Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Declarações de apreço

Por lgarcia em 20/05/1999 na edição 67

Edição de Marinilda Carvalho

Enquanto escrevo, uma da manhã de terça-feira, dia 17, uns 300 mil israelenses de Tel Aviv estão indo para a cama (é, já dia claro) inebriados de felicidade e alívio pela vitória de Ehud Barak sobre o gorila Benjamin Netaniahu. A mídia internacional american style está de queixo caído, só fala “na grande surpresa” desta lavada da coalizão Um Israel.

O que isto tem a ver com os destaques do Caderno do Leitor?

Nada, necas de pitibiriba. Não há uma linha aqui sobre a eleição israelense. Digamos que este seja um destaque “universal”. Penso nos meus amigos Mauro Malin, Isak Bejzman (que nunca vi), Eliane Bardanashivili, Alberto Dines, Nahum Sirotsky, Marcelo Ninio (pulando de alegria na festança da Praça Yitzak Rabin, em Tel Aviv, embora anotando tudo, a serviço do JB… e o Nahum, teria ido lá também?). Estou contente.

Este é um destaque de esperança. Pode ser que Barak afinal não faça a paz, as forças da guerra são invencíveis (é só lembrar dos mísseis explodindo ali pertinho, nos Bálcãs).

Mas qualquer coisa é menos bélica do que Bibi Netaniahu.

Feliz novo governo, Israel.

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Clique sobre o trecho sublinhado para ler a íntegra da notícia

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Caros amigos do Observatório, em janeiro mandei uma e-mala para o Dines. Para minha surpresa, fui publicado na edição número 60, de 20 de janeiro de 1999, no Caderno do Leitor. Isso prova a contaminação do Observatório pelo vírus malsão da liberdade de impressão ? pelo menos é o que diriam os midiotas do pensamento único. Quando conheci a “nossa casa”, estava em outro provedor e com outra e-mala <rs017864@pro.via-rs.com.br>.

Agora estou e-malado no seguinte endereço: <pdt2000@gpsnet.com.br>. Caso os protestos dos “colegas” legítimos contra este bastardo tenham sido em vão, estou devidamente exposto às bofetadas na nova e-mala.

Outra surpresa foi a disseminação do Observatório no organismo interninterior. Era pequeno, hoje o “analfabeto intelectual” de São Borja talvez nem encontre mais espaço para atirar suas sementecaptas.

Falando sério, dedico ao Dines (que admiro e respeito, sem idolatria ? é bom que se diga) este poema:

Críticos

Quem são esses críticos
de neurônios despenteados
e cacos de vidros nos olhos
Quem são esses críticos
políticos sem partidos
partidos políticos sem filiados
Quem são esses críticos
que penduram espelhos
em paredes alheias
com obcecados pregos
Quem são esses críticos
cirurgiões plásticos da realidade
para eles sempre enrugada
Quem são esses críticos
cometas soltos no espaço
e ainda assim achando apertado

São partes que partem de nós
que só ouvimos o que está fora.

Eduardo Martinez, bastardo em jornalismo virtual

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Caro Dines, mesmo que a Pulha de S. Paulo te ache barato demais para ser pago, a gente te acha um barato impagável ? de livre e gratuito acesso no Observatório.

Eduardo Martinez

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No Dia da Imprensa, quero parabenizá-los pelo trabalho, as edições e tudo mais de sensacional que publicam. Alberto Dines, você é meu totem, te adoro. Parabéns pelo seu dia. Um fraterno abraço,

Valéria Alves

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Oi, Isabella! Muito, muito, mas muito obrigado pelo apoio! Cada vez mais vocês, do Observatório, me convencem de que a ética pode ser pragmática. Esta é quentinha: ontem, 12/5/99, em torno das 23h30, conseguimos negociar com o “cartel” Folha/OESP. Um abração,

Jefferson Repetto Lavor, Banca Jardim América

Sinceramente fiquei surpreso ao ver a reprodução de um artigo da jornalista Dora Kramer no Observatório. Esta jornalista é de tal forma defensora do atual governo que muito do que escreve ? embora faça-o bem, há que se reconhecer ? fica um pouco sob suspeita. A sua pressa nestes últimos anos em acudir o governo FH, em todos os episódios que significavam possíveis irregularidades, não a credencia para uma publicação tão isenta como o Observatório da Imprensa. Não gostei!

