Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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Diário de um farsante

Por lgarcia em 20/03/2002 na edição 164

INTERNET

A revista online Slate, uma das mais antigas e respeitadas da rede, foi vítima de um escritor desconhecido. No dia 5/3, o sítio trazia mensagem do editor, Jack Shafer, desculpando-se com os leitores por ter publicado o diário de um suposto "Robert Klingler, presidente americano de uma fábrica de carros européia". Ao que tudo indica, ele nunca existiu.

O farsante, até agora não identificado, entrou em contato com a redação da Slate por e-mail cujo endereço remete a uma indústria de automóveis, e ofereceu contar suas histórias de alto executivo. Pediu que se correspondessem por um correio eletrônico pessoal, para que pudesse manter os assuntos particulares separados dos profissionais.

Shafer só desconfiou de que se tratava de uma farsa quando leitores começaram a chamar a atenção para o fato de que não havia registro de presidente de empresa Robert Klingler nos mecanismos de busca Google e Nexis. De acordo com a AP [11/3], quando o editor do sítio tentou verificar, o e-mail de negócios já não respondia, e descobriu-se que as mensagens do endereço pessoal estavam vinculadas a um domínio registrado na Califórnia.

Shafer decidiu abrir o jogo. "Tiramos do ar o diário porque acreditamos que seja ficcional", admite, na mensagem aos leitores. "Mas como ?despublicar? uma coisa na internet é quase como ?destocar? uma campainha, resolvemos colocá-lo no sítio como um apêndice. Fazemos isso pela transparência, e como um lembrete a nós mesmos de que falhamos em sua confiança".

FLÓRIDA

Mais da metade dos diários da Flórida se uniu no dia 10/3 para protestar contra a aprovação de leis estaduais que restringem o acesso a informações públicas. Conta Brendan Farrington [AP, 11/3] que a data, apelidada "Domingo de Sol", trouxe uma coleção de editoriais contundentes defendendo a necessidade de a opinião pública estar a par do que se passa nas instâncias administrativas. As leis, que seriam votadas no dia seguinte, entre outras coisas, permitem que funcionários públicos negociem contratos em particular, e que dados de utilidade pública se tornem secretos.

As restrições não só impediriam que problemas na administração pública fossem descobertos, como também configurariam desserviço para a população em procedimentos cotidianos. "Sem acesso aos dados, ao comprar uma casa você não poderá saber quanto o antigo dono pagou por ela, qual era o imposto, o índice de criminalidade na vizinhança", diz Tim Franklin, editor do Orlando Sentinel. Ele está preocupado com o fato de que os atentados de 11 de setembro tornaram popular o discurso da segurança. "Há gente no governo que quer ocultar informações há muito tempo, e agora tem essa desculpa."

Neil Brown, editor-gerente do St. Petersburg Times, diz que o grupo de jornais reconhece a necessidade de manter certas informações em sigilo e negocia com os legisladores um meio-termo entre segurança e privacidade e direito à informação. "Odiaria ver essa questão distorcida por demagogia a ponto de a população da Flórida ter fazer essa falsa opção entre ausência de privacidade e total sigilo", pondera. "É muito mais complicado que isso".

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