Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > AUDIÊNCIA / INTERNET

Deonísio da Silva

Por lgarcia em 14/05/2003 na edição 224

LÍNGUA PORTUGUESA

“Dia da mãe”, copyright Jornal do Brasil, 11/05/03

“Hoje é dia das mães. Vou aproveitar a data e passear na companhia dos leitores entre alguns temas e problemas encontráveis em matas, bosques, jardins e outros territórios de um dos mais perenes símbolos da pátria amada e mãe gentil. Sim, meus caros, o Brasil pode mover suas fronteiras e ficar bem diferente do que já é. Ainda mais se vingar a proposta do poeta Affonso Romano de Sant?Anna, que imaginou exportar algumas de nossas montanhas para a Holanda. Mas as línguas do Brasil, reunidas sob a égide do que chamamos português, nada têm de efêmero. Permanecerão para sempre.

Nossa língua não é como se fosse nossa mãe. Ela é nossa mãe, pois sem ela não existiríamos. Com efeito, no Brasil, nós amamos, odiamos, pagamos impostos, recebemos anátemas e bênçãos, pedimos ou negamos, enfim, gozamos a vida em seus múltiplos ofícios, incluindo a cidadania, em português. Ou, sendo menos ortodoxos, expressamos todas essas realidades nas línguas do Brasil.

Não sei se é muito difícil discernir que são várias. Mas sugiro um exercício maroto. Tome um parágrafo de Machado de Assis. A seguir, percorra uma página de Guimarães Rosa. Dê, então, uma espiada num trecho de Rubem Fonseca. Não gosta de prosa de ficção? Que tal ler alguns fragmentos de Euclides da Cunha e de Gilberto Freyre? Ah, prefere poesia? Leia um poema de Carlos Drummond de Andrade, de Cecília Meireles ou de qualquer outro poeta de seu gosto. Na seqüência, leia diferentes textos do jornal que tem em mãos, incluindo outras colunas.

E se, em vez de ler, você ouvisse o rádio ou assistisse a algum programa de televisão? Domingo é dia de futebol. Talvez um locutor dirá que o cabeça-de-área vacilou e fez um lance bisonho quando cobrou o tiro de meta. Um repórter explicará que o atacante da camisa 9, com dor na barriga da perna, está estendido no gramado, sendo muito provável que o tabu não seja quebrado hoje. Ele narra o jogo em português. Mas em Portugal, nação que nos deu a língua portuguesa, as diferenças se acentuam. Quem errou o lance do pontapé de baliza foi o trinco. E quem está caído no relvado, com dor na panturrilha, é o avançado da camisola 9. Sem ele, dificilmente o enguiço será quebrado. Ele pode fazer o gol no Brasil, mas em Portugal será golo.

Em contraste com a rica e complexa linguagem do rádio, ainda que às vezes desjeitosa, a televisão ratifica quase sempre o óbvio. ?Bola com Fulano, que passa a Beltrano, é gol, eu sabia, eu sabia!? Sabia? Por que não disse antes? Os profetas do acontecido parecem onipresentes.

Tenho especial predileção pelos sabores de nossa língua. Ou de nossas línguas, como preferem espíritos mais afeitos à botânica do que à jardinagem das palavras. O destino me fez botânico e jardineiro, mas são evidentes minhas inconformidades com o primeiro ofício. Tenho descarada preferência pelo segundo. Aos 54 anos, mais de 30 deles dedicados às duas supostas habilidades, experimentei em teoria e prática que o professor perderá menos tempo se ajudar um aluno a ler e entender um texto. O discípulo sabe que na sentença ?o mosco estrafegou as poderes?, as cinco palavrinhas são, por ordem de entrada em cena: artigo, substantivo, verbo, artigo, substantivo. Mas peça-lhe que faça uma nota de falecimento para ver o que sai.

Em vez disso, começo onde outros terminam ou aonde nunca chegam, como na literatura, que empacou há mais de 80 anos no Modernismo, sem que sejam enfim realizados, com honras e glórias, os solenes funerais literários. Sim, berços e túmulos fazem parte de nossa existência. Por que tamanha obsessão com atestados de óbito? Onde estão as certidões de nascimento dos escritores surgidos há quase um século? No caso da sentença do exemplo, os alunos demonstram estar mais interessados em saber que ?mosco?, ?estrafegou? e ?poderes?, assim reunidos, contam que certo sacerdote antigo rasgou as vestes então em moda nos templos daquela região, naquela época.

