Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > BBC

Crítica em causa própria?

Por lgarcia em 14/05/2003 na edição 224

BBC

Greg Dyke, diretor-geral da BBC de Londres, fez sérias críticas à cobertura de guerra das redes de TV americanas num simpósio de jornalismo realizado recentemente. Declarando-se "chocado" com os patriotismos do noticiário, ele comparou a atitude das emissoras com a imparcialidade, equilíbrio e independência que estariam "no DNA da BBC". Para os americanos pró-guerra que apelidaram o canal de Bagdá Broadcasting Corporation, a afirmação causou perplexidade, diz artigo da revista britânica The Economist [1/5/03].

A Fox News, criticada em especial por Dyke, de fato se destacou pela torcida explícita pelas forças americanas. Mas a guerra no Iraque criou uma situação sem precedentes, argumenta a revista: as notícias passaram a ser entregues em tempo real, o que dificultava o trabalho de providenciar contexto e análise à reportagem.

Dyke também afirmou que a popularidade do sítio de internet da BBC News e da BBC World TV durante a guerra provou que existe uma demanda por um veículo confiável de notícias independentes. Ou seja: a rede britânica poderia ocupar um nicho abandonado pelas rivais americanas. A Economist questiona se essas emissoras ? que supostamente não primam pela objetividade ? teriam mesmo ignorado o público e comprometido sua credibilidade, como alega Dyke.

Segundo a revista, a julgar pelo último ano, em que o mercado de TV a cabo viu crescer a liderança da Fox, são os telejornais opinativos que parecem atrair o público. Kevin Downey [Media Life, 5/5] revela que a Fox continua aumentando a diferença em relação às rivais: foi a emissora mais bem-sucedida em "segurar" a audiência conquistada durante a cobertura da guerra. Os índices do horário nobre entre consumidores de 25 a 54 anos ? a faixa etária mais cobiçada pelos anunciantes ? estão 154% maior que em janeiro, enquanto CNN e MSNBC apresentaram aumento de 50% cada.

A alta competitividade teria encorajado tal segmentação no noticiário. O mesmo aconteceu com o mercado de jornais na Inglaterra: os grandes diários acabaram reforçando suas tendências políticas, aparentemente com bons resultados ? o esquerdista The Guardian, por exemplo, viu crescer a circulação durante a guerra. Se a BBC cresceu nos EUA, isso pode significar que existe uma demanda por uma visão internacional, quem sabe até antiamericana, e não necessariamente que a rede seja vista como a mais "verdadeira" ou "objetiva".

Para a Economist, o "choque" sentido pelo diretor da BBC pode, na verdade, ser reflexo da sua preocupação com a entrada de investidores americanos no mercado de TV britânico. E o temor da "americanização" pode não passar de estratégia comercial.

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