Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > O POVO

Débora Cronemberger

Por lgarcia em 29/08/2001 na edição 136

O POVO

"Debate fundamental na imprensa", copyright O Povo, 26/8/01

"Na última terça-feira houve um caso de seqüestro de repercussão nacional. A filha do apresentador e empresário Sílvio Santos, Patrícia, foi levada da garagem de casa em São Paulo. A cobertura de veículos de comunicação sobre o caso mostra bem como alguns temas estão longe de um consenso entre os profissionais que fazem a imprensa do país.

Uma das primeiras exigências dos seqüestradores foi o afastamento imediato da polícia e da imprensa, durante o período de negociações. O Jornal Nacional, da Rede Globo, veiculou matéria sobre o caso, inclusive falando de carta assinada por Sílvio Santos, pedindo que a imprensa se afastasse, já que havia dado sua palavra aos seqüestradores nesse sentido. O apresentador William Bonner informou, logo em seguida, que a Rede Globo iria manter a cobertura do caso, cumprindo uma decisão adotada pela emissora em 1990, baseada na crença de que a suspensão da cobertura facilita a ação dos seqüestradores. Na seqüência, foi veiculada entrevista com o coordenador do Disque-Denúncia do Rio de Janeiro, que defendeu a manutenção da cobertura da imprensa em casos de seqüestro. O argumento da Globo não foi considerado bom o suficiente para a família do empresário, que entrou na Justiça contra a emissora por danos morais. Ganhou em primeira instância.

Os dois principais jornais impressos paulistas, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, foram na direção contrária da emissora. Não houve chamada de capa para o seqüestro. Aliás, não houve sequer menção ao fato, nem no jornal, nem no portal de notícias da Internet. A Agência Estado chegou a fazer matérias sobre o assunto, mas deixando claro que a publicação do material ficava a critério de cada veículo, pois o jornal Estado de S.Paulo não vinha tratando do tema.

Reflexão para profissionais e estudantes

Não é um debate fácil, pois há bons argumentos de ambos os lados. Uma razão para um veículo manter a cobertura certamente deve ser o propósito de contribuir para que a agonia da família termine o mais rápido possível. Já tratei desse assunto nesta coluna há cerca de um mês e ainda acho que o risco é muito grande. Até considero importante dar a notícia do seqüestro, mas acredito que a cobertura deve ser suspensa imediatamente no caso da família fazer um pedido nesse sentido, como aconteceu no caso de Sílvio Santos. É a única situação que me ocorre em que defendo que a imprensa tenha um papel passivo, que seria publicar apenas informações oficiais da polícia ou de interesse da família do seqüestrado. De qualquer forma, eis um assunto que divide muitas opiniões, e por isso tão necessário para debate junto aos sindicatos e faculdades de comunicação.

Enquete x credibilidade

O portal Noolhar.com, do O POVO, lançou a proposta este mês: uma enquete para saber o time do futebol cearense que conta com a torcida do internauta. As opções da enquete são Ceará, Fortaleza, Ferroviário e outros. O POVO publicou matérias sobre essa consulta junto aos internautas, e comprometeu-se a publicar o resultado da enquete no final deste mês. Eis um exemplo de matéria que, ainda não feita, já provoca polêmica.

Na última semana, a enquete provocou bastante discussão entre leitores do O POVO, que questionaram evolução sem lógica nos resultados parciais. As críticas invariavelmente vão em direção à credibilidade do O POVO e do Portal. O leitor Chateaubriand Filho deu um exemplo: ?Domingo à noite dei uma olhada e o Ferroviário estava com 49% de votos, o Fortaleza em segundo e o Ceará em terceiro… Ontem já fui olhar de novo e o Fortaleza e Ceará estavam lá na frente quase empatados e o Ferroviário em último! Que pesquisa é essa??, questionou com indignação. Na última sexta-feira à tarde, o resultado parcial era o seguinte: Fortaleza tinha 48,07% dos votos, Ceará tinha 43,49%, Ferroviário, 6,03% e outros, 2,38%.

Realmente, houve alterações bem significativas nos resultados parciais, e a explicação é a seguinte: a equipe do portal vem travando uma batalha contra ?hackers? – designação de pessoas com conhecimentos de informática, que utilizam este conhecimento para o benefício de pessoas que usam o sistema, ou contra elas. Desde que a enquete teve início, a equipe do Portal vem se cercando de cuidados para que o resultado corresponda fielmente aos votos dos internautas. Não tem sido sempre assim, por ação dos hackers, que invadem o sistema do portal e conseguem alterar irregularmente os percentuais das torcidas. Identificada a entrada irregular no sistema, a equipe do Portal retira os votos irregulares. Houve o caso, por exemplo, de um mesmo internauta que conseguiu votar mais de 5 mil vezes no Ferroviário, daí o resultado parcial de domingo à noite.

Vitória a qualquer preço?

?Lamento que alguns desportistas queiram ganhar a enquete no tapetão, criando programas para fraudar a votação?, afirma o diretor de Jornalismo do Portal Noolhar.com, Ismael Furtado. ?Nossos números são sérios. Se momentaneamente os resultados parciais ficaram comprometidos por conta desses atos ilegais, em seguida os dados duplicados foram retirados. As pessoas podem acreditar no nosso trabalho?, acrescenta.

É bom que se diga que uma enquete jamais poderia se apresentar como a prova cabal sobre o tamanho das torcidas cearenses. Apenas uma pesquisa detalhada poderia apurar isso. ?Nosso interesse é promover o esporte e o futebol cearense. A gente quer um indicador, mas sabe que a enquete é um retrato de um momento, junto a internautas, um público específico. As pessoas não deveriam encarar isso como uma guerra. A enquete deveria refletir o espírito do esporte: uma competição, mas dentro de regras civilizadas. É lamentável que algumas pessoas queiram ganhar de forma fraudulenta?, conclui Ismael."

    
    
                     

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