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Terça-feira, 14 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº999
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PRIMEIRAS EDIçõES > IRAQUE

Conexão Alemanha

Por lgarcia em 23/10/2002 na edição 195

IRAQUE

Foi lançado recentemente nos EUA Stealing the Fire, documentário de John S. Friedman e Eric Nadler que investiga as origens da tecnologia nuclear iraquiana. A história rastreada pelos cineastas denuncia a Alemanha como colaboradora do projeto armamentista desenvolvido por Saddam Hussein e cita o Brasil como esconderijo de um dos cientistas envolvidos.

Em 1988, os alemães Bruno Stemmler e Walter Busse, ambos especialistas em enriquecimento de urânio ? processo em que se separa por centrifugação o Urânio 235, utilizado em bombas, do Urânio 238, que não fissiona ? venderam desenhos de centrífugas antigas aos iraquianos, representando a companhia H&H Metallform. No ano seguinte, enviaram o engenheiro Karl-Heinz Schaab para ajudar com componentes, relatórios técnicos e um desenho roubado de uma centrífuga mais avançada. Esse aparelho havia sido desenhado para um consórcio nuclear europeu para o qual Schaab prestara serviço. Ele conta no filme que, em abril de 1990, ajudou pessoalmente a instalar a primeira centrífuga iraquiana. No entanto, ressalta, a construção de uma bomba iria requerer milhares de equipamentos como aquele.

Em seguida, veio a Guerra do Golfo, que destruiu boa parte das instalações nucleares de Saddam. As inspeções da ONU durante a década passada acabaram com mais algumas. Mas, de acordo com informes do atual governo americano, boas parte das instalações foi reconstruída e o Iraque poderá ter armas nucleares em 2010.

A justiça alemã condenou Schaab por traição por ter vendido documentos secretos e o condenou a cinco anos de prisão e multa de US$ 32 mil, mas suspendeu a reclusão porque ele já havia ficado 15 meses na cadeia no Brasil. O engenheiro havia fugido para cá em 1995 quando soube que inspetores da ONU tinham descoberto documentos no Iraque que revelavam a conexão com a Alemanha. Aqui, Schaab foi preso a pedido da Alemanha, mas conseguiu liberdade sob alegação de que sua prisão seria política ? o que, pela lei brasileira, impede a extradição. Em 1998, convencido de que colaborando com a justiça poderia se dar bem, ele voltou à Europa para estar com a mãe prestes a morrer. De fato, sua pena foi pequena, o que leva alguns especialistas em não-proliferação a acreditar que o governo alemão quis minimizar a gravidade dos atos do engenheiro.

Em Stealing the Fire, são mostrados indícios de que há gente querendo que Schaab desapareça do mapa. Segundo seus advogados, autoridades brasileiras os teriam alertado de que serviços secretos estrangeiros querem matá-lo ou seqüestrá-lo. Teriam afirmado ainda que as mortes próximas de Stemmler e Busse no começo da década passada não foram naturais.

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