Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > LIBÉRIA

Dez anos de aventura

Por lgarcia em 24/07/2002 na edição 182

CAMBOJA

Dez anos atrás, os americanos Michael Hayes e Kathleen O?Keefe, com US$ 50 mil de economias, dois computadores e um fax, abriram o primeiro jornal em língua inglesa do Camboja. Hayes estava à procura de trabalho e percebera que lá não havia jornal independente. Nem sua inexperiência com jornalismo, nem a conturbada situação política cambojana o impediram de levar o projeto adiante com a mulher.

Os anos 90 foram difíceis no Camboja. O sanguinário Khmer Vermelho saíra do poder em 1979, mas seus seguidores continuavam a guerrilha contra um governo fraco. Em 1991, a ONU colocou em ação plano de paz, com eleições democráticas em 1993. Hayes obteve licença de funcionamento do Post do rei Norodom Sihanouk, após muita insistência. Seu tom crítico, conta Ker Munthit [AP, 9/7/02], fez com que ganhasse inimigos no governo.

Hoje, The Post é jornal respeitado na precária imprensa local. Sua tiragem bissemanal de 3 mil exemplares é vendida a expatriados, estrangeiros e funcionários do governo por US$ 0,80 a unidade ? caro demais para a média da população.

A redação era inicialmente composta por seis pessoas. Hoje, o quadro de funcionários triplicou e, só de repórteres, há oito. A impressão, que no começo era feita em Bangkok, na Tailândia, está há cinco anos na capital do Camboja, Phnom Penh, onde o Post está sediado. Com circulação tão restrita, o maior problema da publicação são as contas. Como os anúncios preenchem apenas 30% das 16 páginas, o jornal não dá lucro.

 

LIBÉRIA

Continua em poder do governo da Libéria o jornalista Hassan Bility, acusado de tramar plano para matar o presidente Charles Taylor. O editor do jornal oposicionista The Analyst está preso desde 24/6. O ministro da Informação, Reginald Goodridge, disse que ele está bem, colaborando com as investigações. Bility teria ficado “chocado” com as acusações, mas afinal “admitiu”, segundo Goodridge, “que o jornalismo era só um disfarce para suas odiosas atividades”.

O governo alega ter encontrado e-mails que incriminam o jornalista em sua caixa postal. Entre as pessoas com quem ele teria se comunicado estão Damate Konneh, líder do grupo rebelde Lurd (Liberianos Unidos para Reconciliação e Democracia) e Alhaji Kromah, líder oposicionista exilado, com quem estaria planejando matar Taylor. Amigos de Bility afirmam que as mensagens são falsas. O Lurd mandou comunicado à ONU afirmando que o editor do Analyst não tem ligação com o grupo, e que ele “sequer simpatiza com o Lurd”. “Na verdade, ele é crítico tanto conosco quanto com o governo”.

Robert Ménard, secretário-geral dos Repórteres Sem Fronteiras, acha difícil acreditar nas acusações do governo. Para ele, a prisão de Bility e três outras pessoas poderia ser outro exemplo da “caça às bruxas que está sendo feita contra jornalistas que criticam o governo”.

Na Libéria há longa história de repressão. Agora que passa por nova guerra civil, a tolerância diminuiu. Em fevereiro, Taylor declarou estado de emergência. Temas como exército, confronto armado, mineração de diamantes e corrupção são tabu para os repórteres locais. Seis jornalistas de oposição foram presos e três jornais fechados nos últimos seis meses.

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