Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Colunas, colunismo e colunistas

Por lgarcia em 15/01/2003 na edição 207

OPINIÃO & OPINIONISMO

Humberto Crivellari (*)

Não acredito que alguém aí do Observatório leia o Diogo Mainardi [Veja]. Acho até que é pura perda de tempo falar nele, mas até o grande Dines de vez em quando perde o seu e o nosso tempo falando em Gisele Bündchen ? mesmo que depois compense citando a Camila Pitanga.

Por que o silêncio a respeito do nosso nada anônimo veneziano? Diferente do impávido bispo protestante, que chutou a imagem de madeira da Nossa Senhora, o carcamano sintético fez cocô na estátua do Drummond. Sacrilégio incomparavelmente maior. A respeito, o grande [Leandro] Konder escreveu magnífico artigo, que merecia ter saído no Entre Aspas.

Não penso em nada muito grande, não haveria justificativa para isto. O Diogo nada produziu até hoje que merecesse muita atenção. Contra o Brasil. Polígono das secas: contra a literatura regional do Nordeste. Um besteirol tolo e pretensioso. Contra o Lula. Contra os pobres. Que pobreza…

Bem, a finalidade destas linhas é simples: avisem ao moço que quando Paulo Francis reinou impávido, com sua "cultura" de almanaque capivarol, ele se aproveitou da carona de Paschoal Carlos Magno e extasiou uma esquerda jovem e iletrada que acreditava em suas milhares de "citações" e vibrava com seu idealismo, com sua "fúria" contra as elites dominantes, até que conseguiu seu lugar no balcão do teatro delas. E naquela época ele tinha o palanque do Pasquim, em sua luta para ridicularizar a ditadura militar. Sintomaticamente terminou na Globo.

Sugestão ao BBB

Ivan Lessa é uma inteligência fulgurante, não o conheço pessoalmente, mas considero que possa ser um gênio. Chamou o Brasil de bananão, mandou o último a sair apagar a luz do aeroporto, afirmou "que se você não está absolutamente confuso é porque está mal-informado". Ivan recusou-se (e talvez ainda se recuse) a escrever livros porque afirma não ter nada para escrever. Ivan falou mal de um Brasil de que ninguém gostava porque não era o Brasil nosso, era o Brazil deles, como disse também o Aldir Blanc. Francis era um carrancudo pretensioso e sem graça; Ivan era (ou é, não sei mais dele) um gênio. Diogo Mainardi é apenas um oportunista. Como o cachorro que cai do caminhão de mudança está confuso. Sua técnica de escandalizar o burguês não escandaliza mais ninguém: talvez revolte as pessoas que pensam e conhecem alguma coisa, talvez seja admirado por adolescentes que gostam de ver o pau quebrar para qualquer lado, talvez ajude Veja a se equilibrar: a pobreza intelectual de Diogo serve de contrapeso para a seriedade, o brilhantismo e a pertinência de Roberto Pompeu de Toledo.

Talvez ninguém se lembre mais deles, mas Diogo Mainardi pertence à galeria constituída por José Fernandes (vide Flávio Cavalcanti), Pedro de Lara e outros que tais. A propósito, tive uma idéia: sugiro ao Pedro Bial o nome do cronista de Veja para ser o 13? ou 14? participante do Big Brother Brasil.

(*) Neurologista, Belo Horizonte

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