Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

PRIMEIRAS EDIçõES > CLIPPING

Deonísio da Silva

Por lgarcia em 12/08/2003 na edição 237

LÍNGUA PORTUGUESA

"Rezando em português", copyright Jornal do Brasil, 10/08/03

"Autoridades católicas, mesmo depois do Concílio Ecumênico Vaticano II, que liberou o vernáculo nos ofícios religiosos, mantiveram a segunda pessoa do plural no pai-nosso e na ave-maria.

Alguns exemplos: Pater Noster qui es in caelis. No latim, qui es (que estás) foi traduzido assim: Pai Nosso, que estais no Céu.

Em resumo, o tradutor diminuiu os céus (caelis), trazendo-os para o singular, e mudou a segunda pessoa do singular para a segunda do plural (que estais).

No latim, na seqüência prevalece o singular, enquanto o português mantém coerentemente o plural: Sanctificetur nomen tuum (Santificado seja o vosso nome). Adveniat regnum tuum (Venha a nós o vosso reino). Aqui, houve curiosa inversão. Em vez de ?reino teu?, ?teu reino?, a bem do estilo.

Fiat voluntas tua, sicut in c?lo et in terra. (Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.) De novo, uma inversão. E uma adaptação. Em vez de ?assim no céu e na terra?, ?assim na terra como céu?.

Panem nostrum quotidianum da nobis hodie. (O pão nosso de cada dia nos dai hoje.) Et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. (Perdoai as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.) A tradução omite o conectivo (et) e procede a outras inversões: nossas dívidas, em vez de ?dívidas nossas?e ?nossos devedores?, em vez de ?devedores nossos?. Por fim, esses versos foram modificados para ?perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido?.

Et ne nos inducas in tentationem: sed libera nos a malo. Amen. (E não nos deixeis cair em tentação: mas livrai-nos do mal. Amém.) Outra vez as formas verbais do singular (inducas; libera) foram transformadas em plural (deixeis; livrai).

Na ave-maria deu-se algo semelhante. A sentença latina Ave, Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mulieribus et benedictus fructus ventri tui Jesus virou Ave, Maria, cheia de graça, bendita sois vós entre as mulheres e bendito o fruto de vosso ventre Jesus.

No original latino, é claro o recurso ao singular: Dominus tecum; benedicta tu; ventris tui. A tradução, porém, além de acrescentar a forma verbal ?esteja?, que no latim foi omitida por elipse, insistiu na segunda pessoa do plural (bendita sois vós) e aceitou a segunda elipse (e bendito o fruto de vosso ventre), abdicando do ?seja?, que ficou implícito.

Nas súplicas seguintes, o latim mantém o singular: Sancta Maria, mater Dei, ora pro nobis, peccatoribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen. E o português continuou fiel ao plural: Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

O poeta Olavo Bilac preferiu a segunda pessoa do singular num belo poema em que também faz uma prece. Os versos aludem à hora das ave-marias, que no português designa o entardecer. Estão em negrito as marcas de segunda pessoa do singular nos versos de Bilac, como se vê a seguir.

?Meu filho! termina o dia…

A primeira estrela brilha…

Procura a tua cartilha,

E reza a Ave Maria!

O gado volta aos currais…

O sino canta na igreja…

Pede a Deus que te proteja

E que dê vida a teus pais!

Ave Maria!… Ajoelhado,

Pede a Deus que, generoso,

Te faça justo e bondoso,

Filho bom, e homem honrado;

Que teus pais conserve aqui

Para que possas, um dia,

Pagar-lhes em alegria

O que sofreram por ti.

Reza, e procura o teu leito,

Para adormecer contente;

Dormirás tranqüilamente,

Se disseres satisfeito:

?Hoje, pratiquei o bem:

Não tive um dia vazio,

Trabalhei, não fui vadio,

E não fiz mal a ninguém?.?

Em suma, enquanto Olavo Bilac procurou expressar relação de intimidade com o leitor, também existente no original latino das orações citadas, a Igreja, ao traduzi-las, apelou ao tratamento solene."

