Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES >   MERCADO DE TRABALHO

Deonísio da Silva

Por lgarcia em 20/05/2003 na edição 225

LÍNGUA PORTUGUESA

“A viagem das palavras”, copyright Jornal do Brasil, 18/05/03

“Quarta-feira foi para este cronista um daqueles dias inesquecíveis. Fui à Biblioteca Nacional, no Rio, em boa companhia, como sempre, pois quem vai àquele templo de autores e livros merece amizades e amores prévios e incondicionais. Merecem muito mais as pessoas que ali trabalham, entre as quais as moças gentis e competentes, que nos guiavam pelos sutis e complexos caminhos do Paraíso.

Dante, no meio da vida, na selva escura em que se encontrava, tendo o poeta Virgílio por guia, desceu ao inferno. O célebre florentino foi tão solar na poesia que seus ensaios sobre a língua italiana tornaram-se luas e satélites de sua incomparável Divina Comédia. Em resumo, Dante era botânico e jardineiro das linguagens.

Encontrei várias imortalidades na Biblioteca. Umas, vivendo e brotando nas estantes. Outras, nas estantes também, mas ainda presas aos casulos, de onde um dia, quando chegar sua hora, haverão de passar de lagartas a borboletas.

Esta, aliás, foi uma constatação curiosa, entre tantas do dia. Nós, mortais, estávamos acompanhados de alguns colegas imortais, que já fizeram por merecer uma experiência prévia de imortalidade ainda nesta vida, como os escritores Ana Maria Machado e Alberto da Costa e Silva, cujas amizades muito prezo e das quais não sou digno. E aqui semelho aquele centurião romano que teve sua declaração de indignidade incluída nas preces da missa, dita em latim durante quase dois milênios. Desconheço e jamais compreendi as razões que a Igreja alegou para retirar um espetáculo que era sucesso de crítica e de público há tanto tempo: a missa em latim. Pretextaram que o povo não entendia. Mas quem vai a um templo para entender alguma coisa? Quantas transcendências são explicáveis? E os mistérios, assim plurais, onde ficam? Há os gozosos, os dolorosos e os gloriosos, como todos reconhecem, inclusive os profanos. E tais mistérios aparecem também na língua portuguesa.

Voltemos à Biblioteca Nacional. Dante era cristão e reduziu os plurais infernos pagãos ao singular inferno católico. Como eu estava no céu, acompanhado de tão belas guias, contemplando a primeira edição de Os Lusíadas, lembrei em silêncio a Ode a Marcel Proust, de Alberto da Costa e Silva: ?por entre as moças em flor,/ revejo o silêncio das ruelas/ dos teus passeios noturnos,/ assombrados de insônia.?

A insônia é um de nossos infernos que os livros podem transformar em céu. Tanto que uma das portas de saída dos antigos infernos era a do Sono. A origem da palavra é o latim infernum, singular (o plural é inferna), designando o que está embaixo, como deixa claro também a palavra inferior. No caso, embaixo da terra. Mas no latim era sinônimo de ânus. Eis a remota origem da expressão ?cu do mundo?.

A religião católica tomou como modelos para seu inferno o judaico e o grego. Os infernos romanos, grafados no plural, eram de uma exuberância digna de esplêndido romance. Militarizados e estruturados segundo rígida hierarquia, tinham disciplina, autoridades indiscutíveis e leis a cumprir. Tinham também precisa localização geográfica: suas sedes estavam na Grécia e na Itália. À entrada, estavam os Pesares, os Remorsos, as Doenças, a Velhice, o Medo, a Fome, a Pobreza, o Sofrimento, a Morte, a Guerra e a Discórdia. Seguia-se um pátio onde estavam os Sonhos e vários monstros, como o Centauro e a Quimera, que terminava no rio Estige, onde o barqueiro Caronte cumpria seu ofício levando as almas para o outro lado. Quantas de nossas mais de 5 mil prefeituras municipais, onde vivemos os nossos céu e inferno de cada dia, são tão bem organizadas?

Chegamos ao inferno ou ao céu, e a eles voltamos, por muitos caminhos. O melhor caminho é o da ida, nunca o da volta, querida. Podemos mudar o sentido da frase e dizer assim: o melhor caminho é o da ida, querida. Não é o da volta querida. Como vêem, não é apenas o til que não pode ser retirado da língua do ão. Pequeninas criaturas, ainda menores do que as de Rubem Fonseca, ontem no inferno da censura e hoje no céu do Prêmio Camões, que lhe foi outorgado esta semana, cumprem destinos importantes nas sentenças. E uma delas é a vírgula. Inclusões ou exclusões de vírgulas já levaram muita gente ao Inferno ou ao Paraíso.

