Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > NOVELAS

De olho no metrô londrino

Por lgarcia em 19/12/2001 na edição 152

RUPERT MURDOCH

Rumores afirmam que a News International está planejando introduzir no mercado londrino um jornal diário de graça para competir com o também gratuito Metro, da Associated Newspaper, e com o pago Evening Standard.

Se o projeto for adiante, é provável que provoque reação hostil da Associated e desencadeie novas disputas, iniciadas nos anos 80, quando Robert Maxwell lançou o London Daily News. Em 9 de dezembro, segundo Julia Finch [The Guardian, 10/12/01], a News International, publisher do Times e do Sun, ofereceu 4 milhões de libras por ano à Railtrack pelos direitos de distribuição exclusivos nas principais estações de metrô. Esse contrato pertence no momento ao Metro, mas expira em março de 2002. Especula-se que a Associated está determinada a renovar o contrato, uma vez que investiu no projeto do Metro na esperança de gerar grandes lucros. A oferta da News International, porém, soma três vezes mais o que está pagando a Associated.

O projeto da News International é tido como invenção de seu próprio presidente e executivo-chefe, Rupert Murdoch. A idéia era fazer um jornal gratuito 24 horas cujo lucro proviesse de generosas páginas dedicadas ao mercado de anúncios classificados, atualmente dominado pelo Evening Standard. Em suas diversas edições, o jornal da Associated tem circulação total de 820 mil exemplares. O plano da News International aspira a uma circulação de 240 mil, com mais 400 mil no horário da volta do trabalho para casa.

JORNALISMO ONLINE

Sítios noticiosos de internet têm direito à mesma proteção prevista pela Primeira Emenda da Constituição americana para veículos impressos, é o que decidiu a Suprema Corte de Nova York no caso Banamex (Banco Nacional do México) contra Narconews.com.

No ano passado, o Banamex entrou com processo por difamação contra o sítio ? um boletim de notícias sobre o tráfico de drogas na América Latina ? quando este publicou matérias relacionando o então presidente do banco ao comércio ilegal. O caso ganhou destaque após a juíza Paula Omansky concluir que o banco não conseguiu provar que a página tinha intenção de ofender a instituição ou interesse financeiro em fazê-lo. O tribunal então decidiu que o Narco News é "um réu midiático e tem direito à proteção da Primeira Emenda". E acrescentou que a natureza dos artigos divulgados no sítio é de interesse público, "porque a informação tem relação com o comércio de drogas e seu efeito sobre as pessoas".

Mark K. Anderson [Wired, 11/12/01] conta que o editor do sítio, Al Giordano, espera que a decisão incentive jornalistas de internet a enfrentar interesses de poderosos. Cindy Cohn, diretora da Electronic Frontier Foundation, também viu a notícia com otimismo: "Estamos felizes que a corte tenha prestado atenção ao nosso conselho, que era de garantir que jornalistas online sejam tratados como os profissionais offline: com o mesmo grau de proteção da Primeira Emenda contra ações de difamação."

NOVELAS

Hajj Metwalli, protagonista da novela de maior audiência no Egito, tem três mulheres e está pensando em arranjar uma quarta. Todas moram em aposentos idênticos e recebem o mesmo tratamento do marido, que divide suas noites baseado numa tabela. Hajj é a versão egípcia de Ali, personagem da novela brasileira O clone, que também tem causado polêmica ao tratar da poligamia no mundo islâmico.

O Corão é evocado tanto para justificar quanto para condenar a prática. Quem a defende argumenta que o livro sagrado permite ao homem ter até quatro esposas. Mas os críticos lembram que a poligamia é aprovada somente se as mulheres forem tratadas de forma igual ? algo que o próprio Corão reconhece ser difícil de alcançar.

O assunto é delicado em tempos de liberação feminina: ativistas entendem que sua promoção pode comprometer a luta por direitos iguais. "Eles fazem a poligamia parecer muito boa, muito romântica, como um sonho", censura a procuradora Abu Qomsan. "É o pior show que a televisão egípcia já fez." Outro motivo de indignação é o fato de a novela ser produzida pelo governo, já que a TV local é controlada pelo Estado. A parte feminina do Parlamento cobrou explicações do ministro da Informação, Safwat Sharif, a quem a Associação das Escritoras Egípcias enviou protesto. A Aliança das Mulheres Árabes também condenou o programa e anunciou a organização de um seminário para discutir seu impacto na sociedade.

Apesar do clamor público, a novela é líder de audiência também em outros países árabes. Mesmo feministas admitem não perder um só capítulo. Huda Badran, presidente da Aliança de Mulheres, tenta explicar essa relação de amor e ódio: "Se você deixar de lado as mensagens sujas que eles transmitem, é uma história bonita. As pessoas podem se sentar em frente à TV e assistir à novela, amaldiçoando-a e divertindo-se ao mesmo tempo." As informações são de Michael Slackman [Los Angeles Times, 14/12/01] e da Associated Press (14/12/01).

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