Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > COMUNICAÇÃO DE GOVERNO

Dora Kramer

Por lgarcia em 29/01/2003 na edição 209

COMUNICAÇÃO DE GOVERNO

Mercadores de vento [trecho], copyright Estado de S.Paulo, 23/1/03

“[…]

Vale lá e cá

Alvissareira a providência tomada pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República, ao formalizar como conduta de governo normas para o trato da informação. Na cartilha apresentada pelo jornalista Ricardo Kotscho aos assessores da Esplanada, há obviedades, tais como ?a informação é um direito, um bem público, não um favor?.

Só que no poder público raro é o homem ou a mulher que tenha noção do que significa esse conceito, por mais evidente que seja.

Na lista de regras, há três que, se o governo do PT seguir à risca, terá contribuído para um grande avanço nas relações entre poder, imprensa e, por conseqüência, sociedade. Uma delas proíbe ?mentir ou tergiversar?; outra condena o ?patrulhamento ideológico? e uma terceira aconselha a que equívocos e erros de informação sejam corrigidos com cordialidade.

Perfeito. Mas, além da necessidade de a prática corresponder à teoria, é imprescindível que, por parte da imprensa, a recíproca seja verdadeira.

O respeito à informação não cabe apenas a quem a produz, mas também a quem a reproduz.”

 

Governo tenta ?alinhar? informações oficiais, copyright Folha de S.Paulo, 22/1/03

“Com o objetivo de evitar ?ruídos? públicos entre ministros, o governo federal reuniu ontem todos os assessores de imprensa do alto escalão para iniciar a estratégia de ?alinhamento? de informações oficiais, que passarão a ser coordenadas pelo Planalto.

Na reunião, comandada pelos secretários Luiz Gushiken (Comunicação de Governo e Gestão Estratégica) e Ricardo Kotscho (Imprensa e Divulgação), também foram divulgados os dez princípios para nortear as relações do governo com a imprensa.

Entre eles está a vedação de ?mentir?, ?tergiversar?, e fazer ?patrulhamento ideológico?.

?Muitos de vocês, como eu, passaram a carreira do outro lado do balcão, reclamando dos assessores de imprensa. Agora, temos a oportunidade de mostrar na prática que é possível fazer aquilo que cobramos dos outros?, disse Ricardo Kotscho. Foi cobrada ainda dos assessores uma recomendação específica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a unificação de linguagens e procedimentos que evite desperdício de recursos e informações conflitantes.

Nesse processo de unificação, o fio condutor será o núcleo de comunicação do Palácio do Planalto. Além de Gushiken e Kotscho, participam o porta-voz André Singer e o presidente da Radiobras, Eugenio Bucci.

?Nenhum de nós está sozinho nessa batalha?, disse Kotscho.

Gushiken, amigo próximo de Lula e um dos principais estrategistas do governo, disse aos assessores que considerou normal que os ministros tivessem diferentes opiniões no mérito de algumas questões, mas que agora a prioridade é a posição de governo.

A unificação ocorrerá por meio de reuniões periódicas para estabelecer o discurso único relativo aos assuntos prioritários do governo. A próxima será sobre o Fome Zero, alvo de críticas recentes.

O encontro acabou virando um desabafo coletivo, com reclamações sobre a falta de pessoal qualificado, as dificuldades em lidar com entrevistas de autoridades recém-chegadas ao poder e o alto grau de cobrança por resultados.

Kotscho também pediu aos assessores que se antecipem aos problemas, com uma atitude menos defensiva. Para isso, disse, é necessário divulgar a questão e já apresentar as providências.”

“Decálogo para bem informar”, copyright Jornal do Brasil, 22/1/03

“Reunidos no Palácio do Planalto, os assessores de imprensa de todos os ministérios ouviram ontem dos comandantes da comunicação do governo que a regra é a transparência. O tom adotado pelo Secretário de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, e pelo Secretário de Imprensa e Divulgação, Ricardo Kotscho, é o de munir os jornalistas de informações, mesmo quando elas não são favoráveis ao governo.

No entanto, os assessores palacianos querem ser avisados com antecedência sempre que um ministro der declarações importantes ou mencionar algo que afete o governo ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi estabelecido um decálogo a ser seguido pelos assessores: 1) A informação é um bem público. Não é propriedade do governo; 2) A informação é um direito, não um favor; 3) A informação é um requisito básico para o exercício de outros direitos como o de escolher, de julgar, de optar e de participar; 4) A informação deve ser clara, pronta e precisa; 5) É proibido mentir ou tergiversar; 6) Responda no mérito e de modo objetivo as críticas da mídia; 7) Corrija de modo cortês os equívocos de informações da imprensa; 8) Se detectar calúnia, injúria ou difamação, atue com firmeza; 9) Não faça patrulhamento ideológico; e 10) Trate com igualdade todos os jornalistas e todos os veículos.”

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