Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES >   TELENOVELAS, 40 ANOS

Daniel Castro

Por lgarcia em 27/05/2003 na edição 226

TV GLOBO

“Três comédias disputam vaga na Globo”, copyright Folha de S. Paulo, 23/05/03

“A direção artística da TV Globo estuda três novos projetos de seriados cômicos. Um ou dois deles deverão ser testados no segundo semestre e, se emplacarem, viram programa fixo em 2004.

São eles ?Carol e Bernardo?, ?Como Educar Seus Pais? e ?Homem-Objeto?. O único inédito é ?Carol e Bernardo?, de Bruno Mazzeo. ?Como Educar Seus Pais? foi exibido como especial em abril, e ?Homem-Objeto? teve quatro edições no ?Fantástico?.

As três comédias disputam vagas ainda não garantidas. A primeira é a de ?Os Normais?, nas noites de sexta-feira. Embora a direção do programa já tenha anunciado que a série sai do ar em agosto, porque já se esgotaram as possibilidades de explorações de situações, o comitê operacional da Globo, que reúne os diretores de centrais da emissora, ainda não bateu o martelo sobre o fim de ?Os Normais?.

A segunda vaga em disputa é a de ?Carga Pesada?, às terças-feiras, que volta a ser exibida entre agosto e setembro. A Globo, no entanto, pode decidir pela continuidade de ?Carga Pesada? ou substituir o seriado por ?O Jogo?, caso o ?reality show? que estréia na próxima terça faça sucesso.

?Carol e Bernardo? trata de um casal ?urbano e atual? em que ele é desempregado e vive de bicos inusitados e ela, uma advogada bem-sucedida, que sustenta a casa. Entre eles, há a ex-sogra de Bernardo, que inferniza sua vida.”

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“Globo teme expansão de TVs religiosas”, copyright Folha de S. Paulo, 26/05/03

“A ?voracidade de ocupação das TVs religiosas?, o crescimento das emissoras tradicionais (como SBT), o surgimento de novas redes, as TVs educativas e comunitárias, além de uma eventual legislação ?engessadora? e restri&ccediccedil;ões à propaganda, são as principais preocupações da TV Globo.

É o que afirma a emissora em ?business plan? (plano comercial) em que detalha seu projeto de criar uma segunda rede nacional, em UHF, já batizada de Rede Dois e SuperTV, com parceiros regionais. A Folha obteve cópia do documento, que prevê gastos de R 209,8 milhões e o início das operações 90 dias após sua aprovação pela cúpula da Globo.

?Há que se ter velocidade nos projetos de expansão?, afirma o documento, prevendo escassez de novos canais no futuro. ?Diversos grupos religiosos estão adquirindo emissoras e obtendo rapidamente dezenas de autorizações para retransmitir em todo o país. Centenas de geradoras educativas foram outorgadas nos dois últimos anos. A maioria não tem propósitos educacionais e irá concorrer deslealmente. Têm forte atuação e vantagens políticas, podendo até nos atrapalhar?, alerta.

O temor dessa concorrência justifica a necessidade da segunda rede, com programação local e de canais da Globosat. Ocupando novas concessões e retransmissoras, a Globo ?reduz as chances de crescimento de bandeiras concorrentes? e amplia receitas.”

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“Globo aposta em ?novo Rock in Rio?, no DF”, copyright Folha de S. Paulo, 24/05/03

“A TV Globo assinou contrato na última quarta-feira e vai exibir o Brasília Music Festival (BMF), evento de pop-rock que acontece na capital federal entre 25 e 27 de setembro. O inusitado da história é a Globo apostar em um festival, fora do eixo Rio-São Paulo, já em sua primeira edição. A emissora acredita que o BMF, que pretende ser bienal, se transformará em um ?novo Rock in Rio?.

?A Globo vai vender pacotes de patrocínio para as transmissões. Com a Globo, o festival deixa de ser regional e passa a nacional. Quando o Roberto Medina [orga? nizador do Rock in Rio] apresen? tou o Rock in Rio à Globo muita gente também ficou com um pé atrás?, diz o produtor do BMF, Rafael Reisman, 33.

