Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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Compadres no mercado

Por lgarcia em 16/10/2002 na edição 194

ALTERNATIVOS

Arranjo questionável entre duas editoras pôs fim aos jornais alternativos New Times Los Angeles e Cleveland Free Times. A New Times aceitou fechar seu jornal em Los Angeles em troca de US$ 1 milhão da Village Voice Media, que vai ocupar o buraco deixado no mercado com seu L.A. Weekly. Por um montante menor, a Village vai sair de Cleveland, deixando espaço para a Cleveland Scene, da New Times.

“Isso pode levantar interessantes questões antitruste”, observa Don Hibner, especialista em lei antitruste do escritório Sheppard, Mullin Richter & Hampton. Contratos ou acordos escritos que reduzem o número de veículos de comunicação numa cidade são proibidos pela Lei Antitruste Sherman. Hibner aponta que, apesar de seus jornais serem distribuídos gratuitamente, o acordo deve fazer com que Vilage e New Times tenham mais anúncios. “Isso vai prejudicar os anunciantes. Eles provavelmente vão pagar mais e as pessoas terão menos para ler. Isso é redução do número de veículos. Parece que chegaram a um acordo para pagar para que o outro não faça concorrência em seu quintal. É para evitar isso que as leis antitruste foram criadas”.

Segundo o Los Angeles Times [3/10/02], para os funcionários, o fechamento foi um choque. A decisão foi comunicada a redatores e editores do New Times Los Angeles em suposta reunião editorial num hotel. “Nenhum de nós tinha idéia do que viria”, conta o gerente editorial Jack Cheevers. Segundo o editor Rick Barrs, o editor-executivo Michael Lacey encomendou 20 garrafas de vinho e todas foram tomadas. Vinte e um jornalistas do New Times Los Angeles, que empregava cerca de 70 pessoas, tiveram oferta para trabalhar em outro jornal da rede. O Cleveland Free Times deixou 48 trabalhadores desempregados.

A revista online Salon tirou do ar um artigo que acusa Thomas White, secretário do Exército americano, de participar das práticas contábeis que levaram ao colapso da Enron quando ocupava a vice-presidência da Enron Energy Services. Os editores explicaram que a evidência apresentada pelo autor da matéria ? uma mensagem eletrônica supostamente escrita por White ? não podia ser autenticada. Paul Krugman, colunista do New York Times que usou a mesma prova para criticar o secretário, retratou-se pelo texto, afirmando que errou ao citá-la.

Publicada em 29 de agosto, a matéria acusava White de tentar esconder as perdas da Enron. Os editores da Salon começaram a investigar a história após terem sido avisados pelo Financial Times que sete parágrafos do texto, escrito pelo freelancer Jason Leopold, foram copiados diretamente de um artigo do Times. Em 28 de setembro, a revista divulgou uma correção.

David Carr [The New York Times, 4/10/02] informa que Leopold foi, até abril, correspondente em Los Angeles da Dow Jones. Ele afirma ter deixado a agência de notícias para escrever um livro sobre a crise energética; no entanto, uma semana após a demissão, a Dow Jones publicou uma segunda longa nota corrigindo um texto de Leopold, que acusava a Enron de recompensar excessivamente seus executivos. O freelancer defende a autenticidade da mensagem de White, e diz que está sendo discriminado por sua reportagem agressiva.

 

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