Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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Crítica da razão jornalística ou A corrida pela 1a mão cria padrões de 2a

Por Alberto Dines em 05/07/1997 na edição 25

Premissas:

* A Constituição garante a liberdade de expressão e, no caso brasileiro, até oferece certos privilégios para que o exercício desta liberdade fique protegido de constrangimentos e pressões.

* Em contrapartida, a sociedade que outorgou esta Constituição tem todo o direito de acompanhar o uso que se faz destas prerrogativas.

Proposições:

* Em que texto legal está previsto que os veículos de informação, para melhor servir à sociedade, estão obrigados ao ineditismo estrito e total, isto é, dar apenas furos?

* O que é melhor para o leitor – uma matéria mal apurada, incompleta e errada antes dos competidores ou uma informação correta e referenciada mesmo que saia depois?

* Se o jornal A conseguiu publicar antes dos demais a resenha do novo livro do autor X isto significa que o jornal B jamais publicará alguma resenha deste livro?

* Se o telejornal Z levar ao ar hoje uma matéria sobre a devolução de Macau aos chineses em 1998 isto significa que os telejornais Y, W e Z até lá não mais tocarão no assunto?

* Em plena Era da Informação, com Internet e TV-Net, satélites, parabólicas, tv-a-cabo, jornalismo de 24 horas em rádio e TV, ainda é possível manter o fetichismo do furo de 70 anos atrás – e onde fica a modernidade?

Questionamentos paralelos:

* As escolas de jornalismo estão preparando os futuros jornalistas para o mercado de amanhã – apurar melhor – ou para o jornalismo de ontem – apurar de qualquer maneira?

* As redações estão equipadas em recursos humanos para escapar da corrida do furo ?

Questionamentos finais:

* O jornalismo impresso, por ser menos veloz do que os meios eletrônicos, poderá sobreviver deixando de lado sua vantagem competitiva (a qualidade) e adotando a vantagem competitiva dos outros (a instantaneidade)?

* O leitor lê todos os jornais, ouve todas as rádios e vê todas os telejornais para avaliar quem furou quem? Em caso positivo (de acompanhar tudo): o que lhe importa a primazia do furo? Em caso negativo (de ter uma só fonte de informação): como sabe que o seu veículo foi furado?

* A questão do furo não seria apenas um problema corporativo e gremial inteiramente desconectado das reais necessidades do leitor?

Respostas podem ser encaminhas à próxima edição deste OBSERVATÓRIO (fechamento: 15/7).
E/Ou discutidas na próxima reunião de pauta.

Boas férias!

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