Marcelo C. Branco

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Como leitor do JB, sinto que em alguns artigos a Dora Kramer parece mais um porta-voz do governo FHC do que uma articulista que pretende esclarecer os fatos.

Fernando Guilherme Tenório

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Gostaria de consignar aqui minha náusea ao me deparar com a entrevista realizada por Veja com o governador do Rio Grande do Sul. A falta de objetividade e a sucessão de clichês maliciosos visando unicamente vilipendiar e ridicularizar o Sr. Olívio Dutra (que pode não ser um luminar da cultura política, mas nem por isso deixa de merecer o devido respeito) são de nos fazer refletir sobre o pântano moral em que está submersa a imprensa brasileira. A mesma Veja que um dia já foi um bastião da luta contra a ditadura tornou-se o melhor papel de gaiola deste pais. Quero assinalar que até a cobertura da Caras da separação de Chiquinho Scarpa está mantendo um nível editorial superior ao da mesma cobertura realizada por Veja.

Felipe Flores Pinto, Porto Alegre

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Espero que o O.I. se posicione em relação ao pedido do governo federal de quebra do sigilo telefônico da Folha e do jornalista Fernando Rodrigues no caso do Dossiê Cayman. Espero que a “briga” do Dines com a Folha não evite um posicionamento e o debate deste Observatório. Acho interessante também a discussão sobre se houve ilegalidade ou não na atuação dos procuradores no caso Cacciola-Lopes. Entretanto, acho que há um exagero nesta discussão: quando se trata da invasão do domicílio de um pobre-coitado, não se lembram desses direitos; quando é o fulano de tal, aí se pensa em arbitrariedade. Minha interrogação: se o MP, com a autorização da Justiça, não tivesse agido assim, haveria qualquer indício em relação ao Sr. Cacciola e a Chico Lopes? Num país onde graça a impunidade, onde temos uma CPI de fachada mais para chantagear o governo, haveria qualquer chance de uma investigação séria?

Me parece que este Observatório tem que sair um pouco dessa linha de “proteger” quem aliás já tem uma capacidade infinita de se proteger. Um abraço,

Fritz R. Nunes

Alberto Dines responde: Meu caro Fritz, antes de tudo, “grassa” (do latim “grassare”) se escreve com dois “s”, e não com cedilha. Começo pela desatenção com a ortografia para chegar a desatenções maiores: este Observatório está sendo mantido graças ao esforço e ao sacrifício de um pequeno grupo de jornalistas abnegados que sacrifica dois fins de semana por mês (sem falar no acompanhamento diário) para manter esta janela onde a cidadania possa se expressar com relação à mídia. O Observatório não tem vontade, pauta, nem protege ninguém, porque o Observatório é você. O conflito com a Folha foi provocado pela própria, que resolve punir um de seus colaboradores pelo que escreveu aqui. Se você não se sentiu atingido por esta violência, é uma pena. Deveria. Deveria também acompanhar o noticiário com mais atenção. A quebra do sigilo dos envolvidos na divulgação do dossiê falsificado não incluiu os jornalistas. A Justiça vetou. Procuramos não entrar no mérito das questões, o que nos interessa é o desempenho da mídia. Você não deve ter lido nossa edição anterior. Nem assistido aos nossos programas, nos quais não discutimos a questão da invasão de domicílios, essa é questão que cabe aos juristas. Não viu o programa com a procuradora da República em São Paulo, Dra. Ana Lúcia Amaral? O que nos interessa discutir, sim, é esse vazamento “seletivo” para certos órgãos de imprensa. Não é correto, e revela intenção política. A casa é sua, venha sempre. Mas desarmado. A. D.

Nota do O.I.: A carta abaixo, que comenta o artigo De bochincho em bochincho, de Isak Bejzman, publicado no O.I. n? 65, saiu na edição passada, mas está sendo republicada para que se conheça o contexto da resposta deBejzman (em seguida), perdida, como muitas outras, num desastre de computador.

Meu nome é Gustavo Broch, tenho 21 anos e sou formando em Jornalismo. Caí literalmente no site de vocês ao navegar na Internet durante o trabalho, e me deparei com um texto absurdo de Isak Bejzman (que eu não sei quem é) intitulado Bochincho nos pampas. Poderia apontar várias coisas que não fazem sentido nas declarações do Sr. Bejzman, mas vou ser curto e grosso, como bom gaúcho: Imprensa neutra???? De que Marte ele está falando??? Da Zero Hora? Ou melhor, de todo o grupo RBS?? Indico ao Sr. Bejzman o site do jornal virtual Não (www.nao-til.com.br), redigido por pessoas de calibre e com informações na manga. Ver texto A voz do povo, de Jorge Furtado.