Quarta-feira experimentei o céu. Não na companhia de Virgílio, mas de uma equipe de Beatrizes lideradas que atendem por outros nomes, lideradas por Suely Dias e Georgina Staneck, sábias guias de obras de referência e acervo especial. Jorge Luís Borges, citando Emanuel Swedenborg, botânico e teólogo, diz que os maus não estão proibidos de entrar no céu. Somente os bobos estão impedidos de ali penetrar, pois são incapazes de admirar as complexas belezas do Paraíso. Não existe maior ofensa ao Criador do que a de não lhe reconhecer o mérito, a competência.

E com Borges encerro minha coluna de hoje: ?os implacáveis detratores da etimologia argumentam que a origem das palavras não ensina o que elas agora significam; os defensores podem replicar que ensina, sempre, o que elas agora não significam. Ensina, verbi gratia, que os pontífices não são construtores de pontes; que as miniaturas não estão pintadas com mínio; que a matéria do cristal não é o gelo; que o leopardo não é um mestiço de pantera e de leão; que um candidato pode não ter sido cândido; que os sarcófagos não são o contrário dos vegetarianos; que os aligatores não são lagartos; que as rubricas não são vermelhas como o rubor; que o descobridor da América não foi Américo Vespúcio e que os germanófilos não são devotos da Alemanha.?”

 

MERCADO DE TRABALHO

“A aposta no próprio negócio”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 15/05/03

“Dois novos (e, oxalá, promissores) negócios, montados por colegas oriundos das redações, estão sendo anunciados esta semana para o mercado. Um deles é a Editora Casa do Ramo, que tem como sócios o ex-diretor de Redação da Forbes Brasil, Ricardo Galuppo, e os executivos Donato Ponzio (ex-diretoria comercial da Exame) e Luíza du Valle. O outro é a HP3 Editora, fundada pelos colegas André Gomide, Percy Faro e Rubens Justo. De comum, além da coragem de se lançar num momento particularmente delicado, ambos têm a ambição da expansão e da geração de novos negócios.

Galuppo, por exemplo, diz que os planos da Casa do Ramo são de lançar cinco títulos até o final do ano e garante que os dois primeiros vão estar no mercado entre o final de julho e o começo de agosto. Ele guarda segredo dos nomes, mas adianta que serão revistas de comportamento com periodicidade mensal.

Conhecedor de inúmeros dos segredos do mercado de revista, graças aos bons anos de janela passados na Abril (Veja e Exame) e na Camelot (Forbes Brasil), Galuppo ficou dez meses estudando o mercado, período em que chegou a ?colecionar? cem diferentes e inéditos títulos para trabalhar. E o fez sem açodamento, divindo o tempo com um livro que lhe foi encomendado sobre sua outra paixão – o Clube Atlético Mineiro – que já está pronto e entregue, aguardando apenas o lançamento. Na peneira, ficou com os cinco de maior potencial e nos quais trabalha agora em ritmo acelerado. Os dois primeiros estão na fase de produção de bonecos – os respectivos projetos gráficos são de Píndaro Camarinho – e em breve serão apresentados ao mercado publicitário.

Galuppo mostra-se otimista, acreditando não só na força dos projetos como também na recuperação do mercado. Mas mesmo assim diz que, embora com os olhos no céu, não perdeu o chão e não dará o passo maior que as pernas. Por isso, nesta fase inicial cuidará pessoalmente da edição e vai trabalhar com free-lancers, seguindo fórmula que até mesmo as grandes empresas estão adotando para reduzir custos.

A Casa do Ramo está instalada no bairro do Itaim, à Rua Santa Justina, 352, conjunto 2.122, em SP. O telefone é 11-3846.4291 e o e-mail, que só entrará em operação na próxima 2? feira (19/5), casadoramo@casadoramo.com.br .

Também a HP3 nasce apostando em bons negócios, com duas importantes vantagens: a primeira é que já nasce com um contrato assinado – para produzir um suplemento semanal sobre veículos para o Diário do Grande ABC; e a segunda é que escolheu um dos mais ricos segmentos da economia brasileira para atuar.