 

JORNAL DA IMPRENÇA

"Poesias no inverno", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 7/08/03

"Nesta época do ano, quando os papagaios aparecem para festejar a floração das suinãs, floração avermelhada e densa que se espalha em cachos luminosos como se coroasse a mata em derredor, Janistraquis tem ordens expressas de recolher somente textos poéticos para a nossa coluna. É a forma que encontramos para homenagear este inverno que sabe a primavera, apesar da estiagem e das geadas que ressecam os campos e nos afligem o coração. Então, na manhã de ontem, no momento em que a revoada ruidosa pintava de verde a paisagem erma de viço, meu secretário trouxe-me a revista Uma.

?Considerado, tá aqui um ‘olhinho’ da matéria intitulada Os Segredos do Corpo Dele; textinho poético, que lembra uma ode de Ricardo Reis, ideal pra nossa campanha de aconchego ao pé da lareira: Uma das regiões mais delicadas e indicadas para se fazer carícias é o escroto.

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Incomodam barbaridade!

A propósito da intitulada Incomoda muita gente, que transcrevia verbete do Almanaque do Correio Braziliense (?Elefantes – O mamífero não consegue levantar suas quatro patas do chão ao mesmo tempo?), esclarece a considerada leitora Daniela Oliveira:

?Na Ciência Hoje on-line, a mátéria Afinal, os elefantes correm ou não? traz a seguinte informação – ?Durante muito tempo se acreditou que os elefantes não corressem. Isso porque, segundo a definição clássica, um animal corre quando tira, simultaneamente, todos os membros do chão – o que não ocorre com os paquidermes, que mantêm sempre pelo menos uma das patas no solo. Um estudo publicado na Nature de 3 de abril, no entanto, mostra que pode não ser bem assim?. Talvez a nota do Correio não seja tão descabida e quisesse se referir a essa peculiaridade dos elefantes.?

Tá certo, Daniela; então, podemos dar por encerrada essa tão paquidérmica e proboscídea polêmica.

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Mim, cacique

Saiu no Painel do Leitor, da Folha de S. Paulo, sob o titulinho Aula no livro: ?Como diretor do Instituto Cidadania e membro da equipe de coordenação do Projeto Reforma Política, gostaria de retificar interpretações contidas no texto Chico Nikolai de Oliveira Kondratieff, de Elio Gaspari.

– Em nenhum momento o presidente Luiz Inácio Lula da Silva censurou ou vetou a inclusão da aula magna do professor Francisco de Oliveira ministrada em 17/2 na USP- no livro Reforma Política e Cidadania, a ser lançado pela Editora Fundação Perseu Abramo (…).

— Em reunião entre Maria Victoria, o professor Francisco de Oliveira e mim, ninguém ?cutucou a ferocidade? do professor(…).

Assinado, Paulo Vannuchi, diretor do Instituto Cidadania (São Paulo, SP).?

Janistraquis comentou: ?Considerado, o Elio Gaspari fez bem em não dar bola pro Vannuchi; se o homem trata o português como o cacique Raoni, não poderia mesmo estar se metendo com livros da Fundação Perseu Abramo!?.

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Braço forte

Roldão leu na Revista dos Curiosos que Luz Del Fuego, aquela dançarina que vivia nua, enrolada em cobras, e muito inspirava os meninos do meu tempo, ?foi morta por pescadores que queriam roubar a pólvora de sua ilha?. Roldão, que é um pouco mais velho do que a gente e, naquela época, certamente já abandonara quaisquer atividades solitárias, estranhou: ?A ilha do Sol tinha algum paiol de pólvora? Creio que não. Lembro que bem próximo da ilha do Sol ficava a ilha de Braço Forte; esta sim, tinha um paiol de munição da Marinha e que explodiu uma noite na década de 1950. O que fariam os pescadores com pólvora? Se fossem bananas de dinamite daria para entender, pois há uma pesca predatória feita com bombas.?

Janistraquis concorda com Roldão, porém a preocupação dele é outra: ?Considerado, o nome da ilha onde ficava o paiol é Braço Forte; se de lá dava pra ver Luz Del Fuego ao natural na outra ilha, a do Sol, então já sei qual a origem desse braço forte…?.

