Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > ELEIÇÕES 2002

Daniel Castro

Por lgarcia em 05/06/2002 na edição 175

ELEIÇÕES 2002

"?Jornal Nacional? entrevistará presidenciáveis", copyright Folha de S. Paulo, 29/5/02

"A principal novidade da cobertura das eleições da Globo neste ano serão rodadas de entrevistas com os principais candidatos à Presidência da República no ?Jornal Nacional?. A entrevistas serão individuais, em dias diferentes, e irão ao ar a partir de julho, podendo se repetir nos meses seguintes. Terão dez minutos e serão ao vivo ou gravadas minutos antes.

O plano de cobertura das eleições foi concluído anteontem pela Central Globo de Jornalismo. Prevê também uma rodada de debates com candidatos a governador e à Presidência no primeiro turno e outra no segundo. No primeiro, as prováveis datas são 2 (governador) e 3 de outubro (presidenciáveis). Serão os últimos debates antes das eleições.

Neste ano, a Globo vai ser mais flexível com o número de participantes nos debates. Em anos anteriores, deixou de realizar eventos do tipo porque o número de participantes ultrapassava o ideal _cinco. Ainda não está definido o limite máximo de participantes por debate, mas deverá ficar entre oito e dez. Mais do que isso tornaria o evento inviável para televisão. A emissora é obrigada pela legislação a convidar todos os candidatos com representação no Congresso Nacional.

O Ibope, a partir de julho, irá fazer pesquisas exclusivas para a Globo, inicialmente mensais. A emissora também irá manter a divulgação de pesquisas do Datafolha e do Vox Populi.

OUTRO CANAL

Fé 1

Padre Marcelo Rossi rezou missa, transmitida pela Rede Vida, para agradecer a conquista, pela emissora, de um canal retransmissor de TV na Grande São Paulo, o 34, no início deste mês. A Rede Vida deve deixar em junho o canal 40, de Santo André.

Fé 2

O canal 40 pertencia à Televisão ABC e foi transferido para a TV Sul Bahia, de Nizan Guanaes, marqueteiro de José Serra. O canal 40 agora é alvo de disputa judicial _a transferência a Guanaes foi suspensa pela Justiça Federal.

Inverno 1

O frio aumentou o número de televisores ligados e, consequentemente, a audiência da Globo. Anteontem, a novela das sete, ?Desejos de Mulher?, marcou 40 pontos de média, um recorde, assim como ?O Clone?, que atingiu 59.

Inverno 2

Inaugurando a cobertura ao vivo da Copa na Coréia do Sul, o ?Jornal Nacional? deu média de 49 pontos, como há muito não ocorria. Quem se deu bem foi o PMDB e Orestes Quércia, cujo programa político ficou, só na Globo, com 42 pontos.

Crachá

Para ?ajudar a imprensa?, diga-se TV Globo, a CBF marcou as entrevistas da seleção brasileira para as 8h30 do fuso da Coréia (20h30 em Brasília). Assim, Felipão entrará ao vivo no ?Jornal Nacional?. O esquisito é que as entrevistas serão antes dos treinos."

"Quem faz imprensa de esquerda", copyright Nominimo.com.Br, 2/6/02

"Se a eleição presidencial fosse hoje, segundo as sondagens de opinião o Brasil teria um presidente de esquerda, Luis Inácio Lula da Silva, do PT. Em contrapartida, não haveria nenhum jornal que, pela sua história, pelas posições que defende, pela sua propriedade e funcionamento interno, possa ser considerado de esquerda.

É um paradoxo: as forças populares são capazes até de eleger um presidente, mas têm se mostrado absolutamente incapazes de construir órgãos de imprensa auto-sustentados, com um número consistente de leitores. Os jornais e revistas dos partidos de esquerda, quando existem, limitam-se a ser instrumentos de discussão interna.

A imprensa de esquerda só não é nula no Brasil porque todos os meses chega às bancas a revista ?Reportagem?. Ela existe há três anos, tem uma circulação de 20 mil exemplares por edição e vinte funcionários, todos assalariados.

Nos últimos números, ?Reportagem? vem cobrindo assuntos cada vez mais variados. A capa da edição de maio, por exemplo, conta a história dos cientistas brasileiros que estão pesquisando a origem do Homo sapiens na América. No mesmo número há artigos sobre o filme ?O Invasor?, o projeto Arte/Cidade, em São Paulo, e sobre a nave espacial Pioneer 10.

O decano de ?Reportagem? é Raimundo Rodrigues Pereira, 62 anos, um pernambucano radicado em São Paulo desde a infância. Criador de um método de apuração e de apresentação de reportagens políticas (em 1969, em ?Veja?, durante a crise da sucessão de Costa e Silva) cujos ecos chegam até hoje, Raimundo Pereira foi editor dos semanários ?Opinião? e ?Movimento?.

Socialista, ele encara com simpatia as posições do Partido Comunista Chinês. ?O PCC vem sabendo lidar muito bem com a globalização?, diz. Raimundo Pereira esteve o ano passado na China e escreveu uma longa matéria em ?Reportagem? sobre o país. Ele deve voltar lá no segundo semestre para cobrir o congresso do PCC.

