Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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Comunique-se

Por lgarcia em 19/09/2001 na edição 139

DIÁRIO DE SÃO PAULO

"Novo Diário quase nasce sem acento", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 17/09/01

"A pesquisa vai tomando definitivamente o lugar do faro do editor. A Infoglobo, braço das Organizações Globo para jornais e rádios, decidiu mudar o nome do Diário Popular, com 116 anos de existência, baseada estritamente em pesquisas.

O DP, apesar dos 116 anos de existência, deixará de existir no dia 22/9, e, em seu lugar, no dia seguinte, surgirá o Diário de São Paulo, curiosamente um título que já existiu e morreu, decadente, nos anos 60. Apesar de ter a quarta colocação entre os jornais paulistas (110 mil a 120 mil nos dias de semana, 130 mil a 140 mil aos domingos), o DP tem apenas 5% do mercado publicitário, enquanto o Estado de São Paulo e a Folha dividem 80% e a Gazeta Mercantil fica com 11% a 12%. Outros pequenos dividem o cascalho.

Segundo as pesquisas encomendadas pela Infoglobo, as agências de publicidade mostraram aversão à palavra ?popular? e os leitores – tanto os habituais do DP e os outros – se mostraram satisfeitos com a mudança do nome e o novo design, elaborado pelo mesmo espanhol que fez o projeto do Extra e, antes, o do jornal madrilenho El País – hoje, o mais importante da Espanha.

Outro espanhol, Juan Ocerin – certamente acreditando nas previsões filológicas de que o português e o espanhol desaparecerão daqui a alguns anos, substituídos pelo portunhol – sugeriu a retirada do acento de ?Diário?. Merval Pereira, diretor da Infoglobo, mais preocupado com o presente, não levou em conta essa futurística sugestão.

?O desenho do novo Diário de São Paulo é lindo?, disse Merval a Comunique-se, explicando que ele não sofrerá com o fracasso do título no passado, porque ?não há mais memória do antigo Diário de São Paulo?.

Para Merval, as pesquisas asseguram que ?a mudança é segura? e o novo jornal nasce ?em sintonia fina? com os desejos de publicitários e leitores. O DSP, segundo ele, estará mais para Extra do que para Globo, no sentido de que o texto será leve, maior ênfase será dada ao noticiário local do que ao nacional. Será um jornal com pouco papel, um primeiro caderno com 16 páginas e um segundo, que variará entre 8 e 10 páginas.

O interessante é que o Diário de São Paulo veio de contrapeso na compra do Diário Popular, que pertencia a Orestes Quércia até poucos meses atrás. Comunique-se ainda não conseguiu apurar se os Associados deixaram o título caducar e Quércia aproveitou a bobeada, ou se houve outra razão para essa curiosa prenda no patrimônio do Diário Popular.

Merval acredita que existe um nicho no mercado paulista entre os leitores de Folha e Estadão, e os dos jornais ?populares?. Por isso, ele pensa em atingir basicamente a classe B-2 e uma circulação diária de 300 mil exemplares. Publicitários ouvidos por Comunique-se consideram ?ousada? essa previsão, que teria necessariamente de avançar nos leitores dos dois principais jornais.

Se tudo sair como Merval prevê, será o triunfo definitivo do marketing e da pesquisa. E um dia certamente chegará em que a pesquisa confirmará a sugestão de Juan Ocerin, mostrando que nosotros y los españoles tenemos todos las mismas ideas de gestion y em la misma lengua."

 

MUDANÇAS EM ÉPOCA

"Banca", copyright Folha de S. Paulo, 17/09/01

"A revista ?Época? já tem um novo diretor de redação. É Paulo Moreira Leite, atual correspondente da ?Gazeta Mercantil? nos EUA. Ele assume esta semana com o trunfo de ter trabalhado 17 anos na ?Veja?, onde foi correspondente em Paris, redator-chefe e ganhou três prêmios Esso -todos em equipe."

