Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > THE NEW YORK TIMES

Cultura em destaque

Por lgarcia em 29/01/2003 na edição 209

THE NEW YORK TIMES

“Jóia da coroa” do New York Times, a seção de cultura “faz parte de nossa identidade tanto quanto a seção internacional”, enfatiza Howell Raines. Tais palavras mostram que o editor-executivo do jornal transformou em missão o desejo de recuperar o brilho da cobertura cultural. Em outubro, Raines nomeou o redator e ex-correspondente estrangeiro Steven Erlanger seu novo editor de Cultura e, no dia 8/1, trouxe de volta o crítico Frank Rich para as páginas do jornal, agora numa coluna de primeira página na seção dominical de Artes.

A seção é objeto de “muita expectativa de nossos leitores e uma parte importante de nossas ambições local e nacional”, diz Raines. “Acredito que nosso público é o mais sofisticado do país e tem um apetite renascentista por informação. É importante, portanto, que dominemos a alta cultura de Nova York: ópera, balé, artes visuais ? as grandes instituições que aqui existem. Ao mesmo tempo, penso que os leitores esperam que sejamos sofisticados e que tratemos de cultura popular.”

Em outras épocas, conta Sridhar Pappu [New York Observer, 20/1/03], nenhuma peça, filme ou exibição fazia sucesso em Nova York sem aprovação dos críticos de cultura do Times, liderados por Arthur Gelb, considerados “leitura obrigatória” até por quem os odiava. A seção perdeu a autoridade e a importância nos últimos tempos, algo que Raines pretende reverter com a volta de Frank Rich, crítico de teatro de 1980 a 1993, concedendo-lhe um espaço importante no jornal e o título de editor associado.

Um jornalista do New York Times teve que aguardar avaliação da CIA para publicar livro sobre a guerra da agência de espionagem contra a rival soviética KGB nos anos 80. James Risen, repórter de segurança nacional, é co-autor de The Main Enemy, a ser lançado pela Random House em maio. A CIA editou metade do livro, escrito pelo antigo chefe da divisão soviética da agência, Milton A. Bearden, valendo-se da política de que qualquer ex-funcionário da casa precisa ter seus textos aprovados antes da publicação, sejam livros ou artigos de jornal. Segundo a editora, que teve acesso à versão não-editada, a obra não sofreu mudanças consideráveis.

Os censores da CIA, reunidos na Publications Review Board, vetaram 300 manuscritos de ex-agentes de outubro de 1999 a setembro de 2000, informa Allan Wolper [Editor & Publisher, 14/1/03]. Para Wolper, o relacionamento entre Risen e Bearden provavelmente seria condenado pelo Times em editoriais caso envolvesse um repórter de outro jornal. Bearden deixou a CIA, mas continua atuando na política global; atualmente, preside a firma de consultoria Steeplechase Group, contratada por um negociante londrino para mediar a guerra civil no Sudão a US$ 50 mil por mês.

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem