Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > MÍDIA E IDEOLOGIA

Connie, opção noticiosa

Por lgarcia em 03/07/2002 na edição 179

CNN

Com o novo programa de Connie Chung, recém-contratada da ABC, a CNN americana quer reforçar o papel que tem, em sua opinião, entre os canais de notícias. Escalada para a faixa das 20h, a âncora conduzirá um programa noticioso, contrapondo-se aos opinativos que passam nas concorrentes MSNBC e Fox News. A CNN se vê como o lugar da notícia, e, por isso, quer dar ao telespectador a opção de escapar dos talk shows.

Connie é a apresentadora mais conhecida que já passou pela CNN, segundo a AP [24/6/02]. Para seu novo programa Connie Chung Tonight, ela prevê abertura com uma abordagem detalhada de algum assunto de destaque no dia, entrevistando o jornalista que apurou a história. Na continuação, serão abordados outros temas recentes, enfatizando o lado humano que está por detrás das manchetes.

Para Frank Sesno, professor da Universidade George Mason e ex-chefe do escritório da CNN em Washington, a proposta de oferecer algo diferente naquela faixa de horário é boa. “Se eles entrarem nessa com a idéia de fazer outro programa de entrevistas, não sei se funcionará”.

Connie evita especulações sobre índices de audiência.
Provavelmente, a CNN ficará satisfeita se sair da marca média
de 726 mil telespectadores que teve no ano passado com o programa Live From
e chegar mais perto da líder Fox News, que tem, em média, 1,9
milhão no mesmo horário, com The O’Reilly Factor. “Eu não
os considero nossa concorrência”, ameniza a jornalista. “Estamos lutando
por todo mundo que está ligado às oito da noite. Não acho
que se possa isolar, pois os telespectadores não fazem esse tipo de escolha.
Eles têm o controle remoto na mão e surfam por aí constantemente”.

 

RÁDIO

A desregulamentação do setor de rádio nos EUA em 1996, permitindo que grandes companhias concentrem maior número de estações, está acabando com as rádios de música erudita no país. Atualmente, há apenas 34 comerciais que tocam esse estilo. Há uma década, eram 48, segundo Michael Markovitz [MediaLifeMagazine, 21/6/02].

O problema não é que a música erudita não tenha público ou não seja lucrativa. Em pequenas rádios mantidas por famílias, o gênero sempre deu retorno suficiente. Mas, quando uma rede grande compra essas estações, geralmente são adotados estilos musicais populares entre os mais jovens, que são mais lucrativos e permitem amortizar mais rapidamente o gasto da aquisição. Foi o que aconteceu com a WTMI, de Miami, por exemplo. Em 2000, tocando música erudita, estava entre as sete mais ouvidas da cidade e teve lucro de US$ 8 milhões com anunciantes. Contudo, a Cox Enterprise, de Atlanta, a comprou por US$ 100 milhões. Se não expandisse os lucros, demoraria 12 anos para recuperar o investimento. Assim, no Ano Novo, após executar a Nona Sinfonia de Beethoven, a WTMI anunciou “uma nova dimensão em rádio” e passou a tocar techno. Hoje, com o nome de WPYM Party 93, a rádio tem um público muito maior na faixa dos 18 aos 34 anos, a melhor para publicidade.

Entre as rádios públicas, um fenômeno parecido está
acontecendo. De olho nas doações de ouvintes, estações
da Rádio Pública Nacional têm substituído a música
erudita por jornalismo ou outros programas só com fala. Em março
a WNYC, de Nova York, foi alvo de protestos por causa disso. No entanto, sua
direção justifica que, ocupando dois terços do tempo de
programação, a música erudita atraía somente um
quarto da audiência total. Com a música ficando apenas para o período
noturno, o número de ouvintes durante o dia cresceu 38%.

 

MÍDIA E IDEOLOGIA

Os donos de jornais podem declarar suas opiniões? Ou deveriam mantê-las reservadas, sob pena de comprometerem a reputação de imparcialidade de seus veículos? Recentemente, Ted Turner e Rupert Murdoch expressaram as suas ? e provocaram uma avalanche de críticas dos próprios empregados, o primeiro por ter acusado israelenses de praticarem terrorismo tanto quanto os palestinos, e o segundo por dizer que incentivaria seus jornais britânicos a fazerem campanha contra o euro.

"Os proprietários de mídia devem ter opiniões", acredita o magnata Conrad Black. "E eles têm todo o direito de contratar editores e colunistas que acha que concordam com eles, desde que mantenham o equilíbrio entre reportagem e opinião e permitam acesso razoável a diferentes pontos de vista."

Tunku Varadarajan [The Wall Street Journal, 21/6/02] espinafra Turner e pondera que a posição de Murdoch é defensável, porque ninguém pode acusá-lo de estabelecer normas na surdina. Obviamente, os donos só precisam observar um porém ? o mercado, que não perdoa excessos.

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