Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > SOFT NEWS

Discurso contraditório

Por lgarcia em 19/06/2002 na edição 177

PAI GAY

O reverendo americano Jerry Falwell fez duras críticas a um programa do canal Nickelodeon sobre crianças com pais homossexuais, do qual ele próprio participou. Apresentada por Linda Ellerbee, a atração tinha como convidados, além do sacerdote conservador, a comediante Rosie O’Donnel, que adotou três crianças, um prefeito gay do estado de Minnesota, um bombeiro homossexual nova-iorquino e um grupo de adolescentes.

No ar, Fallwell, segundo a Reuters [7/6/02], fez declarações surpreendentes: “Não podemos desaprovar os homossexuais. Nós os amamos, nos preocupamos com eles. Nós nos comunicamos com eles e lhes demonstramos o mesmo amor e respeito que gostaríamos que fosse demonstrado a nós. Quando uma criança encontra na escola outra que tem pai gay isso não deve pesar no relacionamento entre as duas. A criança não é responsável por seu pai.”

Contudo, ao falar ao Washington Post, depois, mudou de tom. “Não sou ingênuo. A intenção deste programa é invadir a mente e o coração das crianças que gostam do Nickelodeon e ensinar-lhes que é errado aquilo no que acreditam seus pais e o que manda sua fé no sentido da incorreção desse estilo de vida.” Fallwell afirma que só participou do programa porque ele sentiu que seria necessária uma “voz do outro lado”, referindo-se à presença dos pais homossexuais e do discurso que eles defenderam.

Linda, veterana jornalista premiada, disse, sobre o programa que apresentou, que respeita a opinião do reverendo, que já convidou outras vezes a participar. “Gosto do que ele diz, que o ódio é errado, que Deus é amor.” Ela nega que tenha havido parcialidade em favor dos homossexuais. As dificuldades das crianças com pais gays teriam sido mostradas; a filha de Rosie O’Donnel, por exemplo, aos sete anos, reclama de não ter um pai.

SOFT NEWS

Uma segunda pesquisa de opinião confirma que os hábitos de consumo de notícia dos americanos não mudaram drasticamente após o 11 de setembro. Se o estudo do Project for Excellence in Journalism, lançado há alguns dias, revelou que os noticiários voltaram a dar destaque às soft news (ou seja, notícias sobre celebridades e entretenimento), a nova pesquisa do Pew Research Center descobriu que os atentados e a Guerra no Afeganistão não mudaram o interesse do público: o número de americanos que acompanham notícias internacionais cresceu modestamente ? de 14 para 21% ?, mas 61% disseram que o fazem apenas quando aparecem fatos novos importantes. 65% dos entrevistados com pouco interesse pelo assunto atribuíram o fato à falta de contextualização das notícias; para Mark Jurkowitz [The Boston Globe, 10/6/02], isto pode refletir os cortes nas editorias de internacional após o fim da Guerra Fria.

Uma tendência inexorável apontada pela pesquisa é a falta de interesse dos jovens pelo noticiário. Desde 1994, a porcentagem de entrevistados menores de 25 anos que respondeu não ter se informado no dia anterior através de jornais, rádio ou TV cresceu de 14 para 37%. O estudo também revelou que, apesar do confronto ideológico entre os canais de notícias Fox News e CNN, freqüentemente vistos como conservador e liberal, seu público é muito semelhante: os telespectadores que se declaram conservadores formam 46% da audiência da Fox e 40% da CNN; os moderados, 32 e 38%; 18% do público da Fox, assim como 16% do da CNN, se descrevem como liberais.

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