Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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PRIMEIRAS EDIçõES > CASO JESSICA LYNCH

Como é difícil se informar lendo jornal

Por lgarcia em 15/07/2003 na edição 233

CASO JESSICA LYNCH

Julio Cruz Neto (*)

Durante o ataque dos EUA e da Grã-Bretanha ao Iraque, vieram do front notícias sobre uma mulher-maravilha chamada Jessica Lynch, a soldado que detonou não sei quantos bárbaros iraquianos, foi esfaqueada num valente combate corpo-a-corpo e depois foi cinematograficamente resgatada do hospital. História perfeita nos dias de hoje, de big brothers e heróis anônimos, em que todo mundo vira celebridade, em que pauta boa é pauta que fala de um personagem com um bom drama e, de preferência, uma história de superação para contar. Se for mulher, melhor ainda. Bonitinha que nem a Jessica, então, perfeito.

Papagaiando a mídia americana, como sempre, nossa imprensa deu um baita destaque à história, páginas e páginas, imagens e imagens. Mas, na hora de desmentir, o espaço encolheu. Como sempre. Quem primeiro deu a matéria aparentemente verdadeira (ela se machucou num acidente, quando seu carro bateu num caminhão, e foi muito bem tratada no hospital, onde não havia esquema de segurança algum que justificasse a destruição levada a cabo no “resgate”) foi um jornal canadense. Ninguém deu bola. Aí veio a BBC e o assunto ficou mais conhecido. Depois, a imprensa americana, e por aí foi.

No sábado, 12/7, até as Forças Armadas dos EUA divulgaram relatório admitindo que a história era falsa. Quem leu o Estadão viu uma materica, assim como no Globo de domingo. Jornais que não dão bola para Internacional sequer mencionaram. E Jessica continua quietinha e presa. Perdão, hospitalizada. Dizem que deu muita mordida para se defender dos xiitas de Nassiriya, e tem de ficar com a boca imobilizada até a próxima guerra. Ou até a eleição presidencial, ano que vem.

(*) Jornalista

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