Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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Daniel Castro

Por lgarcia em 09/10/2002 na edição 193

ELEIÇÕES 2002

“Globo faz domingo ?boca-de-urna? na Europa”, copyright Folha de S. Paulo, 4/10/02

“A Globo fará domingo, dia de eleições, uma ação de marketing inédita. Em 13 cidades da Europa, 55 estudantes contratados pela emissora irão abordar brasileiros nas filas de votação em embaixadas e consulados.

A ?boca-de-urna? da Globo visa cadastrar 18 mil brasileiros que vivem na Europa. Com esse cadastro, a emissora quer montar uma base de assinantes da Globo Internacional, que será lançada na Europa em novembro.

Em cidades mais importantes, como Londres, Paris, Madri, Roma e Berlim, serão instalados monitores de TV exibindo a programação da Globo.

A Europa, excluindo-se Portugal, é o último continente a ser coberto pela Globo Internacional. O canal pago já tem cerca de 200 mil assinantes. Transmite praticamente a mesma programação da Globo no Brasil, menos filmes e seriados importados.

Neste ano, pela primeira vez, a Globo vai tentar vender a TVs do mundo todo co-produções da Globo Filmes, e não apenas novelas e minisséries. Na Mipcom, uma das mais importantes feiras internacionais de TV, que começa terça em Cannes (França), serão oferecidos os filmes ?O Auto da Compadecida?, ?Caramuru, a Invenção do Brasil? e ?A Partilha?.

As novelas ?Porto dos Milagres? e ?Young Hearts? (?Malhação?) serão lançadas na Europa na feira.”

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“PT fiscaliza Gugu Liberato no dia da eleição”, copyright Folha de S. Paulo, 2/10/02

“O diretório estadual do PT (Partido dos Trabalhadores) vai monitorar o programa ?Domingo Legal? no próximo dia 6. ?Temos receio de que o programa de Gugu Liberato se comporte mal no dia da eleição?, diz Helio Silveira, advogado da coligação São Paulo Quer Mudança, liderada pelo PT.

O apresentador é a principal estrela de televisão das campanhas de José Serra à Presidência e de Geraldo Alckmin ao governo do Estado. No último final de semana, nos bastidores do SBT havia o temor de que o ?Domingo Legal? poderia não ir ao ar.

O motivo era uma ação movida pelo PT, que reclamou à Justiça Eleitoral de reportagem exibida no dia 22. Nela, mostrava-se presídio do Estado em Presidente Bernardes, que bloqueia ligações de telefones celulares. ?São Paulo fez a sua parte?, disse Gugu, concluindo que se tratava de um exemplo, especialmente Rio.

O PT entendeu o comentário e a reportagem como material favorável ao PSDB. A ação, no entanto, foi julgada improcedente, no sábado, pelo juiz Rui Stoco.

?O juiz notificou o SBT, que está ciente. Estamos com ?atenção especial? no Gugu. Se ele cometer algum deslize, iremos tentar tirar o programa do ar, o que pode levar 15 minutos?, diz Silveira.

Gugu afirma que reportagens sobre o presídio também foram exibidas pela Globo (?Fantástico?) e Band. ?O PT está querendo cercear meu trabalho?, diz.”

 

“Na TV, Serra quer ?infernizar? Lula ?paz e amor?”, copyright Folha de S. Paulo, 3/10/02

“José Serra dará hoje, no debate da TV Globo, suas últimas cartadas para tentar evitar que Lula vença no primeiro turno. O tucano pretende tirar o adversário da postura ?Lulinha, paz e amor?, nem que para isso seja preciso ?infernizar?, nas palavras de assessores, a vida do petista.

O tucano passou os dois últimos se preparando para a noite de hoje. Assessores dizem que ele leu cerca de 400 páginas, sobre os 89 temas listados pela Globo como possíveis para o debate, das queimadas na Amazônia à união civil entre pessoas do mesmo sexo.

O debate é encarado pelos presidenciáveis como a derradeira grande oportunidade da campanha. Com a expectativa de atrair mais de 30 milhões de telespectadores, deve ter a maior audiência desde o histórico embate televisivo de 1989 entre Lula e Collor.

Assim que terminar o capítulo da novela ?Esperança?, por volta das 22h, o jornalista William Bonner passa a mediar o encontro mais esperado pelas campanhas de Lula (PT), Serra (PSDB), Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS).