Pedi ao sátiro um pouco de compostura.

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Questão de verbos

Daniel Sottomaior, diretor de nossa sucursal paulistana, pegou mais um tradutor traidor: ?Ao noticiar a farsa do resgate da soldado americana Jessica Lynch o Estadão afirmou que ela ?não combateu os soldados que a capturaram?. Mais um caso de tradução que está dentro do limite das possibilidades, mas completamente fora da naturalidade. A expressão é perfeitamente compreensível, mas soa muito estranha. O problema é que, apesar de o substantivo ?combate? estar comumente associado a situações de guerra, o verbo combater costuma ser utilizado com objetos abstratos, como ?o crime? e ?a corrupção?. Uma opção mais adequada seria dizer que Lynch ?não lutou contra os soldados?. O escorregão se deve ao fato de o verbo fight ser utilizado em ambos os casos: tanto ?fight the crime? quanto ?fight a soldier? são perfeitamente aceitáveis.?

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Buñuel desconhecido

Num texto sobre os vinte anos da morte de Luís Buñuel, o jornal O Povo, de Fortaleza, escreveu: ?Nascido em 22 de fevereiro de 1900 em Calanda, uma cidadezinha de cinco mil habitantes na região da Andaluzia (daí a referência no título de seu primeiro filme), o cineasta sempre esteve na vanguarda da arte ocidental nos seus 83 anos de vida.?

O diretor de nossa sucursal cearense, Celso Neto, que é fã de Buñuel e da Espanha, estava esperto: ?Ora, a cidade de Calanda não se localiza na região da Andaluzia, que fica no extremo sul da Espanha, mas na região de Aragão, extremo norte. A referência no título do primeiro filme de Buñuel, Um Cão Andaluz, não tem, portanto, qualquer referência à cidade natal do cineasta, que não se localiza na citada região daquele País.?

Pois é, Celso; Janistraquis garante que o redator de O Povo não conhece o mapa da Espanha nem foi tocado pelo último suspiro de Buñuel.

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Paixão e Desatino

Aproveito a mordomia deste espaço para uma autobadalação necessária: os considerados leitores que gostariam de conhecer alguns detalhes do meu romance Concerto Para Paixão e Desatino, a ser lançado nos próximos dias pela W11 Editores, por favor acessem o site ?Uma Coisa e Outra? e cliquem em ?Literatura?. Ali está o texto integral de uma entrevista que o jornal Correio das Artes fez com este autor.

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Nota dez

A melhor da semana é da lavra de Ricardo Setti em sua coluna no site No Mínimo: ?Desde a entrada em vigor da Constituição de 1988, cerca de mil novos municípios foram criados no país; na esmagadora maioria por exclusivo interesse político e de políticos, sem condições de sobreviver com as próprias pernas, mas dotados, claro, de prefeito, vice-prefeito, Câmara Municipal, secretarias e funcionalismo. Uma grande fonte de problemas e um grande ralo de dinheiro que têm escapado ao debate nacional e para os quais Brasília tem fechado os olhos. Essa festa absurda precisa acabar.?

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Errei, sim!

?TIM ESPERTO – Título da Folha de S. Paulo: Tim Maia depõe a CPI e acusa gravadoras. Entusiasmado, Janistraquis discursou: ?Considerado, esse Tim Maia é mais porreta que o Gabeira! Sozinho, depôs a CPI do direito autoral e ainda baixou o sarrafo nas gravadoras?. É mesmo. O cabra é bom de serviço, sempre que consegue acordar a tempo de honrar um compromisso.? (agosto de 1995)"

 

CELEBRIDADES & MÍDIA

"Escravos da celebridade", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 11/08/03

"A celebridade, a fama, o reconhecimento público por eventual talento, virtude, obra, ou façanha éeacute; um ideal que todas as pessoas acalentam (tenham a condição social ou grau cultural ou profissão que tiverem), embora muitas neguem enfaticamente essa aspiração. Não nego que também sonho em ser famoso, respeitado e requisitado. Vaidade? Provavelmente. Mas esforço-me para sair da sombra.

