Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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Construção polêmica

Por lgarcia em 19/12/2001 na edição 152

THE NEW YORK TIMES

Sob a alegação de "fraude, má-fé e conspiração contra os contribuintes da cidade", o construtor Gary Barnett está processando a New York Times Co., contestando os incentivos fiscais prometidos à empresa no acordo para construir seu novo centro de operações na Times Square.

No ano passado, a empresa anunciou plano para construir um prédio na Oitava Avenida, entre as ruas 40 e 41. Os incentivos que o Empire State Development Corp. (agência estatal de desenvolvimento econômico) e a cidade estão oferecendo podem custar aos cofres públicos US$ 100 milhões ou mais, diz Barnett, da Intel Management. "É absolutamente ultrajante o que está acontecendo, e está sendo feito em segredo. Não há estimativa real do que isto vai custar à cidade. Está se pedindo aos pagadores de impostos de Nova York que subsidiem o New York Times."

O Empire State desapropriou o lugar da construção, onde há lojas de vídeos, prédios de apartamentos de estudantes e um estacionamento de Barnett. Como parte do acordo, a prefeitura dará ao Times e à construtora Forest City Ratner renúncia fiscal e incentivos de US$ 29 milhões. Os descontos serão maiores ? podem chegar a 85% ? se o custo de compra da terra exceder US$ 85 milhões, preço fixado pela agência. Segundo a ação movida por Barnett, o Empire State deliberadamente subestimou o valor da propriedade, garantindo um arranjo favorável ao Times. As informações são de Eric Herman [New York Daily News, 12/12/01].

A briga ficou pessoal. Após publicação de reportagem do New York Times sobre a situação financeira da Talk, a equipe da revista saiu destilando veneno contra o jornal. Geraldine Fabrikant e Alex Kuczynski diziam na matéria ser provável que a Hearst Magazines abandonasse a parceria com a Miramax Films e deixasse de financiar a Talk. Em resposta, Tina Brown e Ron Galotti, presidente da Talk Media, enviaram carta ao sítio MediaNews chamando o artigo de "equivocado e prejudicial". Mas não pararam por aí.

"É vergonhoso que uma das repórteres da matéria, Alex Kuczynski, que tem uma bem documentada história de erros jornalísticos, tenha sido trazida de volta da seção de moda do Times para co-escrever este texto. Esta é a oitava matéria negativa que Kuczynski escreveu sobre nossa revista", disseram.

Houve de fato um erro importante na reportagem: os anúncios da edição de outubro caíram 9,2% em relação ao ano passado, e não 39%, como informava. A jornalista disse ter rapidamente feito uma correção, mas não foi perdoada pelo diretor editorial Maer Roshan; irritado, ele declarou ao New York Observer (comentário não-publicado mas lido para Alex): "Ela acha que pode falsificar os números só porque é loira, mas nós reservamos este direito a uma loira de verdade."

Howard Kurtz [Washington Post, 10/12/01] observa que o principal argumento da matéria ? de que a Talk enfrenta um futuro incerto ? não é opinião exclusiva do Times: o New York Post já publicou a informação de que a Hearst está reavaliando a parceria.

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