A entrada da Globo na operação deve trazer três novos patrocina? dores ao BMF, além dos já confir? mados Banco do Brasil e Grupo Paulo Octavio. Diretor de musi? cais da TV Globo, Aloísio Legey será o diretor musical do festival, que custará entre R$ 8 milhões e R$ 12 milhões e prevê reunir de 60 mil a 70 mil pessoas por noite.

O festival terá seis atrações in? ternacionais e seis nacionais. Já estão confirmados Alanis Moris? sette, Simply Red, Titãs e Charlie Brown Júnior. Reisman promete pelo menos mais dois ?nomes ex? pressivos?, que ?mesmo em São Paulo lotariam estádio?. Haverá também um palco para novas bandas _e a Globo irá fazer um concurso para escolher algumas.

OUTRO CANAL

Promoção 1

Diretora do departamento jurídico da TV Globo, Simone Lahorgue assumiu nesta semana a coordenação operacional das áreas jurídicas da Globopar, Globosat, Globo.com, Net Brasil, Som Livre e Editora Globo.

Promoção 2

Em comunicado interno, a Globo diz que a ?mudança visa aproveitar as sinergias existentes nas empresas das Organizações Globo?. Em outras palavras: haverá enxugamento.

Engrenou

A novela ?Mulheres Apaixonadas? voltou a dar média de 50 pontos, anteontem, quando a personagem de Helena Ranaldi foi espancada pelo de Dan Stulbach. Foi a segunda média de 50 pontos na semana (a anterior foi na segunda).

Azedou

Já não são das melhores as relações entre José Luiz Datena e a Band, por causa da cobrança por audiência. Isso explica as ?notícias? plantadas de que o apresentador estaria negociando sua volta à Record e com a produtora de Gugu Liberato.

Sotaque

Depois de São Paulo e Brasília, a Rede TV! se prepara agora para lançar um telejornal local no Rio de Janeiro.

Grade

Para não prejudicar a audiência do ?Programa do Ratinho?, o ?reality show? ?O Conquistador do Fim do Mundo? (média de 7 pontos), do SBT, passa para a faixa da 0h/0h30 na semana que vem.”

 

TELENOVELAS, 40 ANOS

“A quarentona que fez a cabeça do País”, copyright O Estado de S. Paulo, 25/05/03

“Julho de 1963. Glória Menezes é uma presidiária que trabalha como telefonista. Tarcísio Meira vive um homem que se apaixona pela voz da moça. As grades são o obstáculo a ser vencido. Essa é a história de 2-5499 Ocupado, de Dulce Santucci. O argumento e a direção são de profissionais argentinos. A importância? O enredo marca o início da telenovela diária no Brasil. Nestes 40 anos de tramas e dramas, o gênero mudou muito. O público se expandiu. Mas a essência é a mesma. E a fórmula parece inesgotável, apesar dos altos e baixos.

No começo, os textos das telenovelas eram adaptações de títulos de outros países da América Latina, Cuba e Argentina, principalmente. Hoje, isso é observado somente nas novelas do SBT. Gloria Magadan era quem ditava as regras nos anos 60. A cubana, que viveu nos Estados Unidos, trouxe para o Brasil a fórmula dos folhetins românticos importados, com príncipes, princesas, ciganos e outros personagens tão distantes da realidade nacional. Beto Rockfeller, de 1968, foi o divisor de águas. A novela de Bráulio Pedroso levou à telinha o anti-herói na pele de Luiz Gustavo. ?Era uma trama contemporânea e cômica, com crítica social?, fala a coordenadora do Núcleo de Estudos da Telenovela da USP, Renata Pallottini. Para a especialista, a novela transformou o gênero de romântico para realista.

Beto Rockfeller abriu o que muita gente considera a época de ouro da telenovela brasileira. Os 20 anos de glória começaram no final da década de 60 e se estenderam até os anos 80. ?Na década de 70, os autores conseguiram emplacar produtos de qualidade na TV?, comenta o autor Lauro César Muniz. ?Ocorreram modificações técnicas e textos primorosos como O Bem-Amado (73), O Rebu (74), Escalada (75), Pecado Capital (75), Gabriela (75) e Nina (77).? Para o autor, muitas mudanças agitaram a teledramaturgia desde que ele começou na profissão, em 1966, com Ninguém Crê em Mim.

