Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > FACULDADES ISOLADAS

Contra o poder das grandes universidades

Por lgarcia em 29/08/2001 na edição 136

FACULDADES ISOLADAS

Naira Amaral (*)

O boom do ensino privado no país, ao contrário do que muitos pensam, não traz como conseqüência uma nova leva de empresários de sucesso e endinheirados. A educação em nosso país, da forma como é regulamentada hoje, é uma aposta arriscada. O poder político e econômico está concentrado nas mãos de poucos e, apesar de existirem hoje mais de 1.000 faculdades isoladas, é quase impossível concorrer com as grandes universidades. Mesmo afirmando que o ensino superior não é um bom negócio e que os demais concorrentes são "debilóides e desqualificados", o maior empresário de educação do país [João Carlos Di Gênio, nota do editor], continua se utilizando de sua força política e econômica e vai espalhando campi pelo Brasil. Hoje são 29 e mais alguns devem ser implantados até o final do ano. O número de vagas oferecidas cresce geometricamente sem preocupação com a qualidade e com a necessidade do mercado. Se forem cumpridas as determinações do MEC com relação à qualificação do quadro docente, somente este grupo empresarial empregaria todos os professores com mestrado e doutorado do país.

Na verdade, o que se percebe é que, apesar do discurso de pouco caso com relação a novos investimentos na educação, o mega-empresário continua atropelando os seus concorrentes, sem se preocupar com o respeito aos seus colegas e aos seus próprios clientes.

Desencantados com as regras do ensino superior devem ficar os proprietários de faculdades. Estes, sem poder de pressão ou negociação, acabam sendo engolidos pela Máquina do Poder. Enquanto os "grandes" encontram todas as facilidades possíveis no andamento de processos de autorização e reconhecimento de cursos, os "pequenos" penam diante da burocracia e da falta de estrutura do MEC para atender à demanda.

É por verificar fatos como esses, que comprovam as diferenças de tratamento dispensado aos empresários da educação, é que a Anafi se articula e se posiciona buscando igualdade, não entre "debilóides", como afirmou o mega-empresário a uma revista de circulação semanal [Carta Capital, nota do editor], mas entre empresários sérios, honestos e que desejam realizar um trabalho em benefício do desenvolvimento da educação em nosso país.

Precisamos nos unir em busca de nossos objetivos comuns e desejar àqueles que nos consideram "desqualificados" que reflitam e pensem um pouco mais no país, em vez de priorizar os interesses pessoais.

(*) Representante da Anafi ? Associação Nacional das Faculdades Isoladas

    
    
                     

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