Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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Cobertura tendenciosa

Por lgarcia em 20/10/2000 na edição 100

Uma jornalista de Burundi que trabalhou continuamente, apesar de ameaças de morte, uma editora de jornal que foi presa no Quirguistão e uma correspondente de guerra norte-americana presente sob fogo em Kosovo e Chechênia, receberam os prêmios "Coragem no Jornalismo" no dia 10 de outubro.

A Fundação Internacional Feminina de Mídia honrou Agnes Nindorera, de Burundi, Zamira Sydykova, do Quirguistão, e Marie Colvin, uma americana residente em Londres, por lutarem pela liberdade de imprensa. Segundo matéria da Associated Press (10/10/00), o evento marcou o 11º encontro para distribuição de prêmios, em cerimônia com mais de 600 pessoas presentes. Cada jornalista recebeu 2 mil dólares.

"O fato de essas três jornalistas terem vivido momentos difíceis e arriscados fez com que espectadores, leitores e ouvintes de todo o mundo estivessem mais bem informados e espertos, menos vulneráveis à complacência", disse Narda Zacchino, do Los Angeles Times e presidente da cerimônia.

Nindorera cobriu a guerra civil de Burundi por mais de quatro anos. Foi presa diversas vezes, sua casa foi saqueada, seu equipamento foi confiscado pelo governo e um oficial do alto escalão do governo disse a ela que, se continuasse com suas reportagens, levaria um tiro na cabeça. Ela não se abalou e continuou trabalhando para o Voice of America e para a Agence France-Presse.

Sydykova, editora-chefe do jornal independente do Quirguistão Res Publica, fundado após a quebra da União Soviética em 1991, é uma das poucas mulheres a dirigir um jornal na região. Em 1995, foi acusada de difamação por escrever sobre contas do presidente em bancos estrangeiros e proibida de trabalhar como jornalista por 18 meses. Em 1997, foi acusada de crime por calúnia ao publicar artigos alegando corrupção em uma companhia estatal. Passou um mês em um campo de trabalho e foi, novamente, proibida de escrever por 18 meses.

Colvin, correspondente estrangeira do inglês Sunday Times, trabalhou por detrás do front line por 15 anos, mais recentemente em Kosovo, onde, de um carro-patrulha, apoiou o Exército de Libertação de Kosovo ao enfrentar forças militares sérvias, e na Chechênia, onde foi repetidamente atacada por russos enquanto escrevia sobre os rebeldes chechênios. Colvin também cobriu o conflito no Timor Leste.

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