Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > CINEMA BRASILEIRO

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Por lgarcia em 06/01/2004 na edição 258

BIG BROTHER BRASIL

“?Big Brother? é líder absoluto na TV paga”, copyright Folha de S. Paulo, 01/01/04

“Pelo segundo ano consecutivo, o programa mais visto da TV paga é uma produção original da TV aberta. No ranking das 150 exibições de maior audiência da TV fechada em 2003, o ?reality show? ?Big Brother Brasil?, da Globo, apresentado no Multishow, ocupa 57 das 60 primeiras posições.

?BBB 3? aparece isolado nos 19 primeiros lugares _cada posição se refere a um dia diferente de exibição. A apresentação de maior audiência foi a de 9 de março, um domingo, a partir das 23h43. Foi assistido no Multishow por 723.553 telespectadores.

O ?reality show? é um fenômeno na TV paga porque é exibido pelo Multishow logo após o final dos episódios da Globo. Atrai muitos telespectadores principalmente nos dias de indicação para o ?paredão? e de eliminação. A TV paga mostra o clima na casa imediatamente após o acontecimento de um ?fato relevante? para os competidores.

A 20? maior audiência da TV fechada em 2003 foi o jogo de basquete masculino entre Brasil e República Dominicana no Pan de Santo Domingo, dia 6 de agosto, no SporTV, com 556.982 telespectadores. Também pelo SporTV, Santos x Cruzeiro, em 10 de maio, emplacou a 44? posição.”

 

ROBERTO CARLOS NO NYT

“?New York Times? descobre Roberto”, copyright O Estado de S. Paulo, 31/12/03

“Mais prestigioso jornal americano, o The New York Times nunca tinha dedicado um artigo ao maior cantor popular da América Latina. Falou sobre meio mundo:

Luciana Souza, João Gilberto, Gal, Caetano, Gil, Tom Zé e até Vírginia Rodrigues. Mas nunca de Roberto Carlos.

Mas o NYT penitenciou-se neste Natal. Assinado pelo correspondente Larry Rohter, o artigo intitula-se Songs by a Man with Heart Mean Christmas in Brazil. Lembra que Roberto está para a música popular no Brasil como Pelé para o futebol, que vendeu cerca de 100 milhões de discos e que começou na mesma época de Elvis Presley, e continua produzindo.

Rohter, que se confessou espantado com essa lacuna nos arquivos do seu jornal, resolveu ir à coletiva do ?Rei? no Rio de Janeiro, num hotel de Ipanema. Ouviu o novo disco do cantor, Para sempre, e buscou referências em livros e depoimentos, como o de Caetano Veloso, que diz que Roberto representa um ?Brasil profundo?.

O jornalista também ouviu e citou Jotabê Medeiros, crítico do Estado:

?Roberto Carlos é parte tão fundamental do Natal dos brasileiros quanto o peru para vocês. Para muita gente aqui, a primeira memória musical é um disco de Roberto como presente de Natal.?

Numa biografia sintética, Rohter descreve o começo humilde do cantor em Cachoeiro do Itapemirim, sua liderança no grupo da Jovem Guarda (Young Team, para o diário) e sua importância na cena musical. ?Ele também desafiou as convenções ao introduzir instrumentos elétricos na música popular brasileira, pavimentando a estrada para o movimento tropicalista liderado por mr. Veloso e mr. Gil?, conta Rohter.

Segundo o cantor romântico Julio Iglesias, fã declarado de Roberto Carlos, o brasileiro só não tem um público internacional maior porque não faz esforço nessa direção. Larry Rohter lembra que Roberto é ?virtualmente desconhecido? nos Estados Unidos, exceto pelas platéias hispânicas e de língua portuguesa, apesar de ter lançado dois discos em inglês.

O texto ressalta as excentricidades, mas também o fascínio do artista.

?Roberto Carlos tem uma reputação de ser recluso e inacessível. Mantém distância de nightclubs, estréias e restaurantes da moda que as celebridades freqüentam e grava no seu estúdio caseiro, num tranqüilo bairro de classe média?.”

