisão de esportes da TV Globo, vão lançar até o final deste ano um segundo canal pago especializado em esportes, a exemplo do Sportv. O novo canal, por sinal, se chamará Sportv 2.

A decisão de lançar o canal foi tomada esta semana em reunião realizada no Rio entre o diretor geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, e o diretor de esportes da TV Globo, Luiz Fernando Lima. Entre outras deliberações, ficou decidido que o executivo Pedro Garcia acumulará as funções de diretor de negócios dos dois canais.

O Sportv 2 exibirá, num primeiro momento, a programação do Sportv com um intervalo de seis horas. Este sistema de exibição é conhecido na indústria de TV por assinatura (e também na indústria cinematográfica) como sistema ?multiplex?.

?Dois objetivos principais nortearam o lançamento do Sportv 2?, diz Alberto Pecegueiro, diretor geral da Globosat. ?Primeiro, porque havia muitos pedidos de assinantes para terem acesso à programação do Sportv em horários alternativos e, segundo, para abrir mais espaço na grade para eventos simultâneos, como jogos importantes ou disputas olímpicas realizadas em um mesma data e horário.?

Até dezembro, a TV Globo, a Globosat e a NET, antiga Globo Cabo, divulgarão os detalhes finais do conteúdo da nova grade e características gerais, bem como situações de comercialização por parte das operadoras e empacotamento do canal.”

 

TV GLOBO

“Murdoch prepara dividida com a Globo”, copyright Aol Notícias (www.comuniquese.com.br), 13/10/03

“A Globo, que hoje está para as suas concorrentes em matéria de futebol como o Cruzeiro está para os outros times no Brasileirão 2003, já começa a temer uma dividida daquelas, prevista para o ano que vem. É que, como um daqueles zagueirões decididos da roça, o multimilionário (em dólares) rei da mídia Rupert Murdoch pensa em ir com os dois pés acima da linha da bola para tomar esta galinha dos ovos de ouro das mãos da Estrela da Morte.

A chance para australiano-britânico-americano dar uma ripada nos seus ex-sócios Marinho aparecerá depois do Brasileiro do ano que vem. Este será o último sob o contrato de cinco anos assinado entre o a CBF, o Clube dos 13 e a Globo, que dá à última a exclusividade para as transmissões do principal campeonato de clubes do país (ou negociar a transmissão como fez com a Record). Ou seja, no ano que vem iniciam-se as tratativas para a assinatura do acordo que começará a valer em 2005. E dificilmente poderia haver um momento pior para a empresa brasileira ir a qualquer mesa de negociações.

Não é segredo para ninguém que a Estrela da Morte – como todas as outras empresas de mídia do país – está passando por um momento difícil. Elas estão até recorrendo ao ?hospital? do BNDES – sempre tão criticado quando socorria empresas de outros setores. No caso específico da Globo e da editoria de esporte, a pindaíba chegou a tal ponto que estão sendo aceitos convites para viagens oferecidas por confederações para a cobertura de campeonatos fora do país, o que era soberbamente recusado há não muito tempo. E sem falar na consagração dos ?geladões? antes considerados coisa de tevê pobre e hoje elevados à categoria de padrão de transmissão pela antiga Vênus Platinada (a Suderj informa: ?geladão? é quando os locutores e comentaristas ficam no estúdio, longe dos estádios, que só recebem, quando muito, a presença de repórteres de campo).

Assim, a Globo está sem muita bala na agulha para negociar com os clubes e com a CBF. Não haveria problemas se ela fosse a única opção, mas é aqui que adentra o gramado o globalizado Rupert Murdoch. Este senhor é responsável direto pela vertiginosa ascensão financeira do futebol inglês, hoje entre os mais ricos do mundo (se não for o mais rico). Foi graças ao dinheiro de Mr. Murdoch, injetado através da emissora de tevê paga BSkyB, que os clubes da Loura Albion puderam sair dos seus históricos prejuízos, investir em estádios modernos e seguros (isso também graças a uma pressão do governo depois da Tragédia de Sheffield, em 89) e jogadores, e trazer os torcedores de volta aos campos.