O petista está se preparando para enfrentar ataques dos três adversários. Foi treinado por assessores ontem e anteontem para responder a questões polêmicas e a críticas de Serra, Garotinho e Ciro. O PT acredita que a noite de hoje possa definir a realização ou não de um segundo turno, e que, por isso, não deve ser repetir o clima debate passado, na Record, no qual Ciro e Garotinho priorizaram o confronto com Serra.

Lula pretende evitar ataques diretos, tentando se manter na divulgação de suas propostas e fazendo um discurso otimista.

Já Garotinho deve insistir nas críticas a Serra -seu rival na disputa por uma vaga no segundo turno. A idéia é marcá-lo como o ?candidato do governo?, que estaria prometendo o que não fez como ministro da Saúde.

Os candidatos encaram as câmeras da Globo após dias de boatos em torno do encontro. Houve rumores -todos negados- de que denúncias ?bombásticas? poderiam ser feitas no debate e até de que um presidenciável poderia renunciar em favor de outro.

Esta noite também é cercada de expectativas pela Globo: pode ser a cereja no bolo de uma cobertura armada para eliminar definitivamente o fantasma da edição do debate do segundo turno de 89 -quando Collor teve mais espaço do que Lula no compacto exibido pelo ?Jornal Nacional?.

Diante disso, cada regra foi consequência de detalhada negociação. E a Globo procurou se cercar de todas as formas para tentar evitar acusações de favorecimento.

Uma das mais importantes, que constou do acordo com os políticos, foi a de não exibir compactos do debate em seus telejornais.

Outra decisão foi a de não divulgar pesquisa do Ibope sobre ?quem venceu o debate?.

A Globo optou por levar ao ar só o levantamento da intenção de voto. O último deve trazer consequências do confronto na TV, já que os eleitores serão ouvidos na sexta-feira e sábado de manhã.

1989

O último debate do primeiro turno nas eleições de 89 foi realizado pelo SBT, no dia 12 de novembro (a votação foi no dia 15). A Band já havia feito outros quatro, e a extinta Manchete, um. A Globo só entrou no segundo turno, quando o embate entre Lula e Collor foi transmitido em pool por praticamente todas as redes. (Colaboraram PLÍNIO FRAGA, da Reportagem Local, e RAFAEL CARIELLI, da Sucursal do Rio)”

 

“Globo põe marqueteiros longe de candidatos”, copyright Folha de S. Paulo, 3/10/02

“Durante o debate, os marqueteiros não poderão ficar no estúdio, perto dos candidatos, como ocorreu na Bandeirantes e na Record. Terão de permanecer em sala isoladas e só terão contato com os políticos durante os intervalos.

Entre cada um dos quatro blocos, cada presidenciável pode receber duas pessoas da equipe. No estúdio, durante o debate, só ficarão William Bonner, os candidatos e a equipe de produção.

Como esperam um clima de tensão, os presidenciáveis pediram que a TV Globo não deixasse suas ?torcidas? juntas, mas reservasse salas diferentes para os acompanhantes de cada um.

O objetivo foi evitar a tensão entre as ?claques?, que ocorreu nos debates da Bandeirantes (4/8) e da Record (2/9), quando a campanha nem estava em fase final.

E, para tentar manter o controle da situação no embate dos candidatos, a emissora elaborou algumas normas. A primeira é que em dois dos quatro blocos os temas serão definidos por sorteio.

Outra é a interferência de William Bonner em todas as perguntas. Assim que houver a pergunta, resposta, réplica e tréplica, o mediador pedirá ?esclarecimentos? sobre algum ponto ?nebuloso?. O jornalista, segundo a Folha apurou, estará com um ponto eletrônico no ouvido, diretamente ligado à direção de jornalismo.

Os candidatos serão proibidos de exibir qualquer tipo de documento, já que não haverá como comprovar a veracidade a tempo. Durante o debate, Bonner e os presidenciáveis ficarão em pé, como nos debates norte-americanos. Um sorteio define quem ficará ao lado de quem, minutos antes de o programa ir ao ar.

Meia-noite

A Globo espera que o debate leve cerca de duas horas. Mas, diferentemente de anos anteriores, a lei não obriga que a emissora encerre o encontro no máximo à meia-noite. Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral, do dia 25 de setembro, determinou que o limite será às 7h de amanhã. A decisão foi consequência de um requerimento da Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), da qual a Rede Globo é a principal afiliada.”