?Com o Plano Real, muita gente adquiriu TV com controle remoto. O público aumentou e a exigência diminuiu?, fala o autor. Ele acha ainda que a TV paga e o videocassete desviaram o público seletivo para outros meios. ?A TV aberta hoje é vista por uma platéia menos exigente e os autores estão escrevendo de forma diferente.? Mas o escritor crê que todos os meios passam por momentos de crise. Daí, isso não significa que a novela esteja com os dias contados.

Para o autor Walther Negrão, não existem épocas de ouro e sim momentos e produções de qualidade. Ele coloca Beto Rockfeller como um marco e cita outras novelas como O Cara Suja (65), Antônio Maria (68) e Nino, o Italianinho (69) – de sua autoria. Os protagonistas das tramas eram feirante, motorista e açougueiro, respectivamente. ?Elas acabaram com a nobreza do folhetim?, fala Negrão. Mas a mudança veio aos poucos. Em Nino, o Italianinho, o público rejeitou o ambiente do açougue. ?Os telespectadores não agüentaram ver o protagonista cheio de sangue?, conta. ?Mudamos o ambiente para uma mercearia.? Mesmo em Beto Rockfeller, alterações foram feitas para agradar ao público. Negrão diz que as pessoas olhavam torto para os golpes do personagem. ?Foi preciso dar motivos para as trapaças e Beto se tornou uma espécie de Robin Hood, que roubava dos mais ricos para dar aos pobres.?

Nostalgia – O autor Gilberto Braga discorda de Lauro César quanto à exigência do público. Para ele, os telespectadores cobram boas histórias. E a nostalgia é algo natural. ?Sabe o que se dizia na Grécia Antiga? Que o teatro estava decadente e que iria acabar. É natural o ser humano achar que no passado tudo foi melhor?, diz Braga. Ele afirma que muita gente que acha a produção de 1980 melhor, tinha 10 ou 15 anos na época. ?Com certeza, em 2020, pessoas que estão adorando as novelas de agora irão reclamar das novelas de 2020.? Gilberto Braga até duvida da adoração por Escrava Isaura, adaptação da história de Bernardo Guimarães que ele realizou em 1976 com muito sucesso. ?Todo mundo diz que adorou Escrava Isaura. Queria ver gostarem agora.?, desafia. ?Claro que tinha força novelesca, mas a realização na época era precária.?

A turma dos nostálgicos é engrossada por duas damas da teledramaturgia. Eva Wilma é fascinada por Ivani Ribeiro e Janete Clair. ?As duas conheciam muito bem a carpintaria da telenovela?, fala a atriz. Para ela, as duas novelas mais marcantes de que participou foram Mulheres de Areia (73) e A Viagem (76), ambas de Ivani Ribeiro. Mas não esquece os personagens fortes que ganhou de Aguinaldo Silva em Pedra sobre Pedra (92) e A Indomada (97) nem dos ?sete belíssimos capítulos? que fez em O Rei do Gado (97), com a dupla Benedito Ruy Barbosa e Luís Fernando Carvalho. Hoje, acredita ela, ?não há mais a poesia de um beijo.?

Protagonista do primeiro beijo na boca da TV, na série Sua Vida me Pertence, em 1951, Vida Alves defende esta como a primeira novela brasileira. A base era de folhetim, mas a atração não era diária. Para Vida, os enredos das primeiras novelas eram mais românticos.

Fôlego – Ary Fontoura diz que não é saudosista. ?Acho que tudo tem a sua época?, diz o ator, que acredita que os autores abusam da fórmula da telenovela. ?Estava conversando sobre isso com o Lima Duarte e chegamos à conclusão de que fazemos a mesma novela há 40 anos.? Para ele, o que diferencia o talento de cada autor é a capacidade de criar suspense entre os capítulos. ?E esses ganchos passaram a desaparecer.? Ele também valoriza a novidade nos enredos e lembra de Saramandaia (76). ?Tinha até uma mulher (a Dona Redonda, papel de Wilza Carla) que explodia de tanto comer.?