Tenho especial predileção por nossas origens, tão abandonadas há décadas. Filhos da flor latina, somente reencontramos a mãe romana quando alguém, em geral querendo ostentar um saber que não possui, cita um provérbio ou usa certa expressão. Há advogados que tropeçam no português de uma simples petição, abolindo regência e bons costumes nos tratos com a língua mãe, mas ex abrupto, eis que incluem um verso qualquer, como libertas quae sera, sempre na companhia de um desnecessário tamen.

Talvez alguns gramáticos não aprovem esta coluna. Mas os editores do Jornal do Brasil reservaram este espaço para um escritor externar aos leitores outro ponto de vista. Queremos atender ao distinto público de um modo diferente. À semelhança de passarinhos que comem pedras, sabemos o que nos advém.

Para concluir, eis algumas curiosidades. O dia das mães surgiu por iniciativa da poeta e filantropa norte-americana Julia Ward Howe, em 1872. É comemorado no Brasil no segundo domingo de maio, desde que foi instituído, em 1932, por decreto de Getúlio Vargas. Cada povo tem sua mãe. Mother, em inglês; Mutter, em alemão; mère, em francês; madre ou mamma, em italiano; mitir, em grego; mat, em russo. No latim é mater. No espanhol, madre. O português passou de madre a made. E fixou-se em mãe, nasalizando-a. Há quem analise tal fixação de outros modos. Mas o dia da mãe ainda não chegou. Da nossa mãe, da mãe de todos os brasileiros, que sem ela não existiriam.”

 

AUDIÊNCIA / INTERNET

“iG na ponta”, copyright O Globo, 13/05/03

“O Ibope eRatings divulgou ontem sua pesquisa de abril sobre o número de acessos domiciliares dos brasileiros à internet. O provedor gratuito iG ficou na cabeça, com 66,04% de audiência entre os 7,77 milhões de internautas que acessam a rede em casa. Pela primeira vez desde o início do levantamento, em setembro de 2000, ultrapassou o UOL, que ficou mais de um ponto percentual abaixo (64,75%). Não deixa de ser significativo.

De acordo com a pesquisa do Ibope eRatings, o iG teve 5,132 milhões de visitantes únicos, contra 5,094 milhões para o UOL. Em relação a março, os dois provedores trocaram de posição. UOL estava com 64,74% do bolo, contra 63,76% para o iG.

O que é significativo, aí, é o crescimento do serviço de acesso gratuito, pingadinho, mês a mês, em tempos de 1) decantada política de universalização do acesso; 2) tremenda dificuldade dos internautas na hora de acessar a rede; 3) acesso pago um tanto salgado em relação aos serviços prestados; 4) desaceleração econômica generalizada… entre outros pontos preocupantes.

Com esses indicativos de que o acesso gratuito é um bom negócio, não por acaso confessou dia desses o Roberto Simões, um dos co-presidentes do iG, ao lado do jornalista Matinas Suzuki:

– Há três anos que fazemos estudos sobre a viabilidade de o iG criar um provedor pago. A cada seis meses fazemos um levantamento a respeito e acabamos desistindo da idéia…

Ainda sobre o ranking do Ibope eRatings: em terceiro e quarto lugares, no ranking dos domínios, Terra/Lycos e Globo.com ficaram com 48,6% e 46,84%, respectivamente.

***

Outro dado interessante da pesquisa do Ibope eRatings é sobre o número de horas navegadas durante abril. Na média, diz o levantamento, cada internauta conseguiu ficar 11 horas e 1 minuto conectado à rede, ao longo de todo o mês. Não deixa de ser uma proeza, considerando-se a dificuldade que foi conseguir acesso discado no mês passado, tanto através dos provedores gratuitos como nos pagos.

Implicância? Nem tanto. Sabem disso os quilos de leitores que deixaram para declarar o Imposto de Renda pela internet nos últimos dias do prazo, que terminou em 30 de abril.

Mãe feliz

Diz o Submarino que, de 1? a 10 de maio, recebeu mais de 30 mil pedidos para presente, 40% mais do que no mesmo período de 2002. O gasto médio com o agrado para as mamães aumentou 25% este ano, chegando a R$ 200. Destaques: microondas e cafeteiras elétricas. DVDs-players e TVs de 29? também foram bem cotados.

