Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > MULHERES APAIXONADAS

Diego Assis

Por lgarcia em 26/08/2003 na edição 239

ZIRALDO NA TV

"TV expõe as mil e uma faces de Ziraldo", copyright Folha de S. Paulo, 21/08/03

"Desenhista, quadrinista, chargista nacional e internacional, ilustrador publicitário, pai, marido, avô, preso, tema de samba-enredo, criador de livros infantis, não há nada que Ziraldo, 70, não tenha feito. Tem, sim, corrige o amigo de longa data e parceiro de ?Pasquim? Sérgio Cabral: ele não conseguiu cantar bolero.

Estrela do terceiro -e melhor- documentário da série ?Profissão Cartunista?, realizado pela carioca Marisa Furtado, as diversas fases da vida do mineiro de Caratinga são lembradas em dois episódios, de uma hora cada, que vão ao ar amanhã e na próxima sexta na Rede SescSenac.

Como contadores de ?causos?, ninguém melhor do que aqueles por quem Ziraldo tem mais estima, os velhos amigos de escola, como Pimentel, Galileu e Alan -que, nos anos 60, emprestariam o nome para as personagens da ?Turma do Pererê?-, os irmãos Zélio e Geraldinho, os filhos Antônio, Fabrizia e Daniela e os companheiros de profissão Paulo Caruso, Miguel Paiva, Sérgio Cabral, entre outros.

Apurando as técnicas de animação empregadas nos dois primeiros programas da série (?Will Eisner? e ?Henfil?), Furtado oferece em ?Ziraldo em Profissão Cartunista? uma vasta e ?remasterizada? iconografia dos pontos altos da carreira do cartunista, das já clássicas tiras da série ?Super-Mãe? ao não menos antológico ?Jeremias, o Bom?, sem deixar de passar, claro, pelos infantis ?Menino Maluquinho? e ?Flicts? e pelo ?come-quieto? ?Mineirinho?.

Mais voltado para a ascensão do ?mito? Ziraldo -ele nega o título-, o episódio que vai ao ar amanhã mostra a paixão do artista pelas HQs estrangeiras e sua posterior luta pela nacionalização da profissão, nos anos 50, até o golpe militar de 1964 e a chegada do homem à Lua. Polêmico e combativo, o Ziraldo de ?O Pasquim? e da luta pela anistia fica para a edição da próxima semana.

ZIRALDO EM PROFISSÃO CARTUNISTA. Quando: amanhã e 29/8, às 21h, na Rede SescSenac."

 

MULHERES APAIXONADAS

"Amanhã, finalmente, Fernanda morre", copyright O Estado de S. Paulo, 24/08/03

"Ao que tudo indica, amanhã termina a agonia de Fernanda e do telespectador da novela das 8. Essa morte anunciada desde o início de Mulheres Apaixonadas e arrastada até agora vem confirmar algumas suspeitas.

A primeira – e mais óbvia – é que a capacidade elástica do autor Manoel Carlos e do diretor Ricardo Waddington é quase ilimitada. Outra é que a audiência é o melhor remédio para aumentar a longevidade de qualquer personagem. A mais importante: se bem fisgado pela trama, o telespectador brasileiro não desiste mesmo que perceba o truque engendrado para capturá-lo, ou seja, ele é fiel conscientemente.

Na véspera da gravação da cena do tiro, há 20 dias, a atriz Vanessa Gerbelli foi informada que cairia em determinado capítulo, agonizaria por dois outros e fim. Por causa da repercussão no ibope – a novela atingiu a marca inédita de 58 pontos de média (na Grande São Paulo) -, o calvário de Fernanda dura mais 12 capítulos e 15 dias. Para preencher esse espaço, a personagem teve de fugir do script do estado de coma e enfrentar desafios que, na certa não estavam previstos. Retomou a consciência para revelar segredos guardados ancestralmente para a heroína Helena (Christiane Torloni) e conversar telepaticamente com a filha Salete.

Assim sendo, desde o dia 9, a morte de Fernanda (ou a demora do trágico desenlace) é assunto da mídia, da internet, das pessoas que vêem TV. Há telespectadores revoltados, tomando partido e protestando contra a morte de Fernanda como se ela fosse alguém e não uma personagem de ficção. Alguns deles até param a atriz Vanessa Gerbelli na rua para manifestar sua indignação pela triste sorte de uma mulher tão sofrida.

Guardadas as devidas proporções, o artifício de prolongar o sofrimento de Fernanda, da filha e de seus amigos, criou um clima semelhante ao que o Brasil viveu à época da doença de Tancredo Neves, em 1985, quando a população comovida acompanhou pelos jornais, rádio e TV, dia a dia o estado de saúde do presidente até sua morte.

Fora o fato de enrolar para manter a platéia firme na frente da TV, o calvário de Fernanda revelou coisas interessantes. Por descuido ou por vontade própria, Manoel Carlos acabou produzindo uma certa crítica social. A moça pobre foi tratada em um hospital público, adequado às suas possibilidades econômicas. Seu parceiro na tragédia, o ex-amante Téo (Tony Ramos), foi para uma clínica particular, pelo jeito, caríssima, pois sustenta todas as extravagâncias do dr. César (José Mayer), proprietário do lugar e par romântico de quase todas as mulheres da novela.

A moça pobre morre e o rico é salvo. Qualquer semelhança com a realidade neste caso não é mera coincidência."

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