Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > EX-PETISTAS NA MÍDIA

Críticos ou fósseis vivos?

Por lgarcia em 06/01/2004 na edição 258

EX-PETISTAS NA MÍDIA

Sidney Borges (*)

Todos os dias encontro nos jornais ex-integrantes do PT tecendo críticas ao governo, ao partido. Geralmente são pessoas situadas à esquerda do partido, que deveriam ter migrado para o PSTU e adjacências. Sinto-me confortável para falar do assunto: não sou petista, nunca fui filiado, embora já tenha votado ocasionalmente em candidatos da legenda. O flerte inicial acabou em rompimento em 1985.

Aconteceu na eleição para a Prefeitura de São Paulo. Dois candidatos disputavam com condições de vencer. Jânio Quadros e Fernando Henrique Cardoso. É óbvio que FHC era meu preferido, seria uma oportunidade de experimentar a esquerda no poder. Para uma cidade com tantos problemas como São Paulo, uma administração de viés esquerdista seria um avanço.

Como eu era inocente! O PT tinha como candidato o atual senador Eduardo Suplicy. Um bom homem. Mal situado, estaria melhor na carreira eclesiástica. Nas vésperas da eleição Jânio e FHC disputavam cabeça a cabeça e Suplicy não tinha chances. Nem remotas. A proposta era óbvia: deveria ser feita uma aliança. De um lado a direita, representada pelo pensamento etílico-conservador de Jânio Quadros. Na outra extremidade as forças progressistas (?), FHC e o PT de mãos dadas.

Os petistas não concordaram. Jânio venceu as eleições e não houve avanços. O partido achou por bem abrir mão da maior cidade do país. Por obra da miopia petista São Paulo foi entregue ao fisiologismo, embarcado na onda moralista de Jânio. Peguei o boné e dei às de vila-diogo. Desde esse dia estou fora de compromissos eleitorais com o Partido dos Trabalhadores. Para mim é o partido dos trabalhadores da área financeira e das estatais. Nunca foi o representante dos meus interesses e, presumo, nunca será. O que observo nos ex-integrantes do partido é que eles continuam achando ser possível implantar uma república soviética no Brasil. Até os cabeças-duras do politburo petista já perceberam que este é um sonho impossível. Não há idéias novas no front.

No universo dos ex-petistas prevalecem os arautos do pensamento do século 19 tentando ditar o que devem fazer os homens do século 21. A imprensa dá espaço a essas cabeças reacionárias que se imaginam progressistas. São fósseis vivos.

(*) Jornalista

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