A especialista Renata Pallottini acredita que a repetição é uma idéia contraditória na cabeça do telespectador. ?O público de novela é como uma criança que gosta de ouvir as mesmas histórias por ser algo relaxante, mas ele se cansa mesmo inconscientemente?, explica. ?Cabe ao autor usar a fórmula antiga com novos ingredientes.? Para ela, um autor que tenta inovar e obtém sucesso é Carlos Lombardi. ?Só que, às vezes, ele exagera no ritmo acelerado, o que confunde o telespectador.? Negrão concorda com a acadêmica. ?Lombardi usa uma linguagem nova com o pé no folhetim?, comenta o autor, que defende novas apostas nessa área. ?O caminho é colocar novos talentos amparados pela experiência dos veteranos.?

Essa é a tentativa da Globo atualmente. Gerar uma nova safra de autores que já trabalharam com os grandes escritores dentro da própria emissora. Renata Pallottini acha a renovação do gênero necessária. ?A telenovela vai se esgotar um dia, assim como o folhetim impresso se esgotou. Mas não digo que será agora.?”

“O Brasil que o mundo conhece pela TV”, copyright O Estado de S. Paulo, 25/05/03

“Gravada no Ceará, Tropicaliente (1994), de Walther Negrão, atraiu até turistas russos às praias de Fortaleza e vizinhança. Em Portugal, maquiadores se esforçam para copiar o traço de lápis usado por Jade (Giovanna Antonelli) em O Clone (2001). Capaz de atrair turistas e de influenciar a moda e o vocabulário de outros países, a exportação da telenovela brasileira só começou a render dividendos uma década após a produção do primeiro folhetim diário no Brasil. Vendido para o Uruguai em 1973, O Bem-Amado inaugurou esse comércio. E não foi à toa: era nossa primeira telenovela em cores, atendendo, então, a um padrão internacional para a época.

Para o diretor-artístico da Divisão de Vendas Internacionais da Globo, Geraldo Casé, é impossível não notar como a exportação do nosso mais importante produto de TV expandiu o conhecimento do mundo sobre o Brasil. Para ele, além de nossos costumes, de nossa história, nossos folhetins levaram para fora um estilo diferenciado de teledramaturgia e influenciaram as mais distintas culturas pelo mundo.

A Globo, que começou tímida nesse negócio – exportando de uma a três novelas por ano -, hoje vende seus produtos para 130 países – cerca de 100 deles exibem atualmente um título da emissora. A Europa/Oriente Médio são nossos melhores clientes, representando, na distribuição geográfica de vendas em 2002, 74,2% do negócio, na frente da América Latina, com 13,5%, América do Norte, com 9,5 % e Ásia, com 2,4%.

?O poder de nossa telenovela é tanto, que, como no Brasil, acaba lançando modas, músicas, costumes no exterior?, fala Geraldo Casé. ?O Clone, por exemplo, deixou rastros por onde passou. Em Portugal, maquiadores aprenderam a fazer a maquiagem da Jade (Giovanna Antonelli) de tanto que as clientes pediam. Nos EUA, as lojas de bijuteria passaram a vender as réplicas das usadas por Jade, para atender a clientela?, conta. ?Sem contar o turismo, que é incentivado a cada vez que uma novela brasileira retrata lá fora a beleza de nossas paisagens. A procura dos russos por pacotes de viagem para o Brasil, depois que nossas novelas chegaram lá, cresceu muito.?

A influência é tanta, conta Casé, que nossos atores acabam virando galãs internacionais. ?Fagundes não pode andar tranqüilo pelas ruas do Chile. A mulherada pula no pescoço dele mais do que aqui?, continua, rindo. ?A Giovanna (Antonelli) foi muito reconhecida pelo público nos Estados Unidos na época de O Clone e Lucélia Santos, até hoje, é personalidade na China, por causa de Escrava Isaura.?

Esse, por sinal, é, ainda hoje, um dos fenômenos em vendas e repercussão internacional. Em Cuba, por exemplo, o governo cancelou o racionamento de energia para que todos pudessem assistir à trama. Na Rússia, chegaram a incluir a palavra ?fazenda? no vocabulário local por causa da novela. Junto de Terra Nostra, Escrava Isaura é um dos maiores sucessos de vendas internacionais da Globo, comercializada para mais de 80 países. ?Do jeito que está crescendo o número de canais de TV espalhados pelo mundo, e a necessidade de abastecê-los com produções independentes, a exportação da nossa teledramaturgia está só no começo de sua trajetória?, acredita Casé.”

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