Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > AOL EM CRISE

Daniel Oliveira

Por lgarcia em 12/02/2003 na edição 211

PORTUGAL / TV

“Como a TV Vê o Povo”, copyright Público (www.publico.pt), 5/02/03

“Para esta televisão, um programa é bom se tiver audiência. É muito bom se além disso for barato. É excelente se for péssimo e causar polémica. A ética do entretenimento dá-se, assim, muito bem com a contestação. A ética do entretenimento é a ética da audiência

Pelo menos uma coisa Eduardo Cintra Torres coloca de forma certeira: nas polémicas em torno de programas como o Bombástico e Eu Confesso são as diferenças de classe que estão no centro de tudo. Afirma Cintra Torres, em texto no PòBLICO, que estes programas pretendem ?falar em nome de estratos sociais e muitas vezes conseguem fazê-lo, ou, pelo menos, os espectadores acreditam nisso, o que é importante como processo de identificação?. E afirma ainda que ?os capitalistas da televisão mostram e denunciam desigualdades da sociedade capitalista para assim melhorarem os resultados das suas empresas capitalistas?. Para Cintra Torres, é ver estas classes na televisão que choca e melindra as elites.

Basta ver o reduzido espaço que as reivindicações de um grupo de trabalhadores têm na TV, quando comparadas com as exigências de uma Ordem dos Médicos ou de uma associação empresarial, para perceber que as classes mais baixas estão muito longe de conquistar a televisão. O povo não está na TV. A TV descobriu que o popular anónimo é uma personagem inesgotável. São coisas muito diferentes.

O que está na TV é o olhar das elites sobre o povo. O povo transformado em palhaço, gente que, não dominando a linguagem televisiva, está num estúdio, como uma marioneta, disposta a tudo, sem um milímetro de espontaneidade. O povo é ali, mais uma vez, carne para canhão.

É sintomático que Eduardo Cintra Torres utilize a classificação da publicidade para falar de classes sociais. Esta classificação dirige-se ao consumo. E é esta visão estreita que estreita o raciocínio de Cintra Torres. Há muitos povos no povo e há um bem mais letal para as elites. Para esse, a televisão não tem espaço. As reportagens sobre o encerramento da Clark?s (essas, sim, um episódio extraordinário de democracia na televisão) mostram que há muitos olhares sobre a mesma realidade. Ali viu-se dignidade. E o povo é o mesmo. A diferença está nas circunstâncias e em quem o mostra. E a diferença é também outra, que não cabe nas classificações de Eduardo Cintra Torres: as pessoas são contraditórias, independentemente da classe a que pertencem.

Uma das características do populismo é que mostra a injustiça, a indignação e o sofrimento de forma descontextualizada. Recusa-se a dar espaço de representação à revolta organizada, porque a representação destes sentimentos é feita de forma oportunista e inconsequente. A televisão representa estes sentimentos como espectáculo, não pondo nada em causa, incluindo o seu próprio poder. Apenas as usa como entretenimento. Em grande parte dos casos, programas como o Bombástico e o Eu Confesso lumpenizam o protesto. São os ?freaks? que o circo antes levava às cidades.

Mas, para além da questão de classe, Cintra Torres passa sem grande alarido pela questão dos direitos, como se as duas coisas não fossem a mesma. É precisamente nestes casos, em que estão em causa direitos de quem não tem meios para se defender, que a intervenção do Estado deve ser mais enérgica.

O protesto não chega. Para esta televisão, um programa é bom se tiver audiência. É muito bom se além disso for barato. É excelente se for péssimo e causar polémica. A ética do entretenimento dá-se, assim, muito bem com a contestação. A ética do entretenimento é a ética da audiência. E a audiência não é um acto de escolha moralmente dirigida. Vi o Eu Confesso e o Bombástico. Acho asqueroso e vi. A minha escolha foi comandada pela curiosidade e pela inércia, que nada têm de democrático. A democracia não está num telecomando. A democracia só é democracia se exigir esforço e debate.

Apesar de não ser eleita, sufragada ou fiscalizada, a televisão julga-se acima de todas as regras – só obedece às do mercado -, vê na regulação uma tentação de censura e acredita ter uma legitimidade acima de todas as outras. Mas, goste-se ou não, é ao Estado que cabe o papel de árbitro.