 

“Um debate de bom nível fecha campanha”, copyright O Estado de S. Paulo, 4/10/02

“Os presidenciáveis Ciro, Serra, Garotinho e Lula no debate da TV Globo: todos pareciam preocupados em utilizar termos e expressões de tom categórico para definir o que pretendem fazer à frente do governo

Candidatos fazem poucos ataques e detalham propostas

No último debate da campanha entre os quatro principais candidatos à Presidência, o que predominou foi a ênfase na definição de suas propostas. Ocorreram ataques entre eles em diferentes partes do encontro, mas numa quantidade menor que nos encontros anteriores. Um dos mais acirrados ocorreu, mais uma vez, entre Ciro Gomes (PPS) e José Serra (PSDB), quando repudiaram a responsabilidade pela atual política cambial – apontada como uma das principais causas dos problemas econômicos brasileiros. Serra responsabilizou Ciro, que se esquivou dizendo que esteve no Ministério da Fazenda em caráter de emergência, no início do Plano Real.

Todos os candidatos pareciam preocupados em utilizar termos e expressões de tom categórico para definir o que pretendem fazer à frente do governo do País. Isso ficou claro em quase todos os temas propostos – educação, reforma agrária, aposentadoria e outros.

Quando se discutiu a criação de cotas para negros nas universidades públicas, Ciro, que no passado havia manifestado dúvida sobre o assunto, foi enfático em dizer que é a favor. E também repudiou nenhum tipo de critério científico para definir quem é ou não é negro: ?Não toleraremos qualquer critério que não seja o da auto-declaração.?

No debate sobre a reforma agrária, Anthony Garotinho (PSB) e Serra insistiram em que vão refrear a ação dos Movimento dos Sem-Terra (MST). ?Não admitiremos invasões de terras e a violação ao direito da propriedade privada?, garantiu o tucano. ?Não vou admitir invasões, nem de terras improdutivas?, endossou o ex-governador do Rio.

Quando pressionado por Ciro para explicar a causa dos problemas econômicos do País, o candidato do PSDB reconheceu problemas, mas logo em seguida fez uma rasgada manifestação de otimismo a respeito do futuro do País. Provavelmente uma mais entusiasmadas de sua campanha.

O candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, ironizado por Garotinho e Serra por não dar respostas tão diretas quanto às deles, também bateu firme em determinados momentos. Um deles foi sobre a flexibilização da atual Consolidação das Leis Trabalhistas, a CLT. O petista disse ser favorável, mas não nos termos atuais: ?Definitivamente, não. Flexibilização não gerou nenhum emprego.?

Provocação – Garotinho, que pareceu durante todo o tempo o candidato mais à vontade entre os quatro, provocou Lula em vários momentos do debate. Logo no início, disse: ?Por favor, Lula, responda às perguntas. Você não responde nada.?

Em outro, tentou uma pegadinha, referindo-se à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que lembra em quase todos os debates dos quais participa. Lula deu uma resposta indireta sobre o tema, o que levou Garotinho a afirmar que ele havia confundido o imposto com um ?órgão do governo?.

Mas o petista também teve oportunidade de fazer ironia com Garotinho, depois que este se manifestou de forma veemente a respeito da transposição das águas do Rio São Francisco: ?Não sou simplista por uma questão de responsabilidade. As coisas não são assim, oito ou oitenta.?

O candidato petista, líder nas pesquisas sobre intenção de voto, foi o mais provocado pelos demais candidatos. E não pareceu tão tranqüilo como nos debates anteriores. Sua maior preocupação foi a de apresentar-se como o candidato mais credenciado para a costura de um grande pacto social no País.

Ciro tentou evitar até determinado ponto a fama de pavio curto. Num determinado momento, referiu-se de forma elegante aos outros candidatos de oposição, dizendo: ?Se um de nós vencer.? Mas, como das outras vezes, acabou perdendo a paciência com Serra: de tão preocupado em atacar a política econômica do governo, até se esqueceu de uma pergunta que deveria fazer ao tucano, o que levou o apresentador William Bonner a chamar sua atenção.

Serra demonstrou mais tranqüilidade diante dos concorrentes e das câmeras que nos debates anteriores. Foi enfático na definição de suas propostas, deu respostas rápidas aos ataques – e teve a vantagem de dividir o papel de vidraça com Lula, o campeão das pesquisas de voto.”

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