Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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PRIMEIRAS EDIçõES > EUA EM GUERRA

Cláudia Croitor

Por lgarcia em 10/10/2001 na edição 142

EUA EM GUERRA

"TV do Qatar vence CNN na guerra", copyright Folha de S. Paulo, 7/10/01

"Na guerra pelas melhores imagens e informações sobre a luta dos EUA contra os terroristas no Afeganistão, um canal do minúsculo Qatar tem levado vantagem sobre os poderosos CNN, Fox News, BBC e outros. Al-Jazeera, uma rede de notícias que existe há cinco anos, está chamando a atenção de muitos com imagens, notícias e informações exclusivas -e é a única emissora estrangeira de TV a permanecer em Cabul, capital do Afeganistão.

O canal foi o primeiro a exibir, há dez dias, imagens da destruição da embaixada norte-americana em Cabul, num protesto de cidadãos afegãos. Depois, há uma semana, divulgou a notícia -negada pelo Pentágono- de que a milícia islâmica Taleban teria capturado soldados norte-americanos.

Al-Jazeera foi também a emissora que divulgou uma entrevista, feita há cerca de dois anos, com o terrorista Osama bin Laden, principal suspeito de comandar os ataques ao Estados Unidos no dia 11 de setembro.

?O fato de sermos a única rede de TV estrangeira em Cabul nos deixa em grande vantagem em relação aos outros canais de notícia. E a cobertura deste conflito tem sido muito positiva para nós. Aumentamos consideravelmente a audiência e o faturamento da emissora?, disse à Folha, por telefone, de Qatar, Ahmed Sheiqh, um dos editores-chefes da Al-Jazeera.

A emissora, que tem sido chamada de ?a CNN do mundo árabe?, é conhecida por ser o único canal árabe de notícias independente -apesar de receber ajuda do governo do Qatar, que a financia desde sua fundação, em 1996.

?Eu posso garantir que o governo não tem absolutamente nenhuma influência sobre o conteúdo editorial da emissora nem sobre qualquer coisa exibida pela Al-Jazeera?, diz Sheiqh.

Com jornalistas em 26 escritórios distribuídos por várias cidades do mundo, a emissora já se acostumou a receber reclamações e até processos de governos de países árabes, que se sentem prejudicados com as informações e entrevistas veiculadas pelo canal.

?Essas reclamações são uma amostra de nossa independência?, afirma Sheiqh. Segundo ele, já houve escritórios em outros países que foram fechados por ordem dos governos locais.

No Brasil, também é possível assistir ao canal, que é transmitido em árabe, por meio de antena parabólica -mas é preciso ter um decodificador que custa US$ 650 e pagar uma taxa anual de US$ 250.

?Al-Jazeera é uma emissora muito boa porque traz notícias de uma forma independente, muito mais que a CNN -que sempre tem o ponto de vista dos americanos. Além disso, o canal tem acesso a lugares e a pessoas que nenhum canal ocidental tem?, diz o xeque Ali Abdouni, da comunidade islâmica de São Paulo."

"Areia destrói até os equipamentos", copyright Folha de S. Paulo / The New York Times, 7/10/01

"Até a semana passada, mais de 200 jornalistas estavam na lista de espera dos rebeldes afegãos para uma viagem de helicóptero, que custa US$ 300, do sul do Tadjiquistão até o norte do Afeganistão, para se juntar aos cerca de 60 repórteres que estão nas áreas controladas pelos opositores ao Taleban.

Vários já haviam conseguido, incluindo dois jornalistas da BBC, que entraram no Afeganistão cobertos com vestimentas das mulheres afegãs -que não podem mostrar nenhuma parte de corpo, nem o rosto.

Mas, para os repórteres que já conseguiram entrar no país, um dos grandes problemas a enfrentar são as tempestades de areia, que podem causar danos irreversíveis aos equipamentos, como câmeras e caros telefones capazes de transmitir imagens via satélite.

?As nuvens de areia são enormes, e a terra entra no equipamento todo?, diz Elizabeth Palmer, da rede norte-americana CBS. ?Nossa câmera está pouco a pouco se desmanchando em pedaços. Todas as noites, desmontamos o equipamento, o limpamos por dentro e depois remontamos. O tripé que estávamos usando já está destruído, pois a areia entrou em cada dobra.?

Além disso, as pessoas que vivem nos acampamentos dos rebeldes têm, muitas vezes, aversão às câmeras. Isso piorou desde que o líder rebelde Ahmed Shan Massoud foi morto, no último dia 9, por uma bomba que, acredita-se, estava escondida em uma câmera. Ele dava uma entrevista a dois homens que se apresentaram como jornalistas.

O orçamento das emissoras de TV -já enfraquecidas com a queda no faturamento por publicidade- para a cobertura do conflito ainda tem de levar em conta outros fatores. Uma passagem aérea de Nova York a Islamabad, capital do Paquistão, custa cerca de US$ 3.000. A diária do hotel Islamabad Marriott sai por US$ 235. Os custos para transmissão de imagens via satélite podem chegar a US$ 70 mil por conexão -isso sem falar nas taxas de até US$ 2.000 por 15 minutos de transmissão de áreas remotas.

A miscelânea ainda inclui tradutores -e subornos. ?Às vezes, a liberdade tem um preço?, disse John Moody, vice-presidente do canal Fox News, depois que uma equipe da emissora, que transportava um videofone para o norte do Afeganistão, foi detida e, em seguida, libertada por autoridades do Tadjiquistão. (Tradução de Cláudia Croitor)

    
    
                     
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