Gustavo Broch

Isak Bejzman responde: Prezado colega Gustavo Broch, shalom, e meus respeitos. Agradeço de forma terna o teu bochincho. Ele me gratifica por demás. Não sei por que, mas parece que entre jornalistas anda acontecendo algo que é muito comum de acontecer entre médicos. Quando um médico prescreve, um simples funcionário de farmácia consegue decifrar e ler a receita. Dificilmente outro médico conseguirá repetir a proeza.I. B.

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Envio o texto de Jorge Furtado, A voz do dono, do jornal online Não, sobre a incrível posição da Rede Brasil Sul (RBS)/Zero Hora, associada da Globo, na questão dos incentivos para a instalação da fábrica da Ford no Rio Grande do Sul.

Flávio R. Cavalcanti

A voz do dono

Jorge Furtado

Não tem precedentes a campanha movida pela RBS para que o governo do estado entregue o máximo de dinheiro público possível para a Ford. Há uma guerra na Europa, duas CPIs no Senado, banqueiros saqueando cofres públicos, e a Zero Hora, nos primeiros 15 dias de abril, deu dez manchetes de capa sobre o assunto, todas com o mesmo objetivo: enfraquecer o governo do estado do Rio Grande do Sul na queda de braço com a Ford pela instalação da fábrica no estado.

Caro colega Alberto Dines, encaminho-lhe cópia de manifestação que recebi da OAB Federal, com firme protesto contra publicação de suplemento de lazer, na Semana Santa, no qual os editores do Correio Braziliense assacaram, contra toda a classe dos advogados, injúrias, calúnias e difamações, tudo gratuitamente. Mauro De Felice

Carta da OAB ao Correio Braziliense, em 14 de abril de 1999

Sempre acostumado a encontrar no Correio Braziliense notícias e reportagens que levaram esse prestigioso Órgão da Imprensa a receber, com justiça, o prêmio World?s Best Design, concedido pela Society News Design, e a merecer o respeito e admiração da população do Distrito Federal, devo manifestar o mais veemente repúdio e a maior indignação com o Suplemento “Passatempo”, de 04.04.99, que atinge, às fls. 09, de modo aviltante e gratuito, todo a classe dos advogados, que tenho a honra de representar, na condição de presidente Nacional da Entidade. Reginaldo Oscar de Castro, presidente

1. Sobre a eleição da ABI, realizada no último dia de abril: a chapa vencedora, como se esperava, foi aquela apoiada pelo Dr. Barbosa [Lima Sobrinho]. Foram eleitos 15 efetivos e 15 suplentes para o Conselho Administrativo, cujo total é de 45 membros. Também foi eleita a Comissão Fiscal (5 membros), com uma só novidade: Sérgio Cabral no lugar de Leonor Guedes. O pessoal da oposição (Chapa Gustavo de Lacerda) está denunciando que houve maracutaia, pois a chapa situacionista foi irregularmente registrada. Seus candidatos não autorizaram, por escrito, a inclusão de seus nomes na Chapa Barbosa Lima Sobrinho.

2. A Assembléia Geral Anual da ABI não foi nada tranqüila. Seu presidente, o coleguinha Milton Coelho da Graça, foi acusado de agir ditatorialmente, pois censurou propostas e requerimentos de informações. Entre as propostas, havia duas da pesada: uma destinada a derrubar do cargo de diretor da biblioteca da ABI o cidadão Oliveiros Litrento, que não tem registro de jornalista e, portanto, não poderia ter ingressado no quadro de sócios militantes. Ele é coronel reformado do Exército. A outra proposta “quente” tinha o objetivo de afastar do quadro de sócios militantes da ABI o advogado Antonio Modesto da Silveira, cujo registro de jornalista, conseguido em 1994 (na desastrada gestão do PC Rodrigues), já foi cancelada pelo Ministério do Trabalho.

Arthur Cantalice

Nota do O.I.: Não houve tempo hábil para receber a resposta do jornalista Milton Coelho da Graça, o que deverá acontecer na próxima edição.