O empenho por estar sempre sob a ?luz dos refletores? é tão generalizado, que levou o controvertido artista norte-americano Andy Warhol a fazer aquela previsão que passou a circular por todas as partes desde então – se não me falha a memória a declaração é do início dos anos 70 – que um dia todas as pessoas teriam os seus ?quinze minutos de fama?. Exagero, é evidente.

O que quase ninguém sabe é como lidar com a celebridade. Pois, como tudo na vida, ela também tem um preço, na maioria dos casos muito alto, que nem todos estão dispostos a pagar. Há quem conviva muito bem com essa condição e não consiga atinar com a permanência na sombra. Não admitem o anonimato, o esquecimento, o segundo plano. Para uns, é fundamental serem conhecidos e divulgados, para terem chances de vender o que produzem. Daí o assédio que fazem a repórteres, e principalmente a editores, nas redações dos jornais. É o caso, por exemplo, de um escritor. Se for desconhecido, obscuro, virtualmente anônimo, sequer conseguirá editora para publicar seus textos, por melhores, mais claros e criativos que sejam.

Tempos atrás, quando me dedicava à crítica literária, recebi, na redação do ?Correio Popular?, originais de romances, contos, poesias e principalmente de peças teatrais, de primeiríssima qualidade. Alguns desses volumes até prefaciei. Passados anos, contudo, nenhum desses trabalhos foi publicado. Os respectivos escritores eram ilustres desconhecidos, o que lhes tirou todas as possibilidades de se lançar nessa árdua e nem sempre compensadora atividade. Mas há o outro lado da moeda. Conheço pessoas que passaram a vida correndo atrás da fama e, quando a obtiveram (algumas por mérito e outras somente por serem ridículas ou patéticas), não sabiam o que fazer com ela. Viam-se assediadas e reagiam com irritação, mau-humor e até com desespero diante da notoriedade tão desejada, e que quando veio se tornou tão incômoda, agredindo quem as idolatrava.

Bem que Bernanos alertava que ?prestígio é o hálito do demônio?. O poeta Olavo Bilac também reclamava dos inconvenientes da celebridade. Em uma conferência que proferiu em 19 de março de 1917, na Sociedade de Cultura Artística de São Paulo, sobre o sempre citado, mas pouco conhecido poeta português José Maria du Bocage, desabafou: ?O homem renomado perde a propriedade de si mesmo, e fica escravo da pior das tiranias, que é a tirania exercida pela multidão?. As pessoas célebres, em geral artistas, têm suas vidas particulares vasculhadas por garimpeiros de escândalos, mesmo depois que morrem. Quantos já não leram, por exemplo, notícias dando conta de que William Shakespeare ou Leonardo da Vinci eram homossexuais? Ou de que Charles Baudelaire era toxicômano? Ou coisas piores, de outras celebridades?

É o preço que o indivíduo famoso tem que pagar. Talvez o lado pior da notoriedade, contudo, seja quando quem a gozou perde essa condição. No dia 20 de janeiro de 1996, o craque Zico, ex-Flamengo e Seleção Brasileira, que se consagrou no futebol japonês, onde é, atualmente, técnico da seleção nacional desse país, reuniu praticamente todos os jogadores ainda vivos naquela oportunidade e que vestiram, um dia, a camisa ?canarinho? em copas do mundo. Estavam presentes Zizinho, Barbosa, Bellini, Newton Santos, Domingos da Guia, Ademir da Guia, o atleta do século XX, Pelé, etc. A grande ausência, sem dúvida, era a de Garrincha, que morreu exatamente nessa data, em 1983. Fez-se presente até Afonsinho, que serviu o selecionado nacional em 1938. Foi uma justa, justíssima homenagem a esses homens que deram alegrias ao povo, embora também frustrações (como as das copas de 1950, 1974, 1978, 1982, 1986 e 1990).