Existem três soluções para travar os excessos. Uma é a solução PP: proibir por decreto, definir uma moral de Estado, que junta violação do direito à imagem com defesa dos bons costumes, e, caso a caso, intervir. É uma caixa de Pandora de consequências previsíveis. Outra é a de Eduardo Cintra Torres: uma espécie de solução anarco-liberal, em que a ?sociedade civil? substitui o Estado, o que é o mesmo que dizer que quem tem mais força para se fazer ouvir será ouvido e os outros que se amanhem.

A terceira solução é a da regulação. Já se percebeu que os próprios não a garantem. Para além de investir num serviço público de televisão agressivo e num poder judicial rápido e com instrumentos eficazes de punição, o Estado deve garantir a existência de uma verdadeira entidade reguladora. As licenças atribuídas devem ser claras nas obrigações dos operadores. Quando um canal de televisão não as cumpra, essa entidade deve puni-lo e, em último caso, retirar-lhe a licença, com possibilidade de recurso aos tribunais.

Para todos os mercados há regras. A televisão não pode ser diferente. Apenas se tem de garantir que cada decisão não está sujeita ao gosto discricionário de cada um. Porque não gostava de ver nem um juiz nem um ministro do PP a decidir o que deve passar na TV. Para Big Brother, já nos chega o da TVI.

*Dirigente do Bloco de Esquerda”

 

TV A CABO

“Reestruturação nas revistas de TV a cabo”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 5/02/03

“As editoras Abril e Globo, numa incrível coincidência (será? – perguntariam os mais desconfiados), estão anunciando quase ao mesmo tempo a reestruturação das publicações que ambas mantêm dirigidas aos assinantes do serviço de tevê a cabo TVA (Abril) e NET (Globo).

Como se sabe, tanto uma quanto outra têm milhares de assinantes e, diante disso, uma excepcional oportunidade de negócios, inclusive na área editorial, nesse mercado. A revista da Net, por exemplo, tem uma tiragem de 309 mil exemplares auditada pelo IVC, figurando, desse modo, seguramente entre as dez ou quinze maiores publicações do País. E a revista da TVA não fica muito por baixo, ostentando uma circulação que bate nos 230 mil exemplares.

As mudanças efetivadas passam por uma ampla reestruturação editorial e operacional e também pela mudança de nome. Net deixa de existir dando lugar ao título Monet, e a revista da TVA passa a se chamar Muito Mais TV – A revista da televisão por assinatura.

Monet, que terá campanha baseada no slogan A arte de viver, foi apresentada à imprensa, agências de propaganda e anunciantes nesta última 3? feira (04/02), num café da manhã, em São Paulo. A nova revista será lançada no final de março, contemplando um conteúdo editorial sofisticado com matérias de comportamento, em setores como consumo, estilo de vida etc. O guia de programação, que era o conteúdo principal da atual versão, vai virar um caderno encartado na publicação, porém com novo projeto gráfico para facilitar a leitura. Terá no comando o redator-chefe Alexandre Maron. Estão também na equipe Demerval Ferraro Jr., editor, Luís Alberto Nogueira e Natalie Antar (repórteres) e Humberto Perón (redator).

A Muito Mais TV, da TVA, além reestruturação editorial, muda também de empresa. A Abril decidiu rescindir o contrato que mantinha com a ZEM Editora, de José Eduardo Mendonça, e vai produzi-la internamente dentro do núcleo de publicações customizadas da Direção Editorial Adjunta, sob o comando de Laurentino Gomes. O primeiro número da nova publicação está previsto para abril, tendo Ricardo Vilella como editor.

E não se deve estranhar se dentro de algum tempo a TV Guide americana desembarcar por aqui.

Já houve, certa ocasião, uma tentativa, ocorrida em 1975, quando a própria Editora Abril comprou os direitos da publicação e lançou a TV Guia, sucessora da histórica InTerValo, no Brasil. Não deu certo. A experiência durou menos de um ano (seis meses de banca). Só que naquela época não tínhamos ainda tevê a cabo e a Globo exercia, muito mais do que hoje, um verdadeiro monopólio no mercado.”

 

AOL EM CRISE

“Ted Turner vende U$ 5 mi em ações da AOL”, copyright Folha de S. Paulo, 8/02/03

“O executivo, que é o maior acionista individual da AOL Time Warner, anunciou há poucos dias que deixará em maio a vice-presidência do grupo. Além disso, ele doou outro 1,7 milhão de ações -que valem hoje cerca de U$ 19 milhões- a projetos da ONU (Organização das Nações Unidas)”

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