 

MICHAEL JACKSON E CBS

“Emissora pagou a Michael US$ 1 milhão por entrevista”, copyright O Estado de S. Paulo, 01/01/04

“Los Angeles ? O cantor Michael Jackson recebeu US$ 1 milhão pela entrevista que deu ao programa 60 Minutes, da rede CBS. A entrevista foi ao ar no domingo. A informação, divulgada na edição de ontem do The New York Times, tem como fonte uma pessoa que trabalha com Michael e não quis se identificar. A remuneração é parte de um acordo maior que estava em andamento havia um ano e inclui um especial de entretenimento que irá ao ar amanhã.

Um porta-voz do 60 Minutes negou que o cantor tenha recebido pela entrevista. ?A CBS não paga por entrevistas.? Mas o informante da equipe de Michael disse que o pagamento foi parte de um acordo original de US$ 5 milhões entre o cantor e a CBS, dos quais a rede de televisão já havia adiantado anteriormente US$ 1,5 milhão.

O pacote incluía a produção de um especial com o cantor. Os planos originais foram alterados em novembro, quando Michael teve a prisão decretada na Califórnia pela acusação de ter molestado sexualmente um adolescente. Com o escândalo, ocorreu uma nova rodada de negociação. Ficou decidido que o cantor receberia mais US$ 1 milhão pela entrevista ao 60 Minutes. Dessa forma, a CBS teria uma oportunidade de veicular, em seguida, o especial.

?Eles pagaram a Michael pela entrevista, mas não com recursos do 60 Minutes?, disse a fonte ligada ao cantor. ?Michael foi pago com verba de entretenimento da CBS. Assim, a rede pode dizer que o 60 Minutes não pagou nada.? Ainda não está claro quanto o astro vai receber ao todo.

Policiais da Califórnia decidiram ontem descrever em detalhes como prenderam Michael. O cantor reclamou na entrevista à CBS que teve o ombro deslocado quando o algemaram. ?Ele foi tratado com cortesia e profissionalismo durante todo o processo de prisão?, garantiu o xerife do condado de Santa Bárbara, Jim Anderson. (NYT e AP)”

 

OS PIORES DA TV

“Teleretrospectiva 2003”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 29/12/03

“Nesta época do ano, todos os críticos de televisão costumam divulgar as suas listas com os melhores e piores programas do ano. Não há como evitar. É a febre das listas. Mas em tempos de ?jornalismo interativo?, queria tentar algo diferente. Conto com a ajuda dos nossos internautas para destacar os bons e maus momentos da televisão brasileira. Tenho certeza de que a ?nossa? lista fará justiça.Aqui nos Estados Unidos, tenho a destacar a programação da rede pública de televisão, a PBS, Public Broadcasting System Apesar de contar com mais de 300 canais (sic) no sistema de TV por assinatura, acabo sempre assistindo ao velho canal 13. Um dia desses, acompanho a decisão de tantos telespectadores insatisfeitos com as TVs a cabo e simplesmente cancelo a minha assinatura. Faria uma grande economia. A programação da PBS é imbatível. Destaco o especial sobre os Blues. Grandes diretores de cinema como Win Wenders, Martin Scorcese e Clint Eastwood, entre outros deram um verdadeiro ?banho? de televisão. O melhor da música americana, o velho e injustiçado Blues teve tratamento cinematográfico. Cada episódio descrevia um detalhe da trajetória do Blues americanos e contava uma história diferente. Tudo com muito talento e criatividade. A série completa foi apresentada em sete segmentos e o meu favorito foi o documentário dirigido pelo Win Wenders, The Soul of a Man (A alma de um homem). Ele descreve o seu trabalho mais como um ?poema? do que um documentário. ?Tentei mostrar o que essas músicas significaram para mim em termos de sentimento, mais do que palavras?. Poema ou documentário, tanto faz. Wim Wender viaja pelo passado e o presente do Blues com imagens e sons incríveis. Ele convidou grandes estrelas da atual música americana como Lou Reed, Cassandra Wilson e Nick Cave para fazerem uma ?releitura? de verdadeiras relíquias dos precursores do Blues como Skip James, Blind Willie Johnson e J.B. Lenoir. A série inteira é um belo exemplo do melhor do cinema, da música, e principalmente da televisão. A boa notícia é que você pode assistir aos melhores momentos aqui ou encomendar qualquer um dos programas da série em VHS no site da PBS. Não é um presente barato, custa cerca de 130 dólares, mas vale cada centavo. De qualquer maneira, fica aqui a dica para o GNT, o nosso melhor canal de documentários. Apesar da crise, dos custos em dólares, e da inadimplência dos assinantes, quem sabe eles não resolvem contrariar as expectativas pessimistas e exibir a série no Brasil? Aqui entre nós, vale a pena.

