Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

PRIMEIRAS EDIçõES > MULHER NA MÍDIA

Clube do Bolinha

Por lgarcia em 12/12/2001 na edição 151

MULHER NA MÍDIA

Um estudo do White House Project, grupo que promove mulheres em posições de liderança, revela que apenas 10,7% dos convidados aos programas dominicais de TV são do sexo feminino. De machistas, as grandes redes não podem ser culpadas neste caso, já que quatro dos cinco programas analisados são produzidos por mulheres.

Carin Pratt, produtora executiva do Face the Nation, explica que isto se deve ao fato de os cargos mais importantes serem ocupados por homens. "Não é algo que controlemos", justifica. "Meu trabalho é colocar pessoas de alto nível no ar. Pensar que isto é preconceito contra a mulher é absolutamente falso."

Até números tão pequenos diminuíram após os atentados: nas sete semanas seguintes, as convidadas representaram 6,8% dos participantes. A pesquisa também mostra que elas retornam com menos freqüência do que os homens. Por exemplo, de janeiro de 2000 a junho deste ano, 21 senadores voltaram a participar dos programas This Week e Meet the Press. No mesmo período, nenhuma senadora apareceu novamente.

Considerando os cargos não-governamentais, as mulheres representam 19% dos profissionais privados e 12% dos comentaristas de mídia. Cokie Roberts, apresentadora do This Week, afirmou que, quando chamam experts para o programa, pergunta aos produtores se existe entre eles alguma mulher ou outra minoria. "Na maioria das vezes, há."

E elas provavelmente têm que falar rápido, observa Howard Kurtz [Washington Post, 5/12/01], brincando com estatísticas que revelam que as mulheres falam 16% menos palavras do que os homens no ar.

 

Um artigo da Vanity Fair de dezembro irritou funcionárias do Congresso americano, já cansadas do estereótipo de Monica Lewinsky. A matéria assinada por Vicky Ward se anunciava como um "olhar sobre a ligação entre luxúria e poder", e relata a vida noturna de três jovens ? entre elas uma estagiária – com transcrições de conversas no bar após o trabalho e flertes com assistentes de congressistas.

Conta Allison North Jones [The New York Times, 3/12/01] que mais de 30 mulheres de 20 gabinetes, tanto republicanas quanto democratas, escreveram à revista defendendo sua imagem coletiva, que sentem ter sido manchada pelo artigo. Vicky diz que seu trabalho não pretendia ser "uma análise de todas as mulheres de Washington", mas "uma visão telescópica". Elas, contudo, rejeitam o retrato: "Se a Vanity Fair tivesse tomado o tempo de entrevistar mais funcionárias em vez de se concentrar nas que desejam cinco minutos de fama, a autora teria descoberto que a maioria das mulheres do Capitólio não usa sua sexualidade para subir a escada política".

O assunto também causou barulho no Washington Post. Lloyd Grove, repórter da coluna Fontes Confiáveis, resumiu a notícia acrescentando que os congressistas envolvidos não retornaram as ligações; na verdade, o jornal não os procurou para comentar. Depois de reclamações, o Post publicou uma correção e o ombudsman Michael Getler acusou Grove em sua coluna de ter violado a ética.

Graydon Carter, editor da Vanity Fair, afirmou que publicará uma correção, já que o artigo cita incorretamente um senador. Mas a carta das funcionárias, se for publicada, deve demorar a sair: a edição de janeiro já está nas bancas e a seção de cartas de fevereiro já foi fechada. "Por mais séria e emocionante que a carta seja, nós apoiamos a matéria", declarou Carter.

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