Ao que tudo indica, o velho (tem uns oitentinha) homem de mídia quer repetir sua fórmula aqui no Bananão. Já tem até ensaio por meio da Fox Sports, que anda se engraçando e transmitindo jogos de torneios continentais como a Libertadores da América e a Sul-Americana, cujos direitos são negociados pela Conmenbol, a federação sul-americana.

A idéia faz todo o sentido. O futebol brasileiro é amado na Europa, em especial na Inglaterra, mas nunca teve penetração lá em nível de clubes devido à proverbial bagunça que reina em todos os assuntos aqui em Bruzundanga. Para os gringos, futebol é divertimento e divertimento é coisa séria, algo em que é obrigatório haver um calendário racional, com horários e datas a serem cumpridos religiosamente, de longo prazo e que preveja campeonatos igualmente extensos. Melhor para ?seu? Murdoch um campeonato longo, no qual seus patrocinadores tenham a garantia de que suas marcas serão vistas meses a fio, do que um menor, embora mais emocionante, com mata-matas.

Um Brasileirão nesses moldes, que se encaixasse na programação européia, valeria muito para o velho lobo da mídia e sua Fox. Claro que teria que haver menos tapetão; talvez menos violência dentro de campo, e, provavelmente, partidas começando mais cedo, mas tudo isso é coisa que pode ser acertada diante das grandes perspectivas de lucros para CBF, clubes e Murdoch. Neste contexto, a única a sair perdendo seria a Globo. Obviamente, ela não iria ficar olhando o gringo levar-lhe o seu futebolzinho querido sem uma reação. Ela tem vindo, mas como – e qual o papel dos coleguinhas nisso – é papo para a semana que vem.”

“O fim de uma era”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 10/10/03

“Primeiro vieram os boatos sobre demissões em Londres. Mais uma vez, o ?passaralho? estava solto e voava baixo. Em seguida, a TV Globo enviou nota à imprensa sobre as ?mudanças?, transferências ou ?realocação? de correspondentes internacionais. Também fala-se em um ?novo modelo? de cobertura internacional, mas a verdade é que se tratava do fim de uma era.

Após anos de muita ?gastança? em escritórios suntuosos com correspondentes desfrutando vidas de ?diplomatas?, parece que a crise finalmente bateu à porta da cobertura internacional da emissora. Há muito tempo a ameaça estava no ar e já se aguardavam medidas drásticas em relação à cobertura internacional da Globo. A enorme e luxuosa redação da emissora em Londres já vivia ?às moscas?, lembrança de outros tempos de grandes planos e muitos dólares. Os gastos aumentavam e a produção diminuía. O dinheiro não sobrava para viagens e todos os correspondentes tinham que se contentar em cobrir o mundo do estacionamento da APTN ou de qualquer esquina de Londres ou NY.

A gota d?água pode ter sido a guerra no Iraque. Enviar coordenador de cobertura internacional, chefe de bureau em Londres, para a cidade do Kuwait e transmitir as ultimas notícias das agências via videofone não fazia mesmo o menor sentido. O pior é que outro veiculo brasileiro, a Folha de SP, conseguiria enviar seus correspondentes, Sérgio D?Ávila e Juca Varella para o ?olho do furacão?. Em contrapartida, assistíamos ao Marcos Uchôa todos os dias, ao vivo com aquelas imagens precárias do seu ?videofone? (sic), imóvel com um indisfarçável ar de frustração e tédio anunciar os últimos acontecimentos diretamente do balcão de hotel 5 estrelas. Muito dinheiro para pouco esforço e ainda menos cobertura jornalística. Enquanto isso centenas de jornalistas do mundo inteiro utilizavam suas novas tecnologias como o ?videofone? para mostrar uma guerra de verdade com imagens extraordinárias. É bem verdade que muitos jornalistas morreram. Em nenhum outro conflito até hoje, tantos colegas morreram em tão pouco tempo. Em cenário competitivo com muitas alternativas, todos buscavam imagens ainda mais exclusivas e sensacionais. Apesar das limitações impostas pela censura militar americana, nenhuma outra guerra foi tão ?imagética?, permissiva e televisiva como a guerra do Iraque. As informações eram certamente filtradas, contraditórias e confusas. Mas poder assistir, pela primeira vez, às imagens de tropas em movimento captadas por pequenas câmeras digitais da CNN e transmitidas ao vivo via Internet foi uma experiência inesquecível. Mas também tornou muito difícil a vida dos demais correspondentes internacionais. Muitos ainda preferem ou aceitam fazer suas coberturas diretamente do conforto e segurança dos estacionamentos mais próximos dos pontos de geração, seja em Londres ou seja no Kuwait. O público que não é bobo e pode, muda de canal ou desliga a TV. Depois é só culpar o público e a cobertura internacional pelo desinteresse e queda de audiência para justificar mais cortes de verbas ou demissões.