Outro destaque da televisão americana, obviamente é ?britânico?. O que seria do mundo e da televisão sem a BBC. Várias pessoas me perguntam qual é o meu programa de televisão favorito aqui nos EUA. Não preciso pensar duas vezes. É o History Explorer apresentado no History Channel International. Você pode visitar o site e dar uma conferida no programa. Como toda a boa idéia para uma televisão inteligente, a fórmula do History Explorer é muito simples. Os produtores da série aproveitaram as técnicas dos realities shows para acompanhar uma equipe de arqueólogos. O Time Team tem somente três dias para fazer uma grande descoberta para o público do programa. Tudo é mostrado com muita agilidade, depoimentos curtos e objetivos com muito bom humor. O excelente apresentador do Time Explorer, Tony Hicks, consegue transformar o trabalho meticuloso e chato dos arqueólogos em algo emocionante e televisivo. A equipe sai esburacando os jardins, estacionamentos ou qualquer outra área livre do Reino Unido à procura de relíquias arqueológicas.

É uma espécie de programa no estilo ?busca ao tesouro? com recursos tecnológicos mais modernos e a colaboração valiosa de especialistas em diversas áreas do conhecimento. Sei que é difícil imaginar ou descrever o programa. Tenho certeza de que muitos leitores devem estar achando que não passa de mais um programa ?chatíssimo? da televisão britânica. Mas o segredo do programa está nos recursos visuais para a recriação de época e no material humano ? os arqueólogos que trabalham no programa são sempre os mesmos, verdadeiros atores natos. A computação gráfica dá um show a parte. O programa é uma verdadeira ?máquina do tempo? que transporta a vida cotidiana em um passado remoto. Os modernos conhecimentos de restauração histórica são utilizados para mostrar como um pequeno pedaço de vidro encontrado no meio de uma escavação pode significar um belíssimo vitral de uma catedral ?submersa? em centenas de anos de ocupação urbana. Programas como esse provam que a televisão educativa não precisa ser cara ou chata. O último programa foi um especial sobre Corinium, A atual cidade Cirencester que foi um antiga cidade romana em plena Inglaterra. A equipe saiu fazendo enormes buracos nos jardins dos pobres dos ingleses. Quem os conhece sabe como deve ter sido difícil permitir o ?sacrilégio?. Mas valeu a pena. Os arqueólogos do History Explorer conseguiram inúmeros artefatos dos tempos romanos e revelaram ao mundo um belíssimo mosaico colorido que estava perdido há 1.700 anos. Dá para sentir a emoção da equipe e dos telespectadores? E todo esse trabalho frenético, da maior importância arqueológica e televisiva durante 3 dias é condensado em 30 minutos do melhor da televisão.

O History Explorer faz sucesso e comprova que televisão é antes de tudo criatividade, competência e ousadia. Apesar das fortunas gastas pelos produtores americanos, os britânicos ainda fazem o melhor da televisão.