Jornalista Alberto Dines, lamentamos a atitude do jornal Folha de S.Paulo. Isso demonstra que a democracia brasileira adota o estilo “a teoria na prática é outra”. Como você afirma: “A Folha sempre tentou dominar o jornalismo brasileiro, querendo ditar regras e normas”. Infelizmente vivemos num país em que o cidadão não tem vez e não é valorizado, e sim usado. Enquanto não tivermos uma imprensa livre que mostre a verdade, aceitando a diversidade de opiniões, fica difícil termos um país sério. Sucesso, nós o admiramos por sua competência e seriedade profissional. Receba nosso apoio.

Aluísio Vianna, jornalista, diretor e editor da Gazeta de Macau/RN

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Dines, gostaria de me solidarizar com você no episódio Folha vs. Observatório. A atitude do Sr. Frias mostrou claramente a falta de ética jornalística. Um abraço,

Aldir Brasil Jr., professor da Universidade Federal do Ceará

Não concordo com a opinião defendida pelo Dines na TV, de que não se deveriam fazer concessões públicas de televisão a grupos religiosos, porque isso contrariaria os princípios do Estado republicano e secular. Entendo que Estado secular significa que o governo não pode favorecer nem adotar nenhuma religião como uma religião oficial, mas isso não significa que o Estado deva ser anti-religioso e negar o direito de um grupo religioso possuir um veículo de comunicação.

Todo grupo que adquirir um veículo de comunicação irá transmitir através dele sua visão de mundo, e a meu ver, se o Estado é democrático, não pode impedir que um grupo seja proprietário de um veículo de comunicação pelo fato de esse ter visão de mundo religiosa. Isso seria uma discriminação injustificável, faria com que o Estado fosse não só secular como também anti-religioso. Quem não gosta das emissoras religiosas tem todo o direito de simplesmente não assisti-las. Considero um absurdo querer negar-lhes o direito à existência.

Hiranclair Rosa Gonçalves

Vocês deveriam disponibilizar um link de busca por palavras-chave para melhor aproveitamento dos textos selecionados.

Osmar Marino Filho

Nota do O.I.: Caro Osmar, temos, e há muito tempo, um simples e eficiente mecanismo de busca por palavra-chave, que ficava bem visível, logo abaixo da manchete da edição, na home page. A partir desta edição, o botão de Busca estará localizado à esquerda das chamadas de capa. Além disso, no menu, à esquerda, sob a rubrica Edições Anteriores, você encontra um índice de todos os números do O.I., desde o primeiro.

Como leitor de jornais e revistas, desde que descobri a existência do Observatório da Imprensa o acompanho, pela TV, aos domingos (21h) e, impresso, mensalmente. Qual não foi minha surpresa ao ligar a TV às 21h de domingo e descobrir que a reprise na TVE havia sido transferida para as 20h. Tudo bem, não deu tempo de avisar, imaginei.

No domingo seguinte, ligo a TVE às 20h, nada de Observatório… às 21h, nada.

Então pergunto: não há mais reapresentações? O horário de 22h30 é inacessível… será que terei que me contentar com as versões impressa e virtual? Abraços,

Luigi B. De Felice

A produção do O. I. na TV responde: Prezado Luigi, o horário da reapresentação do programa é aos domingos, às 20h, na TVE. No domingo dia 3 de maio, excepcionalmente, não houve reapresentação. Atenciosamente, Leila

Normalmente, eu uso matérias e dados publicados na Folha para ilustrar minhas aulas de Marketing e de Economia Brasileira. A responsabilidade de vocês é grande, e eu não consegui resistir a mandar esse e-mail comentando a “pérola” de um subtítulo na página 1-4 do caderno Brasil do dia 10 de maio:

“Sistema Financeiro: dos 8 membros ouvidos, 5 são contra depoimento (de Malan) e 4, a favor.”

Considerando que 5 + 4 = 9, fica difícil não rir dessa derrapada da jornalista Denise Madueno. Isso me lembra o conteúdo de uma matéria que descrevia a morte de uma mulher enquanto dormia. O jornalista acabava o texto assim: ” … e quando acordou, estava morta.”

Laert Costa Lima

Nota do O.I.: Caro Laert, o único reparo é que repórter (que apura, escreve e assina as matérias) não faz títulos ou subtítulos. É o redator.


Continuação do Caderno do Leitor

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