Em tempos de vacas magras, a cobertura internacional não tem que ser cara, mas certamente deve ser audaciosa e criativa. Pesquisas recentes nos EUA e na Inglaterra comprovam que o público se interessa pela cobertura internacional, mas não aprova ou aceita facilmente a ?frieza? e distanciamento impessoal das coberturas homogêneas das agências de notícias. A presença do repórter em Bagdá ou em países distantes e desconhecidos como Camboja personaliza a cobertura. Garante qualidade e audiência, mas somente quando as matérias são bem produzidas e fazem conexões com as peculiaridades da cultura nacional.

Cobertura internacional exige estratégias a longo prazo que educam e formam um publico exigente. Mas, por outro lado, muito editores acreditam que podem mostrar o mundo nos telejornais com algumas ?lapadas?- aquelas imagens rápidas, sem pé nem cabeça que tanto mostram enchentes em Bangladesh como mostram desfiles de modas em Milão. Isso é no mínimo ingênuo e irresponsável, mas explica o desinteresse do público.

Sempre acreditei na cobertura internacional, mas, de preferência, produzido por gente jovem e qualificada. Nada contra os veteranos. Muito pelo contrário. Mas transformar a função de correspondente internacional da Globo em prêmio, homenagem merecida ou maneira de ?esfriar? jornalistas famosos em situações de perigo no Brasil, nunca me pareceu a solução. Afinal, bem sabemos que você pode ser um excelente jornalista especializado em esportes e coberturas policiais e não entender nada de jornalismo internacional. Assim como nem todo bom repórter se transforma da noite para o dia em bom editor, nem todo bom repórter no Brasil vai ser bom correspondente no exterior. Tem que ter uma vocação especifica dentro da própria vocação do jornalismo.

Em outros tempos pioneiros, pude participar de um outro momento histórico no jornalismo da Globo. Nos anos 70, com uma censura feroz nas redações brasileiras, a direção da Globo na época resolveu investir na cobertura internacional. Nomes como Sandra Passarinho, a primeira correspondente brasileira de TV, passariam a ser referência de qualidade em jornalismo para milhões de brasileiros. Sandra foi transferida da editoria do Jornal Internacional com Heron Domingues para o escritório de Londres aos vinte e poucos anos. Era uma jornalista competente, mas não era uma das estrelas globais. Falava diversas línguas e conhecia profundamente o noticiário internacional. Bem sabemos que muitos jornalistas brasileiros são transferidos para Londres, não entendem nada de jornalismo internacional e sequer falam inglês.

Repito, ser correspondente internacional não deveria ser prêmio ou oportunidade para passar alguns anos no exterior desfrutando de um ?televidão?. Ser correspondente internacional deveria significar uma vontade muito grande de viajar pelo mundo a qualquer custo e sempre em busca de boas pautas com pouquíssimo dinheiro no bolso, muitas idéias ou pautas na cabeça e muita coragem para enfrentar as dificuldades.