Quanto ao ?pior? programa da televisão americana é sem duvida o Smack Out, ou World Wresting Championships. Gente, vocês não iriam acreditar. O nosso velho Telecatch Montila que tanto sucesso fez na televisão brasileira nos anos 60 com os grande Ted Boy Marino e Fantamos, aqui, nos Estados Unidos, esse tipo de programa não morreu. Continua fazendo o maior sucesso, em horário nobre com enorme audiência . Inacreditável! Mas, agora, o Telecatch americano está super sofisticado. Tem enredo ou trama que se parecem muito com verdadeiras ?novelas?, efeitos especiais de ultima geração, público cativo e entusiasmado em grandes arenas por todo o país garantem uma audiência giganteca e patrocínios milionários. A fórmula continua a mesma. Um monte de lutadores enormes, todos ?canastrões? enganando um público que adora ser enganado. É um show de violência de mentirinha! Os americanos vibram com a violência explícita do programa. Mas ninguém se machuca. Os lutadores são grandes ?artistas?. Essa semana teve até um especial para as tropas americanas que estão servindo em Bagdah transmitido ao vivo para todo os EUA. Como se os soldados americanos não tivessem ?violência? suficiente no Iraque de hoje. Em outros tempos, durante a guerra do Vietnam, tão bem retratado pelo Francis Coppola em Apocalypse Now, os soldados americanos preferiam assistir aos shows das ?coelhinhas da Playboy?. As meninas sumiram, a Playboy, hoje, luta para sobreviver, mas o Telecatch sobrevive firme e forte nos EUA. É tema para diversas pesquisas acadêmicas de universidades americanas que tentam explicar o inexplicável. Mas aqui entre nós, não contem para ninguém, mas o programa é ?engraçadíssimo?, imperdível. É uma dessas ?baixarias? televisivas que adoramos assistir para poder falar mal. Algo parecido com os nossos Gugus e Faustãos. Todo mundo critica, mas ninguém perde um programa.

E no Brasil? Qual seriam os melhores e os piores momentos de 2003?

A discussão está aberta!”

 

CINEMA BRASILEIRO

“Cinema Nacional”, copyright Folha de S. Paulo, 05/01/04

“É alvissareira a notícia de que o número de pessoas que assistiram a filmes brasileiros em 2003 cresceu mais de 200% em relação ao ano anterior. Entre os dez longas-metragens mais vistos no país, três foram brasileiros. Em termos absolutos, o público do cinema nacional saltou de 7,2 milhões de espectadores em 2002 para vultosos 22 milhões no ano passado.

O sucesso foi tamanho que especialistas acham difícil uma repetição do desempenho agora em 2004, quando as estréias internacionais deverão ser mais fortes e o número de lançamentos de candidatos a campeões de bilheteria brasileiros não deverá ser tão elevado. O importante, porém, é que a indústria cinematográfica nacional parece estar num movimento ascendente quando se considera a série histórica.

Um dos elementos a explicar o resultado é a crescente qualidade da filmografia brasileira. Para que o público acorra às salas é preciso antes de mais nada matéria-prima, isto é, filmes interessantes. Não é demais lembrar que há poucas salas no país e que o preço do ingresso não é baixo diante da renda média do brasileiro.

Outro fator considerável é a mídia. As três fitas nacionais mais vistas trazem todas o selo da Globo Filmes, braço cinematográfico da TV Globo, que exibiu em sua programação comerciais de suas estréias, dando-lhes uma visibilidade inédita.

Seria precipitado afirmar que a indústria cinematográfica brasileira caminha para a viabilidade comercial. São poucos os países em que essa atividade é inteiramente sustentável. Subsídios e normas de proteção são uma constante. Esses benefícios, porém, devem ser pensados de modo a estimular a formação de verdadeiros investidores, agentes que efetivamente apliquem recursos próprios, avaliando riscos e buscando retorno. Não basta conceder, como hoje ocorre, isenção fiscal a empresas muitas vezes alheias ao processo de formação e fortalecimento da indústria audiovisual no país. É preciso aprofundar o debate em torno dos critérios para a concessão dos incentivos, que são dinheiro público e devem, portanto, não apenas receber tratamento transparente como ter uso racional e eficiente.”

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