Vários garotos, que freqüentavam a escolinha de futebol de Zico, local do encontro, cercaram esses mitos do esporte à cata de autógrafos. Mas nenhum dos meninos sabia quem aqueles senhores de cabelos brancos e rostos enrugados foram. Sua fama estava (e ainda está) em pleno declínio, rumo ao total esquecimento, tão logo os que os aplaudiram e celebrizaram venham a morrer. Otto Lara de Resende, um dos maiores frasistas da literatura contemporânea brasileira, disse: ?A celebridade contemporânea é uma espécie de pó-de-mico: diverte os outros e incomoda quem o sofre na própria pele?. Ao que aduziríamos: ?até quando acaba?. E, no entanto, mesmo com estes inconvenientes, sempre haverá quem corra atrás do renome, sob pretextos vários. Uns, com a desculpa de vender discos ou livros. Outros, para assinar bons contratos com clubes ou emissoras de TV. Outros, ainda, para encher auditórios em seus shows. Poucos reconhecerão que o motivo principal é a satisfação da vaidade.

(*) Editor-chefe do jornal Roteiro (SP)."

 

CLIPPING

"Clipping é ou não pirataria?", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 11/08/03

"Os mais velhos entre nós sem dúvida se lembrarão do Lux Jornal, no tempo em que não havia fax, nem xerox e muito menos Internet.

O Lux Jornal vendia uma coleção de recortes sobre o tema escolhido pelo cliente. É óbvio que o Lux era, na época, o maior comprador de jornais, porque metiam a tesoura e distribuíam os pedacinhos entre seus clientes.

Hoje, uma empresa de clipping ou assessoria de imprensa compra um exemplar de jornal e tira mil cópias que são distribuídas a clientes e funcionários. Ou simplesmente faz seleção eletrônica e distribui uma coleção completa via Web.

Isso está certo? É justo que o trabalho de jornalistas seja copiado no mesmo dia e vendido sem que o(s) autor(es) recebam um tostão de direito autoral? E as empresas jornalísticas vejam o seu produto ser ?pirateado? sem qualquer compensação? Se um jornal de Tocantins ou Roraima quiser publicar as coluna do Joelmir tem de pagar – o que é justo – uma determinada importância. Mas as empresas de clipping e as assessorias reproduzem o trabalho do Joelmir sem autorização e sem dar um dinheirinho nem ao nosso companheiro, nem à Folha e nem ao Globo.

A Associação Nacional de Jornais está realizando um amplo estudo jurídico do assunto, mas, infelizmente não tenho notícia de qualquer esforço semelhante por parte das entidades sindicais.

A Polícia Federal coordena investigações e apreensões, em todos os Estados, de softwares, CDs e DVDs copiados e vendidos sem pagar nada a produtores e artistas. Por que a produção de notícia – um produto de comunicação como todos os outros – não merece a menor proteção? Creio que a diferença essencial está no fato de que as empresas de soft e gravadoras, com total apoio de outros governos, especialmente o americano, pressionam o Brasil implacavelmente para reprimir com o maior rigor essa ?pirataria?.

Há alguns anos, O GLOBO promoveu uma ação contra a Universidade Estácio de Sá porque esta editou um livro sobre Pelé, praticamente em cima de material publicado pelo jornal. Mas a Justiça considerou que o material publicado pela imprensa cai sob domínio público. Mas pergunto: no mesmo dia, concorrendo com as próprias edições de jornais, que ainda estão sendo vendidas nas bancas ou através de assinaturas?

A Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro paga a uma empresa de clipping mais do que custaria a compra de todos os jornais da cidade para todos os 70 deputados. Sem contar que todos os funcionários, cabos eleitorais, sedes de partidos etc. não precisam também comprar jornais porque também têm acesso ao clipping. E o sistema é o mesmo no Congresso, em outras Assembléias e Câmaras de Vereadores.

Editoras e autores de livros didáticos tentam por todos os meios impedir a venda de cópias xerox, que só dão dinheiro a quem copia e nada a quem produz. Não é uma situação praticamente igual à de jornais e jornalistas?

Não sei se essa discussão já está ocorrendo em outros países. Mas acho que seria bom começá-la por aqui. Antes que os jornalistas fiquem todos desempregados, os jornais fechem e os clippings não tenham mais nada para vender."

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