Correspondente internacional contratado a peso de ouro pelas grandes redes de TV parece ser cada dia mais uma espécie em extinção. Hoje, muitos jornalistas que cobrem os grandes eventos internacionais estão baseados em suas próprias sedes, mas também estão sempre prontos para serem deslocados para qualquer parte do mundo a qualquer instante. Manter ?embaixadas? ou escritórios suntuosos no exterior é coisa do passado. Hoje, a cobertura internacional economiza trocados e correspondente tanto pode ser contratado como pode ser um ?free-lancer? em busca de uma oportunidade profissional no exterior. É um trabalho árduo, muito competitivo e perigoso que envolve enfrentar situações extremamente hostis para cobrir eventos de qualquer maneira, vencer barreiras cada vez maiores e convencer editores indiferentes a ?comprar? as suas historias todos os dias. Não é fácil, mas certamente é possível. Pode abrir portas para muitos jovens jornalistas que querem viajar, falam diversas línguas e estão dispostos a enfrentar muitas dificuldades. A cobertura internacional em TV ainda custa caro, mas rende uma boa audiência para quem sabe fazer.

Mas o maior problema do jornalismo da Globo é não ter uma competição de verdade. Tanto faz mudanças de modelo que implicam reduzir, realocar ou demitir correspondentes. É tudo pura questão de semântica para explicar ou justificar a necessidade de redução de custos. Mas, infelizmente, as demais emissoras não oferecem uma alternativa à cobertura internacional. As poucas tentativas não foram bem sucedidas, tiveram vida curta e jamais chegaram a incomodar. Quem sabe, chegou a hora dos competidores acreditarem na cobertura internacional e, quem sabe, atingirem o ?calcanhar de Aquiles? do Império.”

 

MAINARDI SEM BRILHO

“Diogo Mainardi é uma garapa”, copyright Aol Notícias (www.aol.com.br), 7/10/03

“Foi decepcionante a estréia do colunista da Veja no Manhattan Connection, do GNT. Iconoclasta e provocador na revista, na TV ele só provoca sono

Diogo Mainardi, divertidamente antipático na Veja, míngua na televisão. Sua estréia no Manhattan Connection foi decepcionante. O escritor, um iconoclasta blasé, cresce no texto mas vira um nada em frente às câmeras. O que se viu no último programa, exibido domingo, foi um sujeito enfadonho, sem apetite para o debate. Diogo não ostentou sua inteligência, talvez por lhe faltar competência para fazê-lo na TV, talvez por puro esnobismo. O programa perdeu muito com a saída de Arnaldo Jabor.

O papel que Paulo Francis cumpriu no Manhattan, o do gênio surpreendente e arrogante com a última palavra sobre qualquer assunto, naturalmente não cabe a ninguém. Não há, e provavelmente jamais haverá, outro Francis. Mas Jabor, que o substituiu, ao menos introduzia vigor às discussões, com posições firmes e comentários afiados sobre política, economia, artes.

Diogo, no entanto, é uma garapa. Quebra o clima de discussão ao estilo mesa de bar e só fala quando convocado. Mesmo quando se pôs na roda um tema que, presumivelmente, faz parte do seu repertório, ele teve atuação pífia. Lucas Mendes quis saber a opinião do novo colega sobre o Nobel 2003 de Literatura, o sul-africano John Maxwell Coetzee. Forjando uma piadinha auto-depreciativa – cacoete manjado de egocêntricos em geral -, Diogo disse que leu, sim, Coetzee, a pedido da editora Companhia das Letras, e que ?por não entender nada do mercado? contra-indicou sua publicação. Disse também que o autor é ?óbvio?. Caio Blinder contestou. Afirmou que Coetzee não é ?nada óbvio?. Pois, enquanto Blinder argumentava, Diogo balançava a cabeça, como se concordasse. Ora, meu caro, qual é sua posição, afinal? Falta-lhe ânimo para uma boa discussão? Justo você, que almejava tornar-se um clonezinho do Francis?

Na Veja Diogo provoca ira ou contentamento. No Manhattan Connection ele só provoca sono.”

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