Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Por lgarcia em 20/08/1999 na edição 73


Creio que a polêmica entre a psicóloga Elisa Sayeg e o professor Orlando Tambosi é falsa. Ela pressupõe que o questionamento da racionalidade científica se restringe a uma briga entre dois setores, a saber, relativistas bárbaros e defensores do classicismo acadêmico. Creio que o principal disso tudo não está aí.

Fazer uma crítica com pretensões de verdade e objetividade não implica rejeição da ciência enquanto tal. A própria ciência, enquanto empreendimento argumentativo, autoriza esse questionamento, independentemente do surgimento de qualquer tipo de contracultura. A ciência lida com os fatos subsumindo-os a leis gerais e teorias. Só assim ela pode fazer suas previsões e dar explicações de acontecimentos ordinários. Pois bem, já no século 18 o filósofo escocês Hume negava que, a partir do conhecimento de fatos, se possa estabelecer leis de caráter necessário. Isso é muito fácil de entender. Vemos as coisas se seguirem umas às outras respeitando certas regularidades, mas não podemos concluir disso que haja uma relação necessária entre elas e nem qual seja essa relação.

Por exemplo, desde que nasci vejo regularmente o Sol girar ao redor da Terra, mas disso não se segue que ele vá sempre girar ao redor da Terra. Não se segue tampouco que de fato ele gire ao redor da Terra. Esse é o conhecido problema da indução. Tanto os filósofos positivistas do Círculo de Viena como Karl Popper tentaram resolvê-lo, mas nenhuma das soluções apresentadas foi definitiva.

Pelo contrário, tais discussões fazem aparecer ainda outros problemas referentes à racionalidade científica. São os filósofos Lakatos, Khun e Feyerabend (não apenas filósofos, mas também cientistas), cuja origem remonta ao próprio positivismo e racionalismo, que vão expor essa problemática de maneira contundente na década de 60. Ela surge, portanto (muito antes da contracultura), dentro do próprio positivismo, no âmbito da própria ciência. Atenciosamente,

Alessandro Zir, aluno do 7º semestre de Jornalismo da Famecos/PUC-RS e do 8º semestre de Filosofia da UFRGS

 

Lamento não conhecer filosofia para entrar nesta polêmica entre o professor e a psicóloga. Mas que ele parece ser preconceituoso, parece: só de ficar chamando sua crítica de “psicóloga” o tempo todo, como se a xingasse, foi dose.

A questão entre comunicólogos e tecnicistas está posta em todas as profissões, na minha também (sou psicóloga), embora com outros rótulos. Creio que a cisão entre mente e corpo é uma questão não-resolvida ainda pela filosofia; ignora-se que há um sistema de informação e um sistema de processamento a serem desenvolvidos no cérebro humano, da união dos dois se faz o raciocínio; de outro modo teremos apenas racionalismo ou misticismo.

Parece que esta é a discussão. Nela está o caminho a ser escolhido pelo conhecimento humano. Erradamente, no meu entender, estamos fazendo a polêmica entre o novo e o velho, quando o nosso problema é a integração do conhecimento humano com o ser humano.

Vera Silva

 

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