Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > O POVO

Débora Cronemberger

Por lgarcia em 19/12/2001 na edição 152

O POVO

"Ausência que não se justifica", copyright O Povo, 16/12/01

"Na última terça-feira, os mais de 50 deputados e senadores que compõem a Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional ouviram dois depoimentos de um assunto que muito diz respeito ao Ceará. Atendendo a um requerimento do deputado federal José Pimentel (PT), a Comissão convocou o presidente do Banco do Nordeste, Byron Queiroz, e o ex-diretor financeiro do BN, Antônio Carlos Coelho, para tratar de algumas polêmicas em torno dos números da instituição. Não houve cobertura sobre o assunto no O Povo, no Diário do Nordeste, nem em jornais de outros estados que eu tenha lido pela Internet (Folha de S.Paulo e Estado de São Paulo, por exemplo).

Já é ruim suficiente que o assunto tenha passado despercebido por jornais do Sudeste. Pior ainda é que isso tenha acontecido em jornais do Estado onde o BN é sediado, da região onde o banco tem poder direto de atuação. Em torno do Banco do Nordeste gravita uma grande quantidade de informações que precisam ser esclarecidas. As contradições entre números apresentados no balanço oficial da instituição e o parecer de auditores independentes são apenas um exemplo. Essas contradições, já tratadas nesta coluna por duas vezes, denotam um cenário que contraria a legislação que rege o sistema financeiro nacional. E segundo a lei, omissão ou falseamento de informações em balanços financeiros, situação denunciada na Comissão Mista do Orçamento, é motivo forte o suficiente para reclusão de 1 a 5 anos, além de multa, segundo a lei 7.492/86.

Se em alguma situação a legislação claramente não é cumprida, o sentimento que tenho, como leitora e como cidadã, é de espanto e de indignação. O mesmo que surge, por exemplo, quando leio em manchete de página que a Câmara Municipal de Fortaleza aprova uma lei, sugerida pela própria Mesa Diretora, e depois passa por cima dessa mesma lei sem maiores pudores ? estou me referindo à determinação da direção da Câmara de que seja secreta a votação de vetos do prefeito, apesar da Câmara ter aprovado, em setembro, projeto de lei que proíbe votações secretas sobre assuntos de quaisquer naturezas. Na época da aprovação do projeto, a transparência da Casa foi elogiada e reconhecida em editoriais como um avanço que deveria servir de parâmetro para outras instituições legislativas. Se o atropelo a uma lei, no caso da Câmara Municipal de Fortaleza, mereceu destaque do jornal na última semana, as polêmicas que vão num rumo parecido deveriam também ganhar destaque no caso do Banco do Nordeste.

Iniciativa para apuração

O diretor-executivo da Redação, Arlen Medina, diz que o jornal não recebeu matéria de agência de notícias sobre os depoimentos em Brasília. Ele reconhece que isso não justifica a ausência de cobertura, uma vez que o assunto é de interesse público e a apuração pode nascer de iniciativa própria, sem estar condicionada ao envio de agências. ?Foi uma falha da Redação. Não recebemos matéria de agência, mas poderíamos ter checado com fontes em Brasília?, afirma.

Sendo assim, o problema neste caso do Banco do Nordeste não é de compromisso do jornal com a instituição do banco, o que significaria um duro golpe para a credibilidade do próprio jornal. Um exemplo de que não há restrição na Redação quanto a polêmicas sobre o Banco do Nordeste é que esta semana saiu reportagem sobre o golpe aplicado pelo chinês naturalizado brasileiro Chhao Kwo Chheng no Ceará. Três professoras de Guaramiranga, que ganham um salário mínimo por mês, estão sendo cobradas pelo Banco do Nordeste por uma dívida de mais de R$ 1,7 milhão. A razão? As três participaram de cooperativa que trabalhava com o empresário chinês. Ele recebeu o dinheiro do BN e sumiu do Ceará. O difícil é compreender, como explica a matéria publicada no O Povo da semana passada, por que razão o BN cobra das professoras e não do empresário, que hoje está preso em Manaus (AM).

Foi um ponto positivo do jornal na semana, portanto. Quanto à importante lacuna sobre os depoimentos de terça-feira, ainda é possível ? e necessário ? resgatar o tema. O assunto continuará pertinente, uma vez que envolve verbas públicas.

Adoção de novo procedimento

Na edição do dia 8 deste mês, O Povo publicou um caderno de seis páginas com os valores do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para o próximo ano. Na edição da segunda-feira seguinte, o jornal republicou o caderno. O motivo é que a relação de sábado estava errada. O leitor que tenha se orientado pela lista de sábado, é prudente checar se o valor sofreu alguma modificação. Curioso que eu não tenha recebido qualquer queixa de leitor: no sábado, o que era para ser um serviço virou um desserviço, portanto. O diretor-executivo da Redação, Arlen Medina, explicou que o problema começou com o disquete enviado pela Secretaria da Fazenda (Sefaz). O sistema do jornal, ao ler as informações do disquete, identificou uma lacuna que ocasionou a sucessão de troca de valores.

O diretor-executivo reconhece, no entanto, que uma revisão no jornal teria evitado a impressão incorreta dos dados. Tanto é que o Diário do Nordeste, por exemplo, publicou a lista no sábado e não houve necessidade de retificação. ?Daqui para frente, a revisão dessas listas longas, por amostragem, vai ser um procedimento na redação. Não havia essa revisão anteriormente porque não havia problemas no sistema do jornal com a formatação das listas nos disquetes. Como aconteceu esse caso, se chegar a relação dos candidatos aprovados no vestibular, por exemplo, alguém do Núcleo de Cotidiano vai fazer uma revisão por amostragem. Da mesma forma que se chegar a lista dos candidatos a deputado, alguém do Núcleo de Conjuntura fará a revisão, e assim por diante?, afirmou."

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