Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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Comissão de Especialistas divulga documento

Por lgarcia em 05/10/2000 na edição 99

A Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas teve seu fechamento recomendado pelo MEC, a pretexto de que ela, isoladamente, prestaria ensino de baixa qualidade. Ainda pelo teor das declarações do governo, a contrario sensu, todas as outras faculdades de Direito, graças ao provão e a suas intervenções, atingiram padrões elevadíssimos de ensino.

Infeliz, porém, foi a escolha da faculdade que serviu de bode expiatório para justificar esse espetáculo, que tem a finalidade de encobrir a desastrosa política de educação que não leva em conta a condição social do país.

Isto porque, entre tantas outras possíveis, aquela era a única instituição que atendia a alunos de baixa renda, pessoas que estudavam apesar das imensas dificuldades; que agora terão que enfrentar não só o desafio acadêmico, como também a discriminação.

Sempre foi desse jeito, o Estado direciona todos seus recursos (da população) aos milionários e também a deficientes faculdades públicas que, como todos sabem, servem, em regra, da classe média para cima.

Mas não era o bastante. Apesar dos esforços despendidos, do investimento de tempo e no carinho dos alunos pela instituição, o MEC resolveu execrar, varrer os sonhos daquela gente que ousou buscar aquilo não lhe era devido.

Pagam com a humilhação, portanto. Publicamente o governo declara que tudo que vêm fazendo não vale absolutamente nada. Não leva em consideração que é lá que está a verdadeira necessidade de nosso povo trabalhador, os que resistem e lutam, os maiores valores desperdiçados, e que, aliás, mais precisariam de apoio e reconhecimento. Juristas por excelência.

Disseram que os professores são muito conceituados e suas instalações impecáveis; inútil, porque ninguém lhes dá ouvidos.

De fato, se o critério fosse mesmo "educação", deveria ter sido levado em conta que, apesar de tamanha desigualdade, a faculdade ainda consegue levar, cultura e enriquecimento pessoal a quem de outra forma não teria condição; compatível, e em muitos casos melhor, que outras instituições mais afortunadas, que não gozam da antipatia do governo. Podemos, por fim, assumir a dificílima tarefa de repensar a educação do país, ou, simplesmente, acreditar no MEC, no provão, que o ensino superior está agora sem nenhuma deficiência de qualidade; já que, segundo consta, a única faculdade nociva à sociedade já foi eficazmente desacreditada, logo será também descredenciada, resgatando, assim, a pureza da casta social com direito ao ensino superior.

Vânia Nunes Lima

Victor Gentilli responde: Prezada Vânia, o escopo do Observatório limita-se a comentários sobre imprensa e cursos de Jornalismo (veja Objetivos). Você comenta uma iniciativa do MEC. Sua opinião é tão legítima quanto a do ministro da Educação ou de quem quer que seja. Eis porque sua carta vai na íntegra. Pessoalmente, lamento que a imprensa não tenha lhe procurado ao noticiar o fato. V.G. [editor da Área Acadêmica]

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