Nem por isso ele acredita que ?Reportagem? deva defender a política do governo chinês ou tentar adaptar a linha do PCC às condições brasileiras. Na entrevista a seguir ele diz o que entende por ?imprensa popular? e explica porque ela deve ser pluralista.

Imprensa popular é sinônimo de imprensa de esquerda?

Para mim, é. Mas existe uma imprensa popular burguesa. Os jornais diários foram inventados pela burguesia há uns 200 anos. Depois, na primeira metade do século XX, empresários como Randolph Hearst inventaram a imprensa popular burguesa. Em cerca de dois anos, seus jornais passaram de tiragens de 50 mil exemplares diários para quase 1 milhão. Nas revistas, surgiu o modelo da americana ?Time?, em oposição à inglesa ?The Economist?. Com ?Reportagem?, queremos fazer uma imprensa popular, de esquerda, mas sem vínculos orgânicos com os partidos de esquerda.

Pelo enfoque, pela separação entre editoriais e reportagens, e até pela diagramação, ?Reportagem? lembra ?The Economist?. Por que a semelhança?

Por que é interessante a divisão entre editoriais e matérias propriamente ditas. Os editoriais da seção Ponto de Vista refletem a discussão e o posicionamento das pessoas que fazem a revista. Nas reportagens, se busca a objetividade. Os artigos, que são assinados, veiculam o pensamento de seus autores.

Até agora, ?Reportagem? não tomou posição a favor de nenhum candidato nas eleições presidenciais: por quê?

Não acho que isso seja adequado. A revista tem um pouco mais de 1.000 cotistas. Entre eles há jornalistas, profissionais liberais, empresários, sindicatos, associações e organizações. É um leque amplo. Nós nos colocamos no campo da oposição, mas há entre os cotistas pessoas engajadas na campanha de José Serra. Não queremos restringir as forças que apóiam ?Reportagem? nem torná-la um órgão partidário.

Por que?

Certamente há cabimento, e mesmo necessidade, de existirem publicações dos partidos. Mas os jornais e revistas dos partidos de esquerda têm outros objetivos. Entre eles está o de organizar uma fração do movimento popular com vistas à tomada do poder. ?Reportagem? não é isso. É uma revista que agrega várias pessoas e setores. Nosso objetivo, como o de toda a imprensa, é buscar o novo e, no nosso caso específico, de analisar o novo sob a perspectiva popular, e levar esse novo, esse conhecimento, de volta ao campo popular. Entre outros problemas, a confusão na esquerda entre imprensa popular e imprensa partidária vitimou vários jornais alternativos nos anos 80. Nós aprendemos com a experiência do ?Movimento?, e por isso estamos fazendo ?Reportagem? dessa maneira ampla.

Como ?Reportagem? sobrevive?

Cerca de 55% da nossa receita vem de publicidade, 25% dos cotistas e os outros 25% da venda em banca e de assinaturas. Agora, estamos incrementando nosso departamento de vendas, nossas ações de marketing e propaganda. Para se ter uma idéia, cerca de 95% da receita do ?Movimento? vinha da venda em bancas e assinaturas. A imprensa popular se distanciou do povão. Estamos tentando nos sintonizar com o povão de novo.

Como funciona a redação?

Trabalham na revista umas vinte pessoas. Todos ganham salários. A maioria tem menos de 30 anos. Eu e o Armando Sartori somos os marajás: ganhamos R$ 3.500. Os estagiários são os que ganham menos: R$ 350, o piso. Fazemos um site, o www.oficinainforma.com.br, que é renovado diariamente, e a ?Reportagem?.

Você tenta fazer imprensa popular há 40 anos: continua otimista com a sua viabilidade?

Depois dos 60 anos você fica meio alquebrado. As dificuldades são grandes. Mas acho que a possibilidade de se construir uma democracia mais avançada no Brasil, que para mim é o socialismo, passa necessariamente pela construção de uma imprensa popular. Nosso projeto foi criado há cinco anos. O site, há quatro. E ?Reportagem?, há três. Estamos aprendendo e melhorando a revista. Estou alquebrado, mas me coloco objetivos de médio prazo perfeitamente factíveis.

O Brasil ganhará a Copa?

Já fui um especialista no assunto, há uns 40 anos. Hoje acompanho o futebol à distância. Minha impressão é que será difícil o Brasil ganhar. O Felipão tem algo de positivo: quer criar uma equipe. Mas uma equipe não é uma família. Para formar uma boa equipe não era preciso convocar jogadores que só servem para formar um bom ambiente. Se fosse assim, como disse o João Bosco, o Felipão deveria convocar o Chico Anysio, que contaria piadas e melhoraria o convívio dos jogadores…

E quem ganhará a eleição presidencial?

Pelo jeito, Lula e Serra estarão no segundo turno. Serra é um homem preparado, sério e honesto. Se eleito, ele mexerá na economia brasileira. Ele tem boas idéias sobre comércio exterior e desenvolvimento industrial. Mas acho que o arco de forças que o sustenta inviabilizará mudanças mais profundas, que são as necessárias. Espero que Lula ganhe. O PT, junto com as forças que o apóiam, tem mais possibilidades de mudar o Brasil do que Serra."

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