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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Ícone do jornalismo desempregado

Por lgarcia em 08/07/2003 na edição 232

COLÔMBIA

Campeã mundial de turbulências, a Colômbia também tenta alcançar o título de campeã em silenciar vozes independentes, de que tanto precisa, diz artigo de Tina Rosenberg [The New York Times, 3/7/03]. O país tem tradição de jornalistas dispostos a investigar casos escabrosos. Um dos mais populares, Fabio Castillo, até o mês passado era chefe de reportagens investigativas do jornal El Espectator, de Bogotá, e foi demitido porque pôs em saia-justa o ministro do Interior e da Justiça, Fernando Lodoño Hoyos, que acusou de corrupção.

A vantagem de Castillo é ser um excelente jornalista investigativo e continuar vivo, num país em que mais de 30 jornalistas foram assassinados nos últimos 10 anos. Sua fama o protege, embora agora esteja vulnerável, após sua demissão do segundo jornal mais importante do país. Até agora, ele não recebeu ameaças. “Eles já conseguiram o que queriam”, disse. “Estou sob censura.”

Castillo atribui sua demissão à apuração do caso Lodoño. Seu chefe, no entanto, garante que ele foi vítima de problemas econômicos do jornal. Na mesma semana, cinco editores foram demitidos. El Espectador foi o principal veículo a desafiar funcionários do governo colombiano. Hoje em dia, com nova administração, atua em clima político bem mais restrito. O jornal optou por manter outro repórter investigativo, Norbey Quevedo, “mais produtivo, e trata de assuntos mais variados”.

Um dos aspectos mais alarmantes da história é que Londoño admitiu ter recebido o rascunho do artigo de Castillo bem antes de sua publicação. Ricardo Santamaría, publisher do Espectador, pediu que autoridades colombianas investiguem como o ministro teve acesso ao documento interno. Pessoas ligadas à redação especulam que Jorge Lesmes, funcionário do próprio jornal e amigo de Londoño, repassou o texto. Lesmes, braço direito de Santamaría, negou ser a fonte de Londoño.

Castillo pensa em sair da Colômbia, como fizeram sete ou oito dos melhores jornalistas do país. Deixam a terra natal porque suas vidas estão ameaçadas, e há cada vez menos veículos em que possam trabalhar.

Não adianta muito ter coragem se ninguém publica o que você escreve.

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