Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > ISRAEL-PALESTINA

Discurso polêmico – e não divulgado

Por lgarcia em 26/06/2002 na edição 178

ISRAEL-PALESTINA

O controverso discurso de Harry Evans, ex-editor do The Times e do Sunday Times, no Hay Literary Festival, não recebeu qualquer menção na imprensa britânica ? algo ainda mais curioso quando se nota que o evento foi patrocinado pelo The Guardian. Para Philippa Kennedy [Press Gazette Online, 13/6/02], isso provavelmente se deve à natureza da palestra ? um ataque pesado à imprensa mundial, que acusa de ter fracassado em identificar e responder ao anti-semitismo que surgiu após o 11 de setembro.

Como exemplo, Evans citou os boatos de que o serviço secreto israelense teria avisado judeus para ficarem longe do World Trade Center naquele dia. "Alguém pode acreditar nessas besteiras? Sim, milhões e milhões acreditaram. E ainda acreditam, e nós deveríamos hesitar em chamá-los de estúpidos." Esta "grande onda de anti-semitismo" na imprensa seria evidenciada na maneira como Israel é tratada com ceticismo e hostilidade, afirmou Evans, que pediu equilíbrio e moderação na cobertura do terrorismo.

Segundo ele, os comentaristas europeus muitas vezes se juntam ao coro e tentam evitar responsabilidades jogando a culpa do que dá errado nos EUA. "O que temos não é uma discussão sobre meios concretos de proteger cidadãos do terror e de armas de destruição em massa, mas uma neurose sobre a dependência do poder americano."

O presidente da European Society for Translation Studies, Yves Gambier, condenou publicamente a demissão de dois acadêmicos ? Gideon Toury e Miriam Shlesinger ? de publicações britânicas como parte de um boicote a Israel declarado por estudiosos europeus. Joseph Algazy [Ha`aretz, 16/6/02] conta que Toury é vice-presidente da EST e editor da Translation Studies Abstracts, e Shlesinger faz parte do conselho editorial da The Translator; em protesto, outros integrantes do conselho entregaram seus cargos.

Gambier declarou que as demissões são "profundamente injustas" e pediu aos membros do EST que não fiquem indiferentes a um ato feito em nome de um boicote acadêmico que confunde indivíduos com instituições.

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