Xô, spam

Não bastasse fazer centenas de vítimas em carne e osso, a superpneumonia está agora atazanando os internautas, com spams prometendo a cura da doença. Nos Estados Unidos, pelo menos 48 empresas estão sendo advertidas pelo órgão federal que regula o comércio (FTC). Cada uma pode ser multada em até US$ 11 mil.

Gerenciar projetos

Estão abertas as inscrições da ILL Brasil para o curso de gerenciamento de projetos, sob medida para profissionais de tecnologia da informação. Público-alvo: gerentes de produtos, desenvolvedores e analistas de sistemas, gerentes de TI e afins.

A área de gerenciamento de projetos tem ganhado força no mundão corporativo. No caso, a promessa é de aumento da produtividade a partir da (coerente) aplicação de tecnologia nos processos mais importantes para a empresa.

Mais informações através do www.iil.com.br, do 3385-4106 (Rio), ou do 11-3351-4533 (São Paulo). O curso segue a metodologia recomendada pelo Project Management Institute, referência da área.

Crescendo

A blah! – que produz conteúdo e serviços para telefonia móvel – acaba de assinar contratos com duas grandes operadoras: uma brasileira e outra americana. Nos últimos dois anos, as operações da blah! na América Latina somaram dois milhões de usuários em sete países, trocando 72 milhões de mensagens por mês.

Em baixa

Números da IDC Brasil: as empresas brasileiras de software faturaram US$ 1,64 bilhão em 2002. O resultado foi 4,7% menor que o de 2001. Motivos não faltaram: desaceleração geral, dólar em alta, pânico eleitoral, a guerra de Mr. Bush etc. A consultoria espera que este ano o percentual seja positivo. A torcida é grande.

COBERTURA IMPARCIAL? A Globo.com e Itaú Cultural promovem amanhã o debate ?Mídia e guerra: cobertura imparcial??. Estará presente, entre outros, o português Carlos Fino, correspondente da RTP em Bagdá, primeiro jornalista a transmitir o início da guerra. O evento pode ser acompanhado ao vivo pela internet, a partir das 10h, através do Globo Media Center (www.globo.com/gmc).

MÚSICA: No ar, o www.chivasjazz.com.br, esquentando os tamborins para o festival de jazz de 28 a 31 de maio de 2003, em Rio e São Paulo. Tamborins?”

“Ibope eRatings: iG assume liderança da internet brasileira em abril”, copyright Último Segundo (www.ultimosegundo.com.br), 12/5/03

“O Ibope eRatings divulgou na noite deste domingo o resultado da audiência da internet brasileira em abril. Segundo a pesquisa, o iG foi o líder de audiência no mês passado com 5,132 milhões de usuários únicos e alcance de 66%.

?Esse é o resultado do crescimento consistente do iG nos últimos anos. O nosso conteúdo é relativamente jovem, mas muito focado nos interesses do internauta. (…) A pesquisa mostra ainda que a audiência vem também de outros provedores e portais de acesso, o que mostra que o conteúdo tem conquistado mais internautas?, argumenta Matinas Suzuki Jr., co-presidente do iG, que ressalta ainda a ?importância do portal não ter conteúdo de jornais ou revistas, e, portanto, ter criado seu próprio conteúdo?. ?É com uma satisfação imensa que recebemos esse resultado.?

Este é o maior crescimento de audiência registrado entre portais, de 6,7% em relação a março de 2003, e também o maior alcance aferido pelo portal iG, de 2,3 pontos percentuais, sobre o mesmo período.

O segundo colocado ficou com 5,03 milhões de usuários únicos e abrangência de 64,7%. O portal que ficou na terceira posição registrou 3,777 milhões de visitantes únicos e atingiu alcance de 48,6%.

Em relação ao ranking de propriedades, o iG tem 5,172 milhões de visitantes únicos e 66,55% de alcance enquanto o segundo colocado apresenta 5,094 milhões e 65,55%, respectivamente.

Esta não é a primeira vez que o iG lidera o ranking de audiência. Em novembro de 2001 a medição do MediaMetrix apontou o portal na dianteira da web nacional. Já na categoria propriedades, esta é a primeira vez que o iG assume a liderança.”

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