No caso do Diário, a estréia ocorreu nesta quarta-feira (14/5) e agora a empresa finaliza negociações semelhantes com dois outros grandes jornais brasileiros. E não quer parar por aí. Com um know-how muito grande no segmento e a criação de uma agência de notícias do setor, a HP Press, a idéia é negociar conteúdo e oferecer consultoria sobre a área, seja para veículos de comunicação seja para empresas do setor, como montadores, indústria de autopeças, entidades de classe e outras.

O Jornal Veículos (nome oficial do suplemento do Diário do Grande ABC) tem na equipe de colaboradores nomes como Joel Leite (editor do site Auto Informe), que escreverá sobre preço de veículos, Norberto Soares, especializado em duas rodas, e Suzete Davi, a quem caberá mostrar os aspectos econômicos do setor (como influencia e é influenciado pela macro e micro economia).

É uma equipe de alto nível e que conta com o reconhecimento do mercado. André Gomide, por exemplo, esteve por muitos anos no Jornal do Carro (Jornal da Tarde) e passou por outros veículos especializados, além de ter atuado como assessor de montadoras como Renault e Hyundai. Percy também rodou muito nesse segmento, inclusive no próprio Diário do Grande ABC, com o qual colaborou por uma boa temporada. Joel é outro com origem no Jornal do Carro (título que levou para a rádio, num programa que esteve no ar por muito tempo), e que já há tempos tem uma agência especializada em notícias do setor e na organização de tabela de preços. Suzete Davi foi do próprio Diário, atuou na Anfavea, passou pela GM e já colaborou com inúmeros veículos da área.

No caso tanto da Casa do Ramo como da HP3 a sorte está lançada. Vida fácil nenhuma delas terá, mas como foram concebidas e planejadas num ambiente desfavorável de mercado – e levando em consideração essa peculiaridade -, estão aparentemente preparadas para enfrentar por um período as eventuais turbulências que se apresentarem.

Estamos, como se vê, diante daquela situação em que a crise mostra-se como mola propulsora da oportunidade. Muitos nasceram, cresceram e se consolidaram dessa forma, em todo o mundo. Tomara que seja o caso desses dessas duas editoras.

Vamos torcer.”

“Corte bate contratação e mídia fica mais longe dos seus bons tempos”, copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 13/05/03

“A mídia começou o ano contratando. Foram 203 contratações, contra 122 nos últimos três meses de 2002. Mas as demissões excederam as contratações no período. Só os veículos demitiram 297 profissionais, e as agências, 126. Mais do que o Carnaval que marca o intervalo de janeiro a março e a crise que abala a publicidade há dois anos, o que impede a mídia de obter altas taxas de crescimento, como registrava há seis anos, é a transformação em curso no modelo de agências, veículos e anunciantes.

Apesar de ter contratado mais de janeiro a março deste ano do que de outubro a dezembro de 2002, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, a mídia está mal. Foram 221 contratações contras as últimas 203.

Os dados e a conclusão são de estudo feito pela RHMC, unidade de negócios da consultoria Madia Mundo Marketing especializada em recrutamento e seleção de profissionais de marketing e comunicação. De acordo com a pesquisa, o mercado mudou e não apresentará mais a expansão ou as possibilidades de ganhos verificadas até 1996.

O anunciante já não atinge seu público-alvo com a mesma eficácia de antes. O consumidor hoje é um alvo móvel, que precisa ser perseguido por meio de diversos canais de comunicação, e não mais através da publicidade tradicional apenas.

Esta tendência é comprovada pelo levantamento: enquanto as contratações de agências de propaganda caíram 8,8% no primeiro trimestre sobre o mesmo período do ano passado, as contratações das agências de marketing direto tiveram um aumento de 260% no intervalo.

Outra conclusão do estudo é que, assim como se faz necessária a revisão da forma de atuação das empresas de comunicação, os profissionais, independentemente das áreas em que atuam, também devem reavaliar quais são os seus papéis neste novo momento e nesta nova indústria. É preciso entrar em sintonia com as necessidades das empresas, se reciclar e se antecipar à demanda dos clientes, de maneira pró-ativa e criativa.

A pesquisa analisa notícias sobre o movimento de funcionários em agências de propaganda, de marketing direto, produtoras, empresas de mídia exterior, de design e de pesquisa e veículos.”

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