Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > ITÁLIA

Domínio de Berlusconi afasta público da TV

Por lgarcia em 20/01/2004 na edição 260

ITÁLIA

Enquanto o primeiro-ministro Silvio Berlusconi e seus aliados tentam aprovar uma nova lei de mídia que faria a Itália entrar mais rapidamente na era da TV digital (e permitiria que o líder expandisse ainda mais seu hegemônico império de mídia, entrando nos ramos de jornal e rádio), um número cada vez maior de italianos está deixando a televisão de lado por sua falta de diversidade, segunda reporta Sophie Arie, do Christian Science Monitor [14/1/04]. Em dezembro, a organização Esterni promoveu um protesto em que o público ganhava desconto em atrações culturais como teatros e museus apresentando um controle remoto ? o que simbolizava que a televisão foi deixada de lado, ao menos naquele dia. Cerca de 400 mil pessoas aderiram.

Segundo informações do governo, o italiano médio assiste à televisão por quatro horas ao dia. O escritor Umberto Eco, um dos mais lidos por lá, avalia que seu país vive sob uma nova forma de ditadura, o "regime midiático". A diferença entre este modo de governo e o de Benito Mussolini é que, "na época do fascismo, as pessoas sabiam que os jornais e o rádio só transmitiam comunicados do governo", e, hoje, os oponentes políticos de Berlusconi têm espaço na mídia, mas nunca dão a última palavra.

Alento no teatro

Diversos artistas que têm sido expulsos da emissora estatal RAI, também sob controle do primeiro-ministro, estão encontrando no teatro seu último refúgio. Mas, mesmo nos palcos, suas críticas são alvo de perseguições judiciais. O casal Franca Rame e Dario Fo ? escritor que recebeu um Nobel ? estão sendo processados pelo senador Marcello Dell?Utri, do partido direitista Forza Italia, de Berlusconi. Ele quer um milhão de euros por causa do ataque à sua reputação na peça A Anomalia de Duas Cabeças. Em seu roteiro cômico, o personagem Berlusconi recebe Vladimir Putin numa mansão na Sicília, onde o líder russo é assassinado por dissidentes chechenos. Ferido na tentativa de salvar seu colega, o primeiro-ministro italiano recebe parte do cérebro do falecido em um transplante, o que altera sua personalidade. Sob acusação de haver cometido diversas ilegalidades (das quais, "por coincidência", é suspeito na vida real, como mudança de leis em benefício próprio e envolvimento com a Máfia), ele acaba na cadeira elétrica.

"Esses comediantes esquerdistas não me fazem rir. Vestem-se com roupas engraçadas e dizem ser artistas. Mas fazem acusações pessoais extremamente sérias que nada têm a ver com sátira", esbraveja o porta-voz do Forza Italia, Paolo Romani. O próprio Berlusconi afirma que a Itália "está entre os primeiros rumo à absoluta liberdade de imprensa". "Ele é muito tolerante. Mas a Itália é um país estranho. Se alguém quer se defender de afirmações difamatórias é acusado de censurar artistas", lamenta um de seus advogados, Nicolo Ghedini.

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