Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > MÍDIA & TERRORISMO

Contra o sigilo de Washington

Por lgarcia em 26/06/2002 na edição 178

DIREITO À INFORMAÇÃO

A Sociedade Americana de Editores de Jornal e os Gerentes Editoriais Associados da Imprensa (das siglas em inglês, respectivamente, Asne e Apme), as duas maiores associações de editores dos Estados Unidos, se juntaram para defender a chamada "liberdade de informação". Elas alertam contra o crescente sigilo com que o governo tem agido e querem ajudar o público americano a entender o valor de uma sociedade bem-informada.

"O desafio é especialmente grande porque funcionários públicos têm encoberto todo tipo de ação da avaliação do público em nome da segurança", explica Douglas Clifton, chefe do Comitê de Liberdade de Informação da Asne e editor do Plain Dealer, de Cleveland. Ele acrescenta que o instinto burocrático é de esconder a informação da sociedade.

Apme e Asne realizaram encontro recentemente, em Atlanta, para analisar quais os meios de lidar com o problema do crescente sigilo governamental. Como reporta a AP [10/6/02], o primeiro passo do movimento é uma pesquisa que já foi enviada a cerca de 2 mil editores americanos perguntando como as restrições governamentais têm afetado suas coberturas e quais histórias foram impedidos de averiguar. A enquete pergunta ainda quais reportagens produzidas com dados públicos causaram mudanças benéficas para a população.

MÍDIA & TERRORISMO

Dennis Pluchinsky, veterano analista de terrorismo do Departamento de Estado americano, acusa a mídia de "falta de bom senso". Segundo ele, muitos artigos publicados pela imprensa prestam grande serviço às organizações terroristas ao identificar os pontos vulneráveis de indústrias químicas, aeroportos, fronteiras, rede elétrica e fornecimento de alimento. "Nenhum grupo terrorista que conheço tem o tempo e a mão-de-obra necessários para conduzir este tipo de pesquisa extensiva sobre uma variedade de alvos potenciais. Nossa mídia noticiosa, e certos especialistas e acadêmicos, têm feito este estudo para eles", declara Pluchinsky [Washington Post, 16/6/02].

O analista lembra que o país está em guerra e afirma que os inimigos reúnem informações da imprensa internacional (muitas vezes pela internet) e observação de campo. "O que também me enfurece é quando a mídia publica matérias registrando que procedimentos de segurança em relação a um alvo específico ainda não foram implementados. Ela não apenas identifica as vulnerabilidades de um alvo potencial para os terroristas como também providencia relatórios sobre nossos progressos!"

Pluchinsky defende que este tipo de reportagem deve ser suspenso ou censurado. Propõe que se um repórter descobrir falhas de segurança em algum setor informe o Departamento de Segurança Interna, que filtraria tais artigos ? "Um cético chamaria isto de censura; um patriota, de cooperação" ? e o jornal receberia como prêmio Homeland Security Gold Stars "por colocar o país em primeiro lugar". "Se exibida num banner, esta estrela poderia ajudar a aumentar a circulação", acredita o analista. "Estas restrições foram apoiadas pelo público americano durante a Segunda Guerra Mundial, e acho que o povo as apoiaria agora."

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