Domingo, 27 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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PRIMEIRAS EDIçõES > LIBERDADE DE IMPRENSA

CPJ anuncia vencedores de 2002

Por lgarcia em 30/10/2002 na edição 196

LIBERDADE DE IMPRENSA

O Comitê de Proteção aos Jornalistas apresentou os ganhadores do cobiçado Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa. "Agora, mais do que nunca, jornalistas em todo mundo enfrentam riscos quando tentam relatar a verdade", declarou David Laventhol, presidente do conselho do CPJ. "O comitê está satisfeito em reconhecer estes heróis; eles são um exemplo para todos nós."

Um dos homenageados é Daniel Pearl, repórter do Wall Street Journal assassinado por extremistas paquistaneses. Os outros são jornalistas da Colômbia, Eritréia, Bangladesh e Cazaquistão. Jim Lobe [OneWorld.net, 23/10/02] conta um pouco da trajetória destes corajosos sobreviventes.

O colombiano Ignacio Gomez, forçado ao exílio em 1989 e em 2000, é um jornalista investigativo que denunciou as ligações entre traficantes e políticos, a atuação de mercenários estrangeiros em seu país, a corrupção nas ligas de futebol e o papel das forças paramilitares em assassinatos em massa. Na década de 80, ele trabalhou para o El Espectador de Guillermo Caño, editor assassinado por ordem de Pablo Escobar. Atualmente, Gomez dirige um grupo que luta pela liberdade de imprensa.

Irinia Petrushova, editora-chefe da semanal Respublika, foi alvo de uma campanha de intimidação após denunciar a corrupção no governo do Cazaquistão: além de cartas ameaçadoras, ela recebeu uma coroa funerária e a cabeça de um cachorro morto em sua casa (o corpo foi preso à janela do escritório). Dias depois, o prédio da revista foi bombardeado e incendiado. Irinia mora hoje em Moscou, de onde continua a editar a revista.

Tipu Sultan, de Bangladesh, foi seqüestrado e espancado após publicar artigo que envolvia um poderoso político local num incêndio criminoso em uma escola. Os jornalistas da região investigaram o ataque, identificaram os responsáveis e pediram justiça, mas até agora nada foi feito. Graças a uma campanha local para arrecadar fundos e a uma doação da organização americana Correspondents Fund, Sultan pode ser submetido a uma série de cirurgias e fazer tratamento na Tailândia. Ele está de volta ao seu país e trabalha como repórter do diário Prothom Alo.

Já o escritor e editor Fesshaye Yohannes, fundador do semanário Setit, é mantido preso em local desconhecido ao lado de nove colegas pelo governo da Eritréia. Uma semana após os atentados de 11 de setembro, toda a imprensa independente do país foi banida por "colocar em risco a união nacional". Para não abandonar a equipe, Yohannes se rendeu às autoridades. Em maio, os prisioneiros fizeram uma greve de fome, o que levou o governo a transferi-los para um lugar não-revelado.

Mulheres premiadas

Três repórteres ganharam o prêmio de Coragem em Jornalismo da International Women?s
Media Foundation. Segundo Deepti Hajela [Associated Press, 17/10], o prêmio homenageia mulheres que arriscaram suas vidas para cobrir guerras e repressão.

As vencedoras foram Kathy Gannon, jornalista que cobre o Afeganistão e o Paquistão para a AP desde 1988; Anna Politkovskaya, repórter do jornal russo independente Novaya Gazeta, cuja reportagem sobre a guerra na Chechênia lhe valeu ameaças tanto do governo quanto dos rebeldes; e Sandra Nyaira, editora de política do Daily News (Zimbábue), que chegou a ser presa e julgada por difamação criminosa por artigos acusando o presidente Robert Mugabe de corrupção.

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