Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > GETÚLIO VARGAS

Cinqüentenário da morte começa anódino

Por lgarcia em 26/08/2003 na edição 239

GETÚLIO VARGAS

Victor Gentilli

Estado, Folha, O Globo simplesmente silenciaram. Os três maiores jornais do Brasil ignoraram que há 49 anos, na manhã do dia 24 de agosto, um tiro no peito poria fim a uma crise e iniciaria um novo ciclo histórico brasileiro.

Dos grandes, apenas o Jornal do Brasil lembrou-se de Getúlio Vargas e dedicou-lhe um bom naco da primeira página e o caderno Domingo. Lembrança pífia de uma imprensa que não consegue atenção até mesmo na história.

Nas revistas semanais, nada.

O jubileu, a rigor, será daqui a um ano, em 24 de agosto de 2004. É claro que jornais e revistas vão se refestelar de lembranças, avaliações e matérias sobre os 50 anos do suicídio de Getúlio Vargas. Mas este silêncio no início do ano do jubileu da morte não seria resultado de certa desatenção ou desinteresse?

Efemérides não são simples lembranças do passado. Ajudam a sistematizar revisões, reatualizações e reinterpretações da história. Mas, como a imprensa é pautada como nunca, este 24 de agosto passa em silêncio, com a isolada exceção do JB.

Nada mais revisto e reinterpretado como o getulismo e a chamada "Era Vargas". Jornalistas como José Augusto Ribeiro escreveram livros sobre o varguismo, brasilianistas como Robert Levine também se dedicaram a estudar o fenômeno e a questionar dogmas; historiadores, sociólogos e cientistas políticos nunca deixam de lado suas teses e avaliações sobre o homem que governou o Brasil por mais tempo e mais influenciou o país no século 20.

Aliás, Fernando Henrique e Lula iniciaram seus governos anunciando uma nova etapa histórica, superada a Era Vargas. Motes não faltariam neste 24 de agosto.

Claro, podemos ver as coisas de forma otimista e lembrar que este ano a imprensa exorcizou seus fantasmas supersticiosos e ignorou as bobagens sempre repetidas, em especial pelos colunistas, sobre o mês de agosto e suas influências.

A renúncia de Jânio, em 25 de agosto de 1961, claro, transformou o fim do mês em período sempre ameaçado por assombrações. Carlos Castello Branco, com seu livro póstumo A renúncia de Jânio, lançado pela Revan em 1996, esclareceu algumas dúvidas, inclusive sobre o papel de Carlos Lacerda e seu encontro com o presidente nas vésperas do desfecho inesperado.

Edições de domingo e revistas semanais já foram mais saborosos. Não esperava tão pouco.

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