"Época: apostas continuam abertas", copyright O Estado de S. Paulo, 15/09/01

"É do estilo Globo. Mudanças de impacto envolvendo cargos de comando são sempre feitas com muita parcimônia, discrição e sem pressa. As sucessões, por ali – ao menos é isso que registra a história – são muito bem costuradas. Época, nesse sentido, não foge ao figurino. Sequer oxigênio para boatos a direção fornece. Os colegas da própria Época tem até menos informações que os de fora e muitas vezes se informam com estes, sobre especulações e nomes falados. Dvoskin (Marcos Dvoskin, diretor geral da Editora Globo) é acessível e atende todos que o procuram, mas não abre uma palha. Merval é mais reservado e praticamente não se pronuncia, mas é quem está negociando a vaga. Convidou Dorrit Harazin (ex-Veja), sondou Eurípedes Alcântara, da Veja, e Paulo Moreira Leite (correspondente da Gazeta Mercantil, em Washington, e também ex-Veja), e chegou a Mario Sérgio Conti, que também teria descartado naquele momento o convite. Dos quatro, dois continuam sendo citados pelos corredores, como no páreo: o próprio Conti e seu ex-redator-chefe, em Veja, Paulo Moreira Leite. A definição certamente acelerará definições com Aluizio Maranhão, adjunto de Augusto Nunes e que o sucedeu interinamente no comando pleno da revista. Maranhão, pelo que J&Cia apurou, é cobiçado pelo próprio JB e pela Globonews.com, ambos com um atraente benefício: a oportunidade de regressar ao Rio de Janeiro, sua cidade Natal."

"Paulo Moreira Leite na Época", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 17/09/01

"Ancelmo Gois publicou a notícia em primeira mão e o diretor geral da Editora Globo, Marcos Dvoskin, confirmou: Paulo Moreira Leite é o novo diretor de redação da revista Época. Ele assumiu nesta segunda-feira (17/9), quase um mês depois de Augusto Nunes deixar o cargo. ?A procura por um nome de peso foi longa porque avaliamos três ou quatro alternativas. Conversamos com Moreira Leite na semana passada e acreditamos que esta parceria vai ajudar na busca pela liderança do mercado das revistas semanais, que é a vocação da Editora Globo?, diz Dvoskin. Quanto a Aluizio Maranhão, que assumiu a direção da redação depois da saída de Nunes, Dvoskin deixa em aberto: ?só ele poderá decidir o seu futuro?. Paulo Moreira Leite trabalhou na revista Veja e ultimamente era correspondente da Gazeta Mercantil em Washington. A revista Época, lançada há três anos, vende hoje 520 mil exemplares por semana, de acordo com Dvoskin, e a Veja, um milhão de exemplares."

 

MEDIA OU MÍDIA

"Mídia não e sim media", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 17/09/01

"Quando, lá pelos idos de 40, eu começava minha carreira de redator de anúncios e ouvi as primeiras referências à mídia, protestava: mídia não e sim media, plural da palavra latina medium (meio). Então, significava meios de comunicação.

Mas a expressão foi impondo-se pelo uso. Hoje, porém, caracteriza mais do que apenas muitos meios. Mídia é o produto da interação do anseio das massas pelo conhecimento com a tecnologia da informação instantânea e universal. Representa o estágio último de um processo iniciado há algumas décadas com a aceleração tecnológica, estudada magistralmente na obra fundamental de Alvin Toffler, ?O Choque do Futuro?, em 1971. Segundo ele, o século XX registrou a ?abrupta ruptura dos limites do tempo, um fantástico salto à frente? no processo da inovação.

?A inovação tecnológica? – afirma – ?consiste em três estágios, vinculados entre si num círculo autovigorador. Em primeiro lugar, existe a idéia criadora, a idéia exeqüível. Em segundo, sua aplicação prática. E finalmente, em terceiro lugar, a sua difusão pelos canais que compõem a sociedade?. O tempo entre uma e outra fase reduziu-se radicalmente.

E, profeticamente, acrescenta pouco adiante: ?recentemente, o computador (ainda estávamos em 1971) provocou uma avalancha de idéias novas acerca do homem, como parte integrante de sistemas mais amplos, acerca de sua filosofia, da maneira por que aprende as coisas, da maneira por que se recorda dos fatos, da maneira por que tomas as suas decisões?.

Agora, neste século XXI, tornou-se evidente o que Toffler previu no fenômeno que chamamos de ?mídia?. A aceleração fundiu os sistemas numa correlação em que a tecnologia da informação serve à massa de audiência e, simultaneamente, por esta é influenciada.

Assim, quando se fala em mídia, não há referência tão somente aos meios de comunicação. Seja-me permitido classificar como fenômeno tecno-psico-social. O que eu pretendo ressaltar é uma correção ao costume de atribuir à chamada mídia a iniciativa independente do público. Sem este as ações se esvaiem. Por outro lado, os meios (media) não podem esquecer suas obrigações éticas que lhes impõem limites nesse sistema de interação."

    
    
                     
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