Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > NÃO FOI GUTENBERG?

Dinitia Smith

Por lgarcia em 07/02/2001 na edição 107

OFJOR CI?NCIA

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NÃO FOI GUTENBERG?

"Paternidade da tipografia pode ser dividida", copyright O Estado de S. Paulo / The New York Times, 29/01/01

"O alemão Johann Gutenberg foi por muito tempo considerado o pai da tipografia moderna, mas pode ter de dividir essa paternidade agora.

Uma jovem física e um estudioso de livros raros da Universidade de Princeton, que usaram uma nova tecnologia para examinar alguns dos textos de Gutenberg, afirmam que ele pode não ter criado o processo, uma descoberta que pode reescrever a história da imprensa.

Os pesquisadores dizem que a prensa de tipos metálicos móveis, originariamente atribuída a Gutenberg, foi provavelmente criada por outra pessoa cerca de 20 anos após Gutenberg imprimir sua Bíblia. O método, que envolve bater uma letra numa matriz de cobre preenchida com chumbo para criar centenas de letras idênticas, foi a principal forma de impressão até após a 2? Guerra Mundial.

?Eles imaginaram que toda a história do início da imprensa está errada?, disse Anthony Grafton, professor de história em Princeton e estudioso da história do livro. Para ele, a invenção da impressão moderna foi um processo mais gradual, envolvendo mais de uma pessoa.

Posição – Para Grafton, a descoberta significa que Gutenberg não inventou os tipos móveis na forma admitida comumente, como pedaços de tipos idênticos criados a partir de moldes de metal. A nova pesquisa, porém, não tira o alemão de sua posição histórica como o inventor da imprensa e o primeiro a produzir em massa Bíblias e outros trabalhos.

A descoberta foi anunciada no dia 22 por Paul Needham, bibliotecário da Scheide Library, uma biblioteca particular alojada em Princeton, e Blaise Aguera y Arcas, aluna graduada em física pela universidade. Os dois ampliaram por computador a forma dos tipos da Bula de Calixto, uma carta do Vaticano impressa por Gutenberg e destinada a levantar dinheiro para combater os turcos, e duas Bíblias feitas com os tipos de Gutenberg. Blaise criou modelos matemáticos para comparar as letras.

Segundo os pesquisadores, as formas das letras diferem de tal maneira que não poderiam ter-se originado do mesmo molde metálico. Por exemplo, as letras ?a? de qualquer página da bula papal nunca apresentam exatamente a mesma forma.

Blaise e Needham acreditam que Gutenberg usou um método de impressão mais primitivo, que envolvia moldes de areia, empregados naquela época para fabricar objetos de metal. Gutenberg teria feito seus moldes em areia e despejado neles a liga de chumbo para criar as letras. Como os moldes em areia não podiam ser reutilizados, Gutenberg teria de produzir seus moldes sucessivas vezes, o que faria cada letra ter leves diferenças.

Pensava-se também que Gutenberg imprimia usando letras inteiras, mas os pesquisadores descobriram que ele provavelmente usou um método mais complexo, criando formas na areia com ferramentas e juntando-as para fazer as letras."

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