Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > RUBEM ALVES

Comunique-se

Por lgarcia em 12/09/2001 na edição 138

ENTREVISTA CESAR MAIA

"Cesar Maia: ?Para a imprensa, hoje, interesse público não é o prioritário?", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 10/09/01


"Existem dois extremos no relacionamento do poder com os meios de comunicação: num dos extremos – o do governo ditatorial – a mídia tem de fazer o que o governo manda; no outro extremo, os governos fracos fazem o que a mídia quer. A realidade de cada situação está em algum ponto no meio do caminho. Essa análise, do jornalista e professor americano Malvin Kalb, foi citada pelo Prefeito do Rio, Cesar Maia, em entrevista ao Comunique-se.

Maia foi fortemente crítico ao afirmar que ?para a imprensa, hoje, o interesse público não é o prioritário.? Ele acha que ?os jornais se imaginam como partidos, querem pautar os políticos?. Alguns políticos – segundo ele – se acovardam e sabem que, se concordarem com a posição dos jornais, vão receber um bom espaço na edição do dia seguinte.

?Essas duas atividades disputam audiência e a opinião pública. Aquilo que é fim numa dessas atividades é – ou deveria ser – meio para a outra. Mas elas se confundem e acaba havendo uma grande intersecção? – explica Maia. Essa intersecção é, segundo o prefeito – um dos três problemas vividos pela imprensa, ao lado do que ele chama de ?síndrome do Washington Post? e da velocidade da informação oferecida pelos sites de notícias.

A ?síndrome? seria decorrente do sucesso obtido pelo Post, um jornal médio que ganhou notoriedade internacional e credibilidade, além de substanciais aumentos de circulação e receita de publicidade, após a publicação de documentos secretos do Pentágono, a investigação sobre Watergate e outras reportagens de denúncia. Isso passou a ser uma receita de sucesso, tanto para jornais como para jornalistas. ?O que você vê hoje é a mídia à cata de denúncias. Temos uma disputa por escândalos e denúncias – afirma o Prefeito carioca.

A terceira questão é a concorrência entre os sites de notícias pela velocidade na divulgação de informações ?com irresponsabilidade crescente?. E Maia acredita que isso está mudando o papel dos jornais impressos, que começam a se preocupar, com matérias de efeito mais permanente. ?Eles jogam um papel importante na avaliação e na interpretação, porque todas as pessoas que acompanham o noticiário já sabem do que ocorreu, mas querem mais informação sobre o assunto.?

?Há uns quatro anos – disse Maia – o Montenegro (Carlos Augusto Montenegro, dono do Ibope) me falou que os políticos donos de estações repetidoras da Globo em seus estados podiam até perder uma eleição, mas mantinham um bom patamar de popularidade. E eles, quase sempre, têm seus próprios jornais. A Folha de São Paulo publicou uma lista de políticos proprietários ou sócios de meios de comunicação, que ocupam 24% das cadeiras do Congresso, portanto algo de muita importância. Também temos os jornalistas, porque é absolutamente natural que eles se encantem com o mundo político. O fato novo destes últimos anos são os comunicadores de rádio e os jornalistas com grande visibilidade, como foi o caso de Antonio Brito, âncora da Rede Globo que se elegeu deputado, governador e só não foi Presidente porque não peitou.?

Cesar Maia diz que a complexidade dessas questões o está levando a achar que a exposição permanente tem altíssimos riscos políticos, porque ?significa uma enorme imprevisibilidade sobre o noticiário de amanhã.? E oferece sua recomendação de comunicólogo a todo o mundo do poder: ?O político que produza memória, tem que se cuidar e escolher o momento certo de entrada, porque, se estiver no noticiário, não tenha dúvida de que uma dessas balas vai pegar nele.?"

 

RUBEM ALVES

"Jornais", copyright Folha de S. Paulo, 7/09/01

"Concordo plenamente com a crítica do professor Rubem Alves aos jornais brasileiros (?A leitura dos jornais nos torna estúpidos??, ?Tendências/Debates?, pág. A3, 2/9). A Folha, que é o maior deles, e, na minha opinião, o melhor, tem uma tiragem que, em média, não chega a 500 mil exemplares. Num país de cerca de 170 milhões de habitantes, isso representa menos de 0,3% da população. E note-se que esse número se refere a compradores de jornal, e não propriamente a leitores. E quem será que lê os suplementos culturais com aquelas erudições todas? Rubem Alves afirma que é preciso ter doutorado para entender os artigos dos eruditos que ali escrevem. Eu diria mais: é preciso ter doutorado na área e, de preferência, na escola dos autores. Muitos deles, que se dizem filósofos, só se dirigem a seus pares e no linguajar pedante que lhes é peculiar. Melhor fariam se debatessem entre si, num botequim, em vez de usar o espaço dos jornais. Por sua vez, os dirigentes dos jornais certamente sabem que o número de leitores dos seus suplementos culturais tende a zero. Por que os mantêm então? Para dizer que estão cumprindo um papel social de difusores culturais, utilizando tática semelhante à das emissoras de TV que transmitem seus programas educativos de madrugada? José Maria Alves da Silva, Viçosa